Meteoritos

Meteoritos são fragmentos de matéria sólida que provêm do espaço e que che-gam até à superfície da Terra. Os fragmentos que entram na atmosfera terrestre, mas não chegam até à superfície, por serem destruídos pelo atrito com o ar, são chamados de meteoros ou, popularmente, estrelas cadentes. Estes são muito mais numerosos que os meteoritos.

Os meteoritos podem ser avistados, os que foram vistos no instante da queda, ou encontrados, os que não se viu cair (e que constituem a imensa maioria). Os avistados correspondem a apenas 2,4% do total.

A ciência que estuda esses corpos celestes chama-se Meteorítica.

A palavra meteoro vem do grego meteoron e significa fenômeno no céu. Compreende hidrometeoros (chuva, neve, etc.), fotometeoros (halos, arco-íris), eletrometeoros (raio, trocão) e os litometeoros (fumaça, bólidos, meteoritos). Aqui, vamos tratar destes últimos, em especial os meteoritos.

Nesse contexto, meteoro é a faixa luminosa que se vê no céu quando matéria do sistema solar entra na atmosfera de Terra, criando incandescência temporária, resultado da fricção com a atmosfera. O termo também é usado para designar a própria partícula, sem relação ao fenômeno que produz quando entra na atmosfera.

A chegada do meteorito à superfície da Terra dá-se a velocidades entre 12 km/s e 70 km/s e é seguida de estrondos e chiados ensurdecedores, porque eles rom-pem a barreira do som.

Um meteoróide é a matéria que gira ao redor do Sol ou qualquer objeto no es-paço interplanetário que seja muito pequeno para ser chamado de asteróide ou cometa. Partículas menores são chamadas micrometeoróides, ou grãos de pó cósmicos, e incluem qualquer material interestelar que eventualmente entre em nosso sistema so-lar.

Origem

Acredita-se que a maioria dos fluxos de meteoros sejam formados pela decomposição do núcleo de um cometa e conseqüente dispersão dos fragmentos na órbita original desse cometa. Os planetas maiores, com seus intensos campos gravitacionais, podem afetar essa órbita e Júpiter, por exemplo, pode levar os fragmentos a mergulharem para o interior do sistema solar e assim cruzar a órbita da Terra, como acontece hoje com os asteróides Vesta e Apolo.

Quando a Terra atravessa um fluxo de meteoros, o número de meteoritos que nela cai é aumentada, resultando em uma chuva de meteoros, que costuma durar vários dias. Se for uma chuva particularmente intensa, recebe o nome de tempestade de meteoros.

Os meteoros pesam cerca de 10 gramas e são geralmente do tamanho de grãos de feijão ou ainda menores. Sua velocidade varia entre 42 km/s e 72 km/s. Eles tornam-se visíveis a aproximadamente 120 km de altura, onde ficam incandescentes, desaparecendo a 70 km quando, quando são totalmente incinerados pelo atrito com a atmosfera. Em cidades pouco iluminadas, é possível ver meteoros com facilidade quase todas as noites.

Procedência dos meteoritos

A análise das trajetórias dos meteoritos sugere que a grande maioria deles vêm de um cinturão de asteróides que existe entre Marte e Júpiter. Os planetas têm um afastamento em relação ao Sol que obedece a uma regra matemática. Por essa regra, deveria haver um planeta depois de Marte, mas antes de Júpiter. O que há ali, porém, é um anel de asteróides, ou seja, de fragmentos rochosos. Os astrônomos acreditam que esses asteróides circundam o Sol desde o começo do nosso sistema solar, mas não conseguiram se unir para formar um planeta devido à grande força da gravidade de Júpiter, embora estejam mais próximos de Marte do que de Júpiter. Se isso acontecesse, o planeta teria cerca de 1/3 do tamanho da Lua.

O cinturão de asteróides tem 150.000 km de fragmentos rochosos, com tamanhos que variam bastante, a maioria de formato irregular. Nele foram identificados mais de 11.000 asteróides, em geral com 20 km ou menos de diâmetro. O maior é Ceres, com 913 km e o mais próximo do Sol é Ícaro. Há três tipos de asteróides: escuros e rochosos; luminosos e rochosos e metálicos.

