Quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Entrega do projeto de recuperação do Palácio da Geologia na Urca marca aniversário de 115 anos do Museu de Ciências da Terra

Documentação enviada ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e a publicação do Plano Museológico ocorreram durante a semana de aniversário

Prédio que abriga o MCTer fica no bairro da Urca, na cidade do Rio de Janeiro, vizinho ao monumento do Pão de Açúcar O Museu de Ciências da Terra – MCTer, de maneira abreviada, ou Palácio da Geologia, como também é chamado – completou, na última segunda-feira (10), 115 anos atuando na educação, cultura e preservação do patrimônio geocientífico brasileiro. Administrado desde 2012 pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), o museu, que é referência histórica no desenvolvimento da ciência do país, conta com um dos maiores acervos da América Latina: inclui minerais, meteoritos, rochas e fósseis, além de uma biblioteca com cerca de 100 mil volumes de publicações relacionadas às geociências, ovos de dinossauros originais e holótipos (fósseis de referência científica), instrumentos e documentos únicos relacionados à memória geológica, inclusive com fontes sobre as primeiras mulheres geocientistas no país, cujas trajetórias vêm sendo desvendadas por meio de pesquisa histórica.

No dia do aniversário, o MCTer realizou a entrega dos arquivos do projeto de recuperação do prédio para aprovação do órgão de tombamento, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). A entrega dos projetos é uma das ações previstas no Plano Museológico, que se configura no planejamento estratégico setorial, refletindo as ações de revitalização e reorganização (obrigação legal pela Lei 11.904/2009) do museu. A própria publicação do plano marcou essa semana comemorativa.

Esse ato é considerado mais um fato importante na história do museu, que merece ser adequadamente recuperado, já que um bloco inteiro se encontra em ruínas desde um incêndio em 1973. Sem exageros, podemos dizer que as suas colunas neoclássicas sustentam a própria história das ciências geológicas no Brasil, com seus altos e baixos.

O prédio que abriga o MCTer fica no bairro da Urca, na cidade do Rio de Janeiro, vizinho ao monumento do Pão de Açúcar, onde anualmente circulam mais de quinze milhões de pessoas, e foi erguido especialmente para a Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, comemoração promovida pelo Governo Federal entre 11 e 15 de agosto de 1908. Além da justificativa que o nome já explicita, também era intenção das elites republicanas que o evento servisse como uma espécie de exibição da modernidade da