Segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Pesquisadores brasileiros desenvolvem aplicativo baseado em inteligência artificial para acelerar processamento de dados de química mineral

A plataforma é limpa e intuitiva
O Qmin: Assistente de Química Mineral é uma plataforma em desenvolvimento por pesquisadores brasileiros do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM). Criada para auxiliar no processamento de dados de minerais analisados por microssonda eletrônica (EPMA), os classifica entre 17 grupos com 100 espécies de minerais distintos identificados. A plataforma utiliza inteligência artificial para identificação e separação dos minerais, e calcula a fórmula química para a maioria deles. O produto final é uma tabela com a classificação do mineral e as fórmulas calculadas com base nos dados de entrada. O Qmin conta ainda com um ambiente virtual, onde o usuário pode analisar os dados por meio de gráficos exploratórios implementados. A ferramenta pode ser acessada aqui.

A ferramenta é o segundo aplicativo oficialmente criado e hospedado dentro do SGB-CPRM, empresa pública ligada ao Ministério de Minas e Energia, além de ser inédito no mercado: nenhuma outra plataforma tem todas as funcionalidades do Qmin. Atualmente, pesquisadores precisam calcular as fórmulas químicas de forma dispersa em programas antigos, e tabelas onde o usuário precisa trabalhar manualmente com os dados. O grande benefício do Qmin é a análise de forma rápida e automática.

A análise de química mineral é uma ferramenta útil em diversas fases da prospecção mineral, podendo identificar informações importantes, como a concentração do elemento de interesse na fase mineral analisada, a temperatura e pressão de formação do mineral ou a predisposição de uma área para formação de algum minério. Diversos nichos onde essa técnica se faz necessária poderão se beneficiar da ferramenta, que mescla a versatilidade e a capacidade de distinção de padrões comuns nos algoritmos de aprendizagem de máquina. A plataforma promete otimizar o tempo dos pesquisadores, reduzindo o trabalho de semanas a minutos, e servir para o controle de qualidade de classificações por meio da petrografia. Além disso, o Qmin pode reduzir os custos do processo de análise química dos minerais.

O produto foi desenvolvido pelos pesquisadores Guilherme Ferreira da Silva, Marcos Vinícius Ferreira, Iago Costae Carlos Eduardo Mota, que atuam nas áreas de geologia econômica, sensoriamento remoto, geofísica e geoprocessamento da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM), do SGB-CPRM com apoio do geólogo Renato Borges Bernardes, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília. O desenvolvimento do Qmin iniciou em abril de 2020, e o registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial foi obtido em agosto.

Atualmente, a aplicação encerrou o ciclo de testes fechados e está iniciando um período experimental com dados de usuários externos (também chamada de fase “Beta aberta”). As dúvidas e eventuais colaborações podem ser direcionadas em qualquer canal de contato na plataforma e no repositório, ou ainda pelo e-mail qmin.mineral@gmail.com

Janis Morais
Bettina Gehm
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
imprensa@cprm.gov.br

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