Apesar de essa ser a principal fonte de meteoritos, análises químicas mostram que alguns deles, do tipo condrito, coletados na Antártida desde 1981, provêm da Lua, pois sua composição coincide com a de rochas lunares trazidas pelas missões Apolo, em 1969-1972. Outro conjunto, de oito acondritos, contém gases atmosféricos capturados em minerais derretidos, cuja composição assemelha-se à da atmosfera de Marte, medida pela sondas Viking em 1976. Dos 56.678 meteoritos conhecidos, 0,54% vieram da Lua e 0,35%, de Marte.

Hoba West, o maior meteorito encontrado até hoje. Foi achado próximo de Groot-fontein, na Namíbia. Tem 2,7 m de comprimento por 2,4 de largura e 59 toneladas. (Foto: www.brasilescola.com)









Classificação

Os meteoritos compreendem três classes e algumas subclasses, conforme se vê a seguir.

  • Meteoritos rochosos
  • 1.1 Condritos - 85,7%

    1.1.1 Enstatitos (=condritos ordinários) – 81%

    1.1.2 Carbonados

    1.2 Acondritos – 7,1%

    1.2.1 Grupo HED

    1.2.2 Grupo SNC

    1.2.3 Aubritos

    1.2.4 Ureilitos

  • 2. Meteoritos ferrosos rochosos (=siderolitos) – 1,5%
  • 2.1 Pallasitos

    2.2. Mesossideritos

  • 3. Meteoritos ferrosos (=sideritos) – 5,7%

Os meteoritos rochosos são semelhantes a rochas vulcânicas terrestres e compreendem 92,8% do total dos meteoritos conhecidos. Os condritos são muito mais numerosos que os acondritos e, dentre eles, são muito mais abundantes os do tipo ensta-tito.

Os meteoritos ferrosos são meteoritos metálicos (do grego sideros = ferro) e constituem apenas 5,7% do total. Os meteoritos ferrosos rochosos têm composição intermediária, e constituem apenas 15 dos meteoritos conhecidos.

Os ferrosos são os mais fáceis de identificar, por sua alta densidade e pelo brilho metálico que exibem em superfície de fratura recente. Os rochosos, extremamente abundantes, são os de identificação mais difícil, pois assemelham-se a rochas encontradas na Terra e, como estas, sofrem alteração pelo intemperismo.

Condritos são meteoritos formados por dois grupos de minerais, olivinas e piroxênios, com algo de ferro e níquel. Têm 4,5 a 4,6 bilhões de anos, que é a idade aproximada do sistema solar, e provêm provavelmente do cinturão de asteróides que há entre Marte e Júpiter. São considerados testemunhas dos primórdios do sistema solar, embora em muitos casos suas propriedades tenham sido modificadas por termometamorfismo ou por ação do gelo.

Acredita-se que os condritos mais comuns, que contêm tanto elementos voláteis quanto oxidados, tenham se formado no interior do cinturão de asteróides. Já os carbonados, que têm as proporções mais altas de elementos voláteis e são na sua maior parte oxidados, devem ter se originado a distâncias ainda maiores do Sol. Cada uma desses grupos pode ser subdividida em grupos menores, com propriedades distintas.

Os condritos caracterizam-se também por possuírem côndrulos (daí o nome), com exceção dos carbonados, entre os quais aparecem substâncias metálicas, quase sempre ferro e níquel.

Côndrulos são pequenos glóbulos esféricos ou elipsoidais, com diâmetro de 0,5 a 1 mm, geralmente, constituídos de minerais silicáticos, sobretudo olivinas, piroxênios e plagioclásios. Eles muito provavelmente formaram-se pela cristalização de pequenas gotas muito quentes (2.000 ºC) que vagavam no espaço em grande quantidade, ao longo das órbitas dos planetas, em ambientes praticamente sem gravidade.

Os enstatitos consistem em aglomerados de côndrulos, contendo materiais metálicos (quase sempre ligas de ferro e níquel ou sulfetos desses metais) entre esses côndrulos. Eles contêm os elementos mais refratários, e acredita-se que tenham se formado no interior do sistema solar. Junto com alguns carbonados, são considerados os corpos celestes mais primitivos a que se tem acesso.

