Quarta-feira, 04 de setembro de 2019

Fósseis de 120 milhões de anos apreendidos na Colômbia são repatriados e entregues ao Museu de Ciências da Terra

 Os fósseis apreendidos na Colômbia passarão a integrar os acervos do MCTer
O sertão já foi mar. Em algumas regiões do nordeste brasileiro é possível encontrar diversos peixes fossilizados porque essas áreas já estiveram debaixo d’água quando os dinossauros ainda dominavam a Terra. Os fósseis contrabandeados do Brasil em 2017 e entregues, no mês passado, ao Museu de Ciências da Terra (MCTer) pelo Serviço Geológico Colombiano são exemplo disso. As sete amostras apreendidas na Colômbia são procedentes da Bacia do Araripe, sul do Ceará e contém duas espécies de peixes (Tharrhias e Vinctifer) e um ramo de árvore (Brachyphyllum obesum), parente dos pinheiros.

 O peixe-fóssil da espécie Vinctifer comptoni faz parte do material repatriado O material recolhido data do período geológico conhecido como Cretáceo e tem cerca de 120 milhões de anos. Conforme esclarece o paleontólogo do MCTer, Rafael Costa da Silva, os fósseis, que possuem relevância para pesquisa científica, apresentam bom estado de conservação e grande potencial expositivo. “Após o tombamento junto à coleção paleontológica do MCTer, eles passarão a integrar o acervo do Museu de Ciências da Terra que é um dos mais ricos da América Latina e possui mais de 10 mil amostras de minerais e meteoritos, 12 mil rochas e 35 mil fósseis catalogados”, afirma.

No dia 10/9, durante o Seminário Internacional da Associação de Serviços de Geologia e Mineração Ibero-Americanos (ASGMI), a ser realizado no escritório do Rio de Janeiro do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), ocorrerá uma homenagem ao Serviço Geológico Colombiano (SGC) pelas ações de repatriação do patrimônio fossilífero brasileiro. O diretor-geral do SGC e presidente da ASGMI Oscar Paredes Zapata irá receber as condecorações.

A Bacia do Araripe é conhecida mundialmente pela qualidade de preservação dos fósseis lá encontrados, que incluem peixes, dinossauros, pterossauros, artrópodes, plantas e sementes. Segundo explicou o paleontólogo do MCTer, a presença de sais na água dessa bacia fazia com que os animais e plantas fossem rapidamente mineralizados antes da decomposição, favorecendo a preservação de tecidos delicados como músculos, pele e cutículas vegetais. “Há poucos exemplos de preservação semelhante no mundo, o que explica a importância desses depósitos para a ciência”, ressaltou Silva. Parte significativa do acervo paleontológico do MCTer é oriundo da Bacia do Araripe.
 O fóssil de um ramo de árvore da espécie Brachyphyllum obesum, parente dos pinheiros, também está entre os itens apreendidos
“Os fósseis foram apreendidos pela polícia metropolitana de San José de Cúcuta, em dezembro de 2017, no Aeroporto Internacional Camilo Daza, na capital do departamento do Norte de Santander. Esta apreensão motivou debates e mudanças na legislação colombiana a respeito dos fósseis e patrimônio geológico, resultando no decreto 1353 de 31 de julho de 2018 do Ministério de Minas e Energia, Governo da Colômbia”, acrescenta o pesquisador.

Atualmente, o Museu de Ciências da Terra está fechado para realização de obras de revitalização, sendo assim, desde dezembro de 2018 vem desenvolvendo o projeto de itinerância “Museu em Movimento” e uma parceria com a Caravana da Ciência. A ideia é levar parte do vasto acervo da instituição às escolas e à comunidade em geral com o objetivo de manter a memória e o patrimônio das Geociências vivo e democrático. Até o dia 25/11, o Espaço de Memória Cocuruto do Bondinho do Pão de Açúcar recebe a exposição do MCTer “Dinossauros Sobreviventes”. Além disso, há uma programação até o final do ano de visitas a escolas da Rede Pública de ensino. Petrópolis, Bonsucesso, Porto Real, Macuco e Resende são algumas das cidades já visitadas pela equipe de técnicos e pesquisadores em Geociências do Museu.


Lorena Amaro
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
lorena.costa@cprm.gov.br
(21) 2295-4641
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