Terça-feira, 14 de abril de 2020

Em live, geofísico da CPRM fala sobre a redução de ruído sísmico durante período de distanciamento social

Lorena Amaro, assessora de comunicação da RSBR, conduziu a conversa com o pesquisador da CPRM
A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), promoveu, na quinta-feira (9) da semana passada, uma transmissão ao vivo com Marcos Ferreira, geofísico do Laboratório de Sismologia da CPRM. Por meio do Instagram da RSBR, os espectadores puderam enviar perguntas e interagir com o geofísico. Ao todo, a live teve cerca de 300 visualizações.

Com o tema “Isolamento Social Provoca Redução de Ruído Sísmico na Terra”, o principal assunto abordado foi a diminuição da atividade humana percebida na superfície terrestre devido ao período de isolamento social que o mundo atravessa, por conta da pandemia global do coronavírus (Covid-19).

Durante a conversa, que durou cerca de 30 minutos, foram debatidos, entre outros assuntos, o conceito de ruídos sísmicos, os eventos de maior magnitude registrados no Brasil e o mapeamento aerogeofísico do país.
De acordo com Marcos, ruído sísmico é um sinal registrado pelas estações sismográficas, causado por vibrações muito pequenas, ocasionadas preferencialmente por ações humanas — como tráfego de carros, usinas, transporte e comércio. Embora pequenas, as vibrações geradas pelas movimentações das pessoas são captadas pelos sismógrafos de alta precisão. Segundo o geofísico, a soma de todas as pequenas vibrações causadas por pessoas, automóveis e outros movimentos é chamada de ruído ambiental.

Ainda de acordo com o colaborador da CPRM, a percepção de menores ruídos sísmicos é positiva. “Indica que as pessoas estão respeitando, ou fazendo de maneira incisiva, o isolamento social em casa.” A comparação que levou ao discernimento da diminuição dos movimentos foi possível porque existe uma série histórica dos ruídos sísmicos percebidos.

Quando perguntado se os ruídos ambientais interferem na percepção de eventos maiores, Marcos respondeu que não. “Maiores eventos sísmicos liberam maior energia, portanto os ruídos ambientais não causam problemas de distinção.” No entanto, no contexto brasileiro, em que os eventos sísmicos são de magnitude menor, pode haver algumas confusões. “Quando se trabalha com eventos de magnitude menor, mais rotineiros no Brasil, o sinal de ruídos sísmicos confunde chegadas de ondas e algumas das fases que precisam ser avaliadas”, observa o geofísico. “Os ruídos então mascaram um pouco o sinal, dificultando a separação do evento que se está monitorando do ruído local”, continua.

De acordo com Marcos, o objetivo da Rede é identificar eventos que ocorrem no território brasileiro. “A Rede Sismográfica Brasileira é permanente. Muitas falhas são mapeadas, com dados geofísicos. Quase todo o país está coberto por dados aerogeofisicos, então há um conjunto de dados robusto na área”, explicou o pesquisador. “Os dados coletados pelas estações sismográficas e os boletins construídos estão disponíveis no site da RSBR e dos parceiros. Todos os dados são abertos”, informou Marcos. “Se o assunto for relacionado à geologia, as últimas informações coletadas estão disponíveis no Geobank da CPRM. A integração das informações geológicas é feita a partir de dados da Rede, da CPRM e das universidades parceiras”, concluiu.

Centro de Sismologia da USP observa redução do ruído sísmico em Canela (RS)
Outro assunto comentado por Marcos foi a pesquisa desenvolvida pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), parceiro da RSBR. Os pesquisadores analisaram a estação da RSBR de Canela, no Rio Grande do Sul, e perceberam a redução do ruído na localidade. O gráfico abaixo mostra a redução do sinal a partir do início da quarentena. Segundo Ferreira, essa redução confirma que a população aderiu às regras de isolamento.


Acesse o estudo completo do Centro de Sismologia da USP.

• Você pode acessar o site da Rede Sismográfica Brasileira aqui e o Instagram aqui.

• Se você quiser saber mais sobre o Geobank da CPRM, acesse aqui.



Ana Isabel Mansur
Lorena Amaro
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil — CPRM
asscomdf@cprm.gov.br
asscomrj@cprm.gov.br

  • Imprimir