Os acondritos, como diz o nome, não possuem côndrulos, têm 4,4 a 4,6 bilhões de anos de idade, com exceção de um subgrupo, chamado de SNC (shergotitos-nakhlitos-chassignitos), que tem 1 bilhão de anos apenas. Possuem composição mineralógica semelhante à dos basaltos, tendo como minerais principais olivina, piroxênio e plagioclásio. São considerados matéria diferenciada ou reprocessada. Formam-se pelo derretimento e recristalização em corpos originais do meteorito ou dentro dele. Por isso, os acondritos têm texturas e mineralogia distintas, indicando processos ígneos. Podem provir do cinturão de asteróides, mas muitos vêm da Lua. Os SNC provêm de Marte, conforme atestam sua idade (1 bilhão de anos, bem menor que a dos demais meteoritos) e composição mineralógica basáltica.

Os siderolitos são formados por uma mistura de minerais silicáticos (piroxê-nios, olivinas e substâncias metálicas (ferro e níquel). Provêm do interior de corpos diferenciados do cinturão de asteróides. Os pallasitos são meteoritos férreos rochosos, compostos de olivina no interior do metal.

Os sideritos, por fim, são metálicos (ferro + níquel) e têm a mesma origem dos siderolitos. São classificados em treze grupos principais e consistem principalmente de ligas de níquel-ferro, com quantidades menores de carbono, enxofre e fósforo. São meteoritos formados quando o metal fundido se separou do silicato, menos denso, e resfriou-se, mostrando outro tipo de derretimento dentro do corpo que originou o meteorito.

Siderolitos e acondritos têm estrutura interna típica dos sideritos, com inter-crescimento de lamelas de diferentes minerais, constituindo a chamada estrutura de Widmanstätten, um arranjo que não se conseguiu até hoje reproduzir em laboratório. A largura dessas lamelas indica a velocidade de resfriamento do material que forma o meteorito.

Meteorito Vesta

Até hoje só se conseguiu material de três astros além da Terra: a Lua, Marte e o asteróide Vesta. Este meteorito credita-se seja parte da crosta de Vesta. Ele é único por ser composto quase totalmente de piroxênio, mineral comum em derrames de lava. Seu oxigênio tem uma composição isotópica diferente da encontrada na Terra e na Lua e o espectrograma do Vesta é o mesmo do piroxênio. Esta amostra tem 631 gramas. (Foto: R. Kempton, New England Meteoritical Services)

Meteorito Marciano

Meteorito marciano, de 180 milhões de anos, coletado em Elefante Moraine, Antártica, em 1979. Os minerais que o formam são semelhantes àqueles que os cientistas esperam encontrar em rochas de Marte. Contém vesículas, ou pequenas bolhas, com gases muito parecidos com o ar analisado em Marte pela nave Viking. Nunca se encontrou um meteorito proveniente de Vênus, talvez porque atração do Sol os afaste daquele planeta e da Terra.

(Foto: Laboratório de Jatopropulsão da NASA)

Crateras formadas por meteoritos

Fragmentos rochosos com até uma tonelada são freados pela atmosfera e aqueles com mais de 100 toneladas ao se chocarem contra o solo formam uma cratera. Muitas dessas crateras já foram identificadas, inclusive no Brasil, e uma das mais famosas, por suas grandes dimensões e excelente estado de conservação é a Meteor Crater (Cratera do Meteoro), no Arizona (Estados Unidos). É famosa também por ser a primeira cratera comprovadamente formada por meteorito.

Esta cratera tem 1.200 m de diâmetro, 180 m de profundidade (altura de um prédio de 60 andares) e foi formada há 50.000 anos, quando ali caiu um meteorito de 150.000 toneladas.















Nas fotos acima, o bordo da cratera (observar as pessoas caminhando ao fundo) e o maior dos fragmentos do meteorito que foi encontrado.

Uma cratera três vezes maior que a Meteor Crater, com 3.600 m de diâmetro, existe nas proximidades da cidade de São Paulo, mas está hoje totalmente preenchida por sedimentos.

O meteorito que se supõe tenha causado a extinção dos dinossauros, há 65 mi-lhões de anos, caiu na península do Yucatán, no México, e sua cratera está sob as águas do mar.

Meteoritos no Brasil

Segundo o professor Jorge Quillfeldt, especialista em meteoritos, até agosto de 2017 foram encontrados 83 meteoritos no Brasil. O maior deles é o Bendegó, de 5,36 toneladas (ver descrição adiante).

O segundo maior meteorito brasileiro, com cerca de 2,5 toneladas, foi achado no interior de Goiás. O fazendeiro Eli Braz de Oliveira encontrou a rocha na proprie-dade da família, mas pensou que se tratasse de manganês. Durante anos, a peça foi ignorada pelos proprietários, até que em novembro de 2008 uma amostra do objeto foi enviada para análise e Maria Elizabeth Zucolotto constatou ser um meteorito, caído talvez há centenas de anos.

Outros meteoritos importantes achados no Brasil foram o Putinga (ver adiante) e o Santa Catarina.

Em 2008, foi fundada, em Santa Catarina, a Sociedade Brasileira de Meteorítica, com o que se espera difundir muito mais o conhecimento sobre esses importantes materiais, além de se cadastrar um número maior de meteoritos encontrados em nosso país. Nos Estados Unidos, por exemplo, considerando-se sua extensão territorial, encontrou-se um número de meteoritos muitíssimo maior que aqui.

Meteoritos na Antártida

De todos os meteoritos conhecidos, 74,4% foram encontrados na Antártida. Isso se explica porque, sendo aquele continente coberto de gelo, fica fácil visualizar um meteorito no chão.

Embora exista um grande números de pessoas que se dedica ao comércio de meteoritos, os que provêm da Antártida não podem ser comercializados.

Curiosidade

Só há dois registros de meteoritos que tenham ferido um ser humano. Um deles apenas machucou a perna de uma mulher, mas o outro, caído na Rússia em 2013, nos montes Urais, feriu 1.500 pessoas e causou prejuízos de 33 milhões de dólares. Pesava 10.000 toneladas, porém o maior fragmento encontrado tinha apenas 1 kg.

Há registro também da morte de um cão atingido por um meteorito.

Em 29.03.2009

No final de 2008, pela primeira vez cientistas conseguiram encontrar um meteorito que fora identificado antes de cair na Terra. O asteróide 2008TC3 foi identificado no dia 6 de outubro de 2008 com telescópios localizados no Arizona (EUA). As-trônomos de todo o mundo foram informados da descoberta e passaram a calcular sua trajetória e analisar sua composição. Menos de 24 horas depois da descoberta, ele caiu no deserto da Núbia, no Sudão.

O asteróide tinha tamanho comparável ao de um automóvel, mas, ao entrar na atmosfera terrestre dividiu-se em inúmeros fragmentos quando estava a 37 km da superfície. Várias semanas após a queda, ninguém havia encontrado qualquer fragmento dele. No início de dezembro, porém, um pesquisador do Instituto Seti, da Califórnia (EUA) foi ao Sudão e com um colega da Universidade de Cartum liderou uma equipe de 45 estudantes sudaneses que partiu em busca do meteorito. Em poucos dias, eles encontraram 47 fragmentos.

As análises mostraram tratar-se de um ureilito, composto principalmente de grafita, contendo também diamantes extremamente pequenos (nanodiamantes). Apenas 0,5% dos meteoritos são ureilitos, o que tornou a descoberta ainda mais importante.

Como reconhecer um meteorito ?

Se você possui uma pedra e acha que ela pode ser um meteorito, siga o roteiro abaixo para esclarecer o assunto. Se a dúvida persistir, envie o material para a Profa. Maria Elizabeth Zucolotto, cujo endereço aparece no canto inferior direito. Ela é a maior autoridade brasileira nesse assunto.

FONTES CONSULTADAS:

ALIEN MINERALS? M.R. News, The Mineralogical Record, January 2018. Acessado em 23.01.2018.

BRANCO, P. DE M. Procurando o meteorito Putinga. São Paulo, Jornal da Pedras, (11):7. Set. 1997.

BRASIL Escola - http://www.brasilescola.com/geografia/meteorito.htm, acessado em 20.11.2008.

CLUBE de astronomia - http://www.clubedeastronomia.com.br/asteroi.php, acessado em 20.11.2008.

CORDANI, U. O planeta Terra e suas origens. In: TEIXEIRA, Wilson et al. org. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. 568p. il. p. 13-17 il.

G1 - http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL866266-5603,00-FAZENDEIROS+ENCONTRAM+SEGUNDO+MAIOR+METEORITO+DO+BRASIL.html

RANGEL, M. Meteorito Bendegó. Campos dos Goitacazes (RJ), Folha da Manhã, 02.04.1995. p. 12.


O METEORITO BENDEGÓ

O Bendegó (alguns autores escrevem Bendengó) é o maior meteorito brasileiro conhecido até o momento, pesando 5,36 toneladas e medindo 2,15 m x 1,5 m x 0,65 m. Tem formato meio achatado, lembrando uma sela.

Trata-se de uma massa compacta de ferro, com 6,6% de níquel e quantidades menores de cobalto e fósforo. Não figura mais entre os dez maiores do mundo, mas era o segundo maior em tamanho na época de seu descobrimento.

Transporte do meteorito

Foi encontrado em 1784, perto de Monte Santo (BA), por um menino de 15 anos, Joaquim Bernardino da Mota Botelho, nas proximidades do riacho Bendegó. Desde 1888, encontra-se exposto no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, para onde foi trasladado por ordem do imperador Dom Pedro II e a pedido de alguns membros da Academia de Ciências de Paris (há uma réplica dele no Palais de La Découverte, naquela cidade, e outra em Salvador, BA). Foi encarregada disso uma comissão de três engenheiros, José Carlos de Carvalho (chefe), Vicente José de Carvalho Filho e Humberto Saraiva Antunes. A foto acima, exposta no Museu Nacional, mostra o trabalho de remoção do Bendegó.

Meterioto Bendegó Quando o meteorito chegou ao Rio de Janeiro, foi feito um corte, para se poder estudá-lo. Um pedaço de 60 kg foi dividido em pedaços menores, enviados para 14 museus no mundo e hoje fragmentos do Bendegó estão, por exemplo, em Paris, Londres, Nova York e Amsterdã.

O Bendegó apresenta inúmeras de-pressões na superfície e buracos cilíndricos orientados paralelamente a sua maior dimensão. Estes buracos formaram-se pela queima do sulfeto troilita, durante a passagem do meteorito pela atmosfera. Mostra estrutura de Widmanstatten, com lamelas de 1,8 mm em média.

A julgar pela espessura da camada de oxidação sobre a qual ele repousava e a parte perdida de sua porção inferior, supõe-se que ele caiu naquele local milhares de anos atrás.


O METEORITO PUTINGA

Em 1994, Pércio de Moraes Branco, geólogo da CPRM, lotado na Superintendência Regional de Porto Alegre, esteve no local onde caiu o meteorito Putinga e conversou pessoalmente com duas pessoas que o viram cair, em 1937. Este é o seu relato, publicado no Jornal das Pedras, em 1997.

PROCURANDO O METEORITO PUTINGA

A equipe do Projeto Pedras Preciosas RS/SC, executado pela CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), esteve na cidade de Putinga (RS) e aproveitou a oportunidade de trabalho naquela região para saber mais sobre o famoso condrito caí-do em Putinga em 1937 e, se possível, obter uma amostra dele.

Na Prefeitura Municipal, perguntamos sobre quem poderia mostrar o local exato da queda e, graças à atenção do Vice-Prefeito, Jandir Bassaia, o funcionário Gilberto Vaccari foi designado para conduzir-nos lá.

Antes, porém, conhecemos, no Museu Municipal, um fragmento do Putinga, com cerca de 10 x 5 x 7 cm e talvez 1,5 kg.

Os fragmentos do meteorito caíram numa área bastante ampla, que compreende também os atuais municípios de Anta Gorda, Arvorezinha, Ilópolis, São José do Herval e Encantado. Mas, a queda dos maiores fragmentos foi presenciada na Linha Rui Bar-bosa, localidade situada a 2 km da cidade de Putinga. Foi no sítio de José Marchese, onde se acharam pedaços até a 2 m de profundidade. Mas, caíram também no sítio que hoje pertence à Srª. Rosa Secco, onde a equipe esteve. Ela e a Srª. Maria Fachinello, antiga proprietária, assistiram à queda e foi Dª. Rosa (falecida aos 101 anos de idade) quem contou aos visitantes como se deu o fato.

Diz ela que estava trabalhando na lavoura, na bela tarde do dia 16 de agosto de 1937, quando, às 16h 30min, começou a ouvir um som que vinha do céu. Olhou e viu que uma bola brilhante vinha caindo. Essa bola - ela não disse, mas é bem sabido - deixou um rastro de fumaça de 15 km, que foi visto também nos municípios de Arroio do Meio, Roca Sales e Encantado e que permaneceu no céu até anoitecer.

Ficou ela então observando aquele estranho objeto que se aproximava, quando em dado instante, ouviu um estrondo semelhante ao de um prolongado trovão e, em seguida, vários pedaços de rocha caíram a pouca distância de onde ela estava e come-çaram a rolar pela encosta do morro onde trabalhava.Aproximou-se e viu que eram umas pedras diferentes, com uma superfície de brilho vítreo. Ela acabava de tornar-se uma das raras pessoas no mundo a assistir à queda de um meteorito.

O estrondo foi ouvido em outros cinco municípios e a queda foi acompanhada também de forte cheiro de enxofre e da formação de espessa nuvem de fumaça.

Foram recolhidos, ali e nas redondezas, cerca de 200 kg de fragmentos, o maior dos quais, com 45 kg, encontra-se hoje no Museu de Mineralogia Luís Englert, do Instituto de Geociências da UFRGS, em Porto Alegre. Da. Maria Fachinello diz possuir ainda um fragmento, o único que lhe restou dos muitos que tinha em casa e que foi do-ando, aos filhos, a escolas e a outras pessoas amigas.

A equipe que esteve no local passou cerca de uma hora tentando achar algum fragmento, sabendo de antemão da dificuldade de obter êxito. Em primeiro lugar por-que a queda havia se dado há sessenta anos e incontáveis pesquisadores e curiosos vasculharam a região desde então. Em segundo, porque o aspecto que devem ter hoje esses fragmentos, sem o brilho original da crosta vitrificada, não os faz muito diferentes dos fragmentos de rochas vulcânicas que abundam no local. De fato, nada foi encontrado que pudesse ser um pedaço do Putinga.

Muitas pessoas coletaram fragmentos do meteorito, mas várias deles se desfizeram por acreditar que podiam trazer azar, atrair raios e outras superstições.


O HYPATHIA - MAIS ANTIGO QUE NOSSO SISTEMA SOLAR?

O meteorito Hypathia, descoberto em 1996 no oeste do Egito, pelo Serviço Geológico da-quele país, talvez seja mais velho que o nosso sistema solar. Ele é diferente de qualquer outro me-teorito conhecido e parece ter se formado antes do Sol e dos planetas, talvez em outro sistema solar. É tão estranho que constitui uma classe de meteoritos própria, da qual é o único membro.

Os elementos químicos principais nele presentes não são estranhos – carbono, silício, alu-mínio e ferro – mas as proporções deles é que são esquisitas. Ele tem uma grande quantidade de carbono e uma quantidade estranhamente pequena de silício. Ele tem alumínio nativo (isso é, alumínio puro, não combinado com outros elementos), carboneto de silício, grãos de iodofosfeto de prata e, na superfície, uma drusa de diamantes em cristais microscópicos.

Há também grãos compostos principalmente de níquel e fósforo, com muito pouco ferro, uma combinação mineralógica nunca antes vista na Terra, na Lua ou em outros meteoritos. Como se isso não bastasse, o Hypathia não contém nada de silicatos.