Quinta-feira, 16 de julho de 2020

O uso de resíduos de minério na produção agrícola é tema do e-mineração

A live “Remineralizadores: Contribuição da Mineração para Sustentabilidade da Agricultura” que ocorreu nesta quarta-feira, dia 15/07, no primeiro dia do evento E-mineração contou com a participação da pesquisadora em Geociências do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) Magda Bergmann. Ao lado de outros representantes do setor mineral e de pesquisa, a geóloga fez um breve relato de 10 anos de estudos sobre remineralizadores na CPRM, contextualizando essa nova rota tecnológica que na sua opinião já se mostra capaz de afetar a disponibilização de insumos para a agricultura, impactando também o setor de mineração, “com a perspectiva de aproveitamento desses minerais e rochas que até a pouco tempo eram apenas descartes”, apontou Magda.


Ainda segundo a pesquisadora existem algumas rochas que podem ser usadas para repor nos solos componentes minerais que foram se perdendo por lixiviação e por uso intensivo em agricultura ao longo do tempo. Além disso, já existem setores da mineração buscando o conceito de “resíduo zero”. “Os projetos de mineração já podem considerar essa possibilidade, desde que eles lidem com as rochas próprias, e os remineralizadores de solos passam a ser em certos casos mais uma possibilidade tornar os descartes sub-produtos da mineração ”, aponta.

 Geóloga e pesquisadora Magda Bergmann Bergmann ressaltou a importância do convênio com a Embrapa dos trabalhos de pesquisa em parceria com pesquisadores da Emprapa Clima Temperado Pelotas e Embrapa Cerrado, apresentando os projetos desenvolvidos e em andamento pelo Serviço Geológico do Brasil; Agrominerais da Região de Irecê Jaguarari, no noroeste da Bahia, Agrominerais do Grupo Serra Geral no Rio Grande do Sul e os projetos Avaliação do Potencial Agromineral dos estados do Amazonas, Roraima, Tocantins e Goiás. Além disso, acrescentou sobre o apoio técnico prestado à Prefeitura de Uberlândia na caracterização dos basaltos da região, uma rocha que vem sendo citada mundialmente porque não apenas é uma fonte de cálcio, magnésio e silício, mas também pela capacidade de liberar o fósforo retido em solos quando aplicada como remineralizador. “Esta rocha está tendo esse desempenho comprovado, além de estar em evidência em termos de ações de remineralização de solos, e também dentro de modelos de ações para captação de carbono”, finalizou Magda.

Além da CPRM, o painel contou com a presença de Daniel Antunes, CEO do grupo Actualpar, Reinaldo Sampaio, presidente da Abirochas e Eder Martins, pesquisador da Embrapa Cerrado. Como moderador da transmissão, atuou o Ex Ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, Presidente-Executivo da Associação Brasileira dos Produtos de Milho (Abramilho) e do Fórum do Futuro. Durante toda a transmissão, os profissionais pontuaram diversos fatores que requerem um maior investimento nesse setor, enfatizando que a remineralização é uma das soluções para recuperação dos solos, aumentando a produção de nutrientes que são fundamentais para o cultivo de plantas.

Essa informação esteve presente na fala de Éder Martins, que enfatizou que o tema é muito importante no Brasil, pois a remineralização é especialmente essencial em solos de clima tropical. “Os nossos solos são os mais intemperizados do planeta, com idade de milhões de anos. Dessa forma, nós já perdemos aqueles minerais primários e quando pegamos os minerais primários presentes em rochas, especialmente aqueles com cálcio, magnésio e potássio nós temos a oportunidade de recuperar a formação dos solos agrícolas”, pontuou Éder.

 Éder Martins durante sua fala sobre como é importante integrar o setor da agricultura com o da mineração Outro ponto levantado pelo pesquisador, é que o Brasil é um dos mais importantes locais quando se trata sobre pesquisa por conta desses 20 anos em que profissionais se dedicam a esse trabalho, sendo necessário desenvolver mecanismos para integrar os dois setores: mineração e agricultura. “É um tema bastante complexo porque envolve conhecimentos ligados à geologia e agronomia. O Brasil naturalmente é um país minerador e agricultor e nós precisamos criar uma integração fazendo uma agenda comum dos dois setores, através do conceito de bioeconomia, onde você utiliza recursos regionais e locais para otimizar todo o sistema”, finalizou.

Como uma forma de mostrar um outro lado desse setor, o CEO do grupo Actualpar, Daniel Antunes, apresentou a experiência da empresa desde 2016 quando saiu a normativa do Ministério da Agricultura para a comercialização desse mecanismo (IN MAPA 05/2016), sendo a primeira companhia do Brasil a certificar um Reminerlizador de Solos, na região de Goiânia. Daniel apontou que existem 14 empresas atuando no país, mas que ao todo são apenas 20 produtos, levantando uma preocupação com o tratamento do material, que deve seguir a legislação. “Esse material precisa passar por moagem, eneiramento, decantação e é necessário seguir a legislação do Ministério da Agricultura para que ele esteja apto a atender a agricultura”. Além do tempo para execução do projeto, Antunes defendeu maior envolvimento entre os setores da mineração e agricultura. “Precisamos de união entre os setores, integração, troca de ideias e tecnologias”, finalizou.

 Daniel Antunes, CEO do grupo Actualpar Seguindo a mesma linha dos outros participantes, Reinaldo Sampaio pautou sua apresentação nas oportunidades que a remineralização pode gerar para a sociedade e também em como converter riqueza mineral em riqueza social, onde mais de 4,4 milhões de pequenas propriedades no Brasil são produtores de alimentos, setor conhecido como agricultura familiar. Além disso, acredita que a rochagem pode gerar um novo patamar de sustentabilidade para a mineração, assim como “um aumento da produtividade no campo, principalmente da pequena agricultura”, pontua Reinaldo. Outro ponto abordado é sobre o setor das rochas ornamentais, no qual ele afirma que a empresa onde atua possui uma produção anual na ordem de 10 milhões de toneladas com um estoque remanescente de 500 milhões, que poderia colaborar para o aumento das pesquisas científicas no território brasileiro.

Reinaldo Sampaio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (ABIROCHAS) Por fim, ele apresentou alguns projetos que estão sendo desenvolvidos, como a aplicação de ardósias na agricultura e também da ardósia expandida que poderia ser utilizada para fins industriais, o segundo projeto seria a utilização de rochas ornamentais ricas em minerais de potássios como fonte alternativa de insumo agrícola e como última atividade, a caracterização química e mineralógica de rochas do estado de Santa Catarina. Todas essas ações são feitas com o objetivo de destinação dos materiais para serem aplicados em técnicas de rochagem.

Com uma hora de duração, a transmissão permitiu que os participantes pudessem expor suas ideias sobre temas relevantes tanto para a agricultura quanto para a mineração, analisando quais medidas podem ser tomadas para um melhor aproveitamento dos recursos. Pontuaram que a legislação precisa ser revista para que haja um melhor funcionamento dos remineralizadores, e também para a inclusão de outras categorias de descartes, como certas pastas de tratamento de minério, aumentando a eficiência energética do país e o reaproveitamento dos resíduos, e contribuindo para a melhoria dos solos. Allysson Paulinelli finalizou o encontro afirmando que os órgãos precisam concentrar os esforços e suas capacidades intelectuais para trazer soluções adequadas para essa atividade.


Gabriella Rossi
Janis Morais

Assessoria de Comunicação
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