Sexta-feira, 06 de novembro de 2020

Serviço Geológico retorna de expedição inédita que amplia o conhecimento da Elevação do Rio Grande

 Expedição durou 25 dias e coletou dados geofísicos na região das feições geológicas de escape de gás, denominadas megapockmarks
Quatro pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), Victor Lopes, Mauro Souza, Patrícia Oliveira e Oderson Souza, retornaram nesta quinta-feira, dia 05/11, após 25 dias de mar, de mais uma comissão científica na Elevação do Rio Grande (ERG).

O objetivo desta vez foi levantar uma área nova na porção leste da região central da ERG com intuito de complementar os dados geofísicos já adquiridos anteriormente pelo SGB-CPRM, na região das feições geológicas de escape de gás, denominadas megapockmarks e que até então não haviam sido levantadas nesta região.

Nesta segunda comissão do Projeto PROERG-GAS na ERG foi realizada coleta de dados na região de ocorrência de escape de gás com a aquisição de batimetria multifeixe, sísmica de alta resolução (SBP) e magnetometria em uma área de aproximadamente 17.000 km², além de dados oceanográficos do tipo XSV, XBT, MVP e ACDP. Como resultado do uso dessas técnicas, será obtido pelos pesquisadores mapas do relevo do solo marinho, informações de subsuperfície e da magnetização das rochas, além de dados físico-oceanográficos cinemáticos e termodinâmicos.

A comissão PROERG-GAS II foi coordenada pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CEDES) do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) sob a chefia de Noevaldo Teixeira e pelo chefe da Geologia Marinha do CEDES/SGB-CPRM, geólogo Eugênio Pires Frazão.

Conforme relata o chefe da comissão científica, o pesquisador do SGB Victor Lopes, foi a primeira comissão longa para regiões distantes tanto do SGB quanto da Marinha do Brasil depois da pandemia da COVID-19, o que exigiu uma série de cuidados e protocolos. Como medida de prevenção, antes de embarcar a equipe permaneceu em quarentena desde o dia 28 de setembro até a data da partida do navio no dia 12 de outubro.

 Além dos pesquisadores da CPRM e oficiais da Marinha, participaram pesquisadores da UFPA, UFRN, UNB, UFES, UFF, USP, UFSC e UFRGS  A expedição foi realizada em conjunto com a Marinha do Brasil, a bordo do navio de pesquisa hidroceanografico NPqHo Vital de Oliveira. Durante a comissão, foram completados 800 dias no mar com o navio brasileiro dedicado exclusivamente a estudos científicos na Amazônia Azul e em águas internacionais.

Em 2020, foram realizadas duas comissões entre os meses de janeiro e março, contemplando as regiões da ERG e do Terraço do Rio Grande. Ações que se constituem em uma nova etapa de estudo em geologia marinha do Programa de Estudos Ambientais para a Exploração de Crostas Ferromanganesíferas Ricas em Cobalto na Elevação do Rio Grande (PROERG) do SGB-CPRM, contemplado no Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA), considerado estratégico pelo governo brasileiro.

Em seu histórico, o PROERG forneceu uma enorme quantidade de dados coletados pela SGB-CPRM, desde o ano de 2009, os quais subsidiaram a proposta brasileira, submetida em dezembro de 2018 junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU para extensão da Plataforma Continental Jurídica Brasileira (PCJB) para além das 200 MN, na porção da margem oriental brasileira, a qual engloba a Elevação do Rio Grande com o acréscimo de aproximadamente 900 mil km² para a Amazônia Azul. Nesse período foram coletadas ainda 18 toneladas de amostras geológicas numa área de 132.000 km².

WORKSHOP NO MAR - Durante o período da comissão científica, os pesquisadores do SGB-CPRM e da Marinha do Brasil promoveram dentro do navio o I Workshop no Oceano Atlântico do SGB-CPRM e Marinha do Brasil a bordo do NPqHo Vital de Oliveira (I WOA). Com o objetivo de reunir os pesquisadores e compartilhar conhecimento entre as instituições, foram realizadas 28 palestras e nove minicursos. Pesquisadores das universidades UFPA, UFRN, UNB, UFES, UFF, USP, UFSC e UFRGS, e oficiais da Marinha do Brasil, integrantes da expedição também participaram.

 Foram adquiridos dados de batimetria multifeixe, sísmica de alta resolução (SBP) e magnetometria em uma área de 17.000 km² ELEVAÇÃO DO RIO GRANDE - A Elevação do Rio Grande é uma feição positiva do Atlântico Sul, localizada em área sob jurisdição nacional, após a submissão do pleito de extensão da Plataforma Continental Jurídica Brasileira submetida à CLPC em 2018, a mais de 1.500 km da costa brasileira, que alcança profundidades mais rasas de aproximadamente 700 metros de profundidade e é circundada por assoalho oceânico com profundidades médias de 4.000 metros.

Antes, a Elevação do Rio Grande situava-se além dos limites da Plataforma Continental Jurídica Brasileira, ou seja, em águas internacionais, denominada como AREA. Atualmente, após as pesquisas do SGB-CPRM e levantamentos geofísicos compartilhados com o Programa LEPLAC, o solo e sub-solo marinho nesta região encontra-se sobre jurisdição nacional, tendo suas atividades no X PSRM (Plano Setorial para os Recursos do Mar) transferidas para o Programa REMPLAC, o qual foi criado com o objetivo de conhecer a potencialidade dos recursos minerais marinhos da Amazônia Azul, requisito fundamental para dimensionar e calcular o valor econômico e estratégico que os recursos não vivos possuem e inferir sua contribuição para o PIB do mar, indicador essencial da Economia Azul. As informações obtidas contribuem para o estabelecimento de políticas e estratégias governamentais, voltadas para a utilização sustentável dos recursos minerais marinhos.


Janis Morais
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscom@cprm.gov.br
janis.morais@cprm.gov.br
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