Quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Serviço Geológico do Brasil atualiza prognóstico para recuperação dos níveis dos rios no Pantanal

Cotas do rio Paraguai começam a apresentar tendência de estabilização. Prognóstico é recuperação lenta e gradual da condição hídrica nos estados do MT e MS

Cotas atuais, medianas e prognóstico do Serviço Geológico do Brasil para vazante histórica no rio Paraguai
O Serviço Geológico do Brasil publicou nesta quinta-feira, dia 29/10, novo boletim semanal de monitoramento da vazante no Pantanal. Nesta última semana, a tendência geral foi de redução da velocidade da vazante na calha principal do rio Paraguai. Elevações foram observadas também nos seus afluentes, resultado das chuvas da última semana. Saiba mais acessando o boletim completo aqui.

No entanto, os níveis das estações ainda se encontram abaixo do normal para este período e dentro da zona de atenção para mínimas. No Mato Grosso, nos municípios de Cáceres, Cuiabá e Santo Antônio do Leverger-, os rios estão na mínima histórica do registro de dados. À exceção das estações do rio Piquiri, no município Barão do Melgaço (MT). No total, o monitoramento abrange 21 estações distribuídas ao longo da bacia em oito municípios.

De acordo com o pesquisador em Geociências, Marcus Suassuna, as chuvas observadas neste mês são prenúncio do início da estação chuvosa, que deve se estabelecer até o início de novembro. Nos últimos 7 dias, estimativas de chuvas por satélite, sugerem acumulados de 23 mm. “Ainda que a estação chuvosa se inicie, porém, os rios na calha do rio Paraguai levarão tempo para se recuperarem, haja vista serem rios de resposta lenta, principalmente sobre o Mato Grosso do Sul. Contudo, essa tendência começa a surgir nos modelos de previsão”, confirmou.

Prognóstico de níveis - Segundo o engenheiro hidrólogo, a tendência para a região Hidrográfica do Paraguai é a recuperação dos níveis rios da bacia, ainda que de modo suave. Nas estações na calha do rio Paraguai, à exceção de Cáceres, as previsões com horizonte de 28 dias são mantidas pelo Serviço Geológico do Brasil. Para Ladário (MS), a previsão é que o rio Paraguai no próximo mês suba até 14 centímetros. Em Porto Murtinho (MS), em quatro semanas o rio deve alcançar a cota de 1,40 metros.

Panorama da bacia - Em Cuiabá (MT), o nível do rio Cuiabá registra hoje, 29/10, a cota de 30cm permanecendo entre as mínimas históricas do registro de dados. Em anos normais, a cota registrada seria 77cm (mediana).

Em Cáceres (MT), o rio Paraguai que atingiu a mínima histórica entre todas as cotas já registradas nos dias 10 e 11 de outubro (50 cm), subiu de lá para cá, no entanto, houve bastante oscilações nas cotas. Ela subiu até o dia 19/10 chegando a 72cm, ficando estável por quatro dias, caiu para 70cm, e hoje registra 64cm, novamente com tendência a subir. Esse valor ainda representa uma mínima, pois nunca o rio esteve tão baixo nessa época do ano. O normal para a estação neste período do ano seria o registro no dia de hoje de uma cota de 1,75m (mediana).

Em Ladário (MS), município vizinho a Corumbá (MS), a cota do rio Paraguai nesta última semana registrou uma leve subida, passando de -31cm (dia 22/10) para -23cm, no dia de hoje (29/10), um aumento de 8cm, reflexo do impacto das chuvas que incidiram em regiões específicas da bacia, como em Corumbá, na última semana.

Ao comparar o comportamento atual do nível do rio Paraguai com o registro de outros eventos semelhantes, no caso de seca extrema, somente uma vez, em 120 anos de monitoramento em Ladário, o nível d’ água esteve situado abaixo do atual valor neste período do ano, isso ocorreu em 1967 atingindo a cota de -36cm. Em anos normais, considerando o registro histórico de dados, o rio apresenta níveis próximos de 1,67m (mediana), o que significa alívio para navegação, que exige cotas acima de 1,5 metros, em Ladário.

Porto Murtinho (MS), mais ao Sul, o nível do rio Paraguai também subiu. No dia 22/10, estava com 95cm e em 25/10 chegou a 93cm, a mínima registrada neste ano. Hoje está com 1,04 m, no entanto, a mediana é 3,28, ou seja, ainda precisa subir mais de dois metros para atingir os níveis considerados normais.

Lances de réguas a seco na estação de Porto São Francisco no rio Paraguai Previsão de chuvas - Para as próximas semanas, são previstas precipitações em toda área da bacia do rio Paraguai, com intensidades variáveis espacialmente, provavelmente com maior intensidade na fronteira nordeste da bacia. Acumulados mais significativos são previstos nos rios Cuiabá e São Lourenço, no Mato Grosso.

A vazante do rio Paraguai neste ano é semelhante as registradas durante a seca ocorrida na região entre os anos de 1967 a 1973. De acordo com o Cemaden, a seca deste ano é a mais severa dos 22 anos de monitoramento do Índice Padronizado de Precipitação (SPI) na sub-bacia do alto Paraguai e do bioma Pantanal.

REDE HIDROMETEROLÓGICA NACIONAL - Os dados hidrológicos utilizados nos boletins são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e demais parceiros. Os dados de monitoramento de chuvas foram obtidos por meio de imagens de satélite do produto MERGE/GPM, disponibilizados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os dados de previsão de chuva apresentados são do modelo CFS, gerados pelo NOAA. As previsões apresentadas neste boletim são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.

SAIBA MAIS SOBRE O SAH PARAGUAI - Tanto no período de estiagem quanto na época de cheia, o Sistema de Alerta da Bacia do Rio Paraguai (Pantanal) realiza o monitoramento dos rios Paraguai, Cuiabá, Aquidauana, Miranda e Coxim, nos municípios de Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Anastácio, Aquidauana, Bonito, Coxim e Miranda (MS) e Cáceres, Cuiabá e Santo Antônio do Leverger (MT), com previsão hidrológica para os municípios: Porto Murtinho, Ladário e Corumbá (MS) e Cáceres (MT). O sistema abrange os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, atendendo uma população de 1.024.281 habitantes. A Bacia do Rio Paraguai tem uma área 1.095.000 km² (33,8% no Brasil, 32,4% no Paraguai, 18,7% na Bolívia e 15,1% na Argentina).




Janis Morais
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - SGB/CPRM
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