Sexta-feira, 03 de julho de 2020

Novo artigo do Journal of Geological Survey of Brazil discute dez anos do Ano Internacional do Planeta Terra

O Journal of Geological Survey of Brazil lançou o primeiro artigo do vol. 3, n° 2 (2020). A decade since the International Year of Planet Earth – Earth Sciences for society (Uma década desde o Ano Internacional do Planeta Terra — Ciências da Terra para a sociedade, em tradução livre) é de autoria do ouvidor do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Carlos Oiti Berbert.

Proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) entre 2007 e 2008, o Ano Internacional do Planeta Terra (YIPE, na sigla em inglês) teve por objetivo divulgar a importância das Ciências da Terra para a sociedade por meio do alerta para os principais problemas correlatos que a humanidade enfrentará neste século, divididos em dez grandes temas — águas subterrâneas, megacidades, clima, crosta e núcleo da Terra, desastres naturais, oceanos, recursos naturais (minerais) e energia, solos, geologia médica e vida na Terra. Ao propor perguntas para a comunidade científica, a iniciativa encorajou a busca por soluções com base na ciência — por meio de pesquisas e estudos.

A principal pergunta feita por Oiti no artigo é: divulgados os problemas e recomendações para cada tópico em todo o mundo, o que evoluiu nesses dez anos, do ponto de vista científico e tecnológico? Para respondê-la, o autor então se debruçou sobre cada um dos dez grandes temas.

A partir dos dez anos de sugestões geocientíficas, houve importantes avanços em alguns assuntos, como clima, entendimento da evolução da crosta e núcleo da Terra, e recursos naturais e energia, de acordo com Oiti. Se não há, ainda, soluções completas para eles, pelo menos os debates internacionais avançaram e as discussões para a redução futura desses problemas já estão encaminhadas. No entanto, no restante dos temas, o autor afirma ter havido poucos progressos científicos e tecnológicos, o que demonstra que uma década não foi suficiente para que a humanidade conhecesse plenamente e descobrisse como resolver as questões causados pelos dez grandes tópicos.

No contraponto positivo, Oiti afirma que a comunidade das geociências do Brasil foi sensível para a maioria dos temas propostos, promovendo a divulgação das ciências da terra em workshops, congressos, aulas e palestras, tornando-se um dos grupos mais ativos do mundo. No que diz respeito ao tema energético, por exemplo, o autor acredita que o país é privilegiado, graças aos seus muitos rios — capazes de prover energia — e às possibilidades de uso das energias solar e eólica — devido ao território de dimensões continentais.

A utilização da bioeletricidade também é um cenário possível no Brasil, por conta, principalmente, da massa resultante do uso da cana-de-açúcar. Apesar da grande disponibilidade de recursos alternativos de energia do país, no entanto, Oiti argumenta que os combustíveis fósseis ainda possuem participação central na matriz energética.

Em relação aos sete temas cujos avanços não foram significativamente sentidos — águas subterrâneas, megacidades, desastres naturais, oceanos, solos, geologia médica e vida na Terra —, o autor destaca a dependência entre eles e vontade política e educação social. A conclusão corrobora o argumento de Oiti de que uma década não foi suficiente para que a humanidade reconhecesse seu papel no problema e na busca por soluções, já que poucas perguntas levantadas por cientistas na ocasião da definição do IYPE foram propriamente respondidas.


Leia o artigo de Carlos Oiti Berbert na íntegra


Ana Isabel Mansur
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil — CPRM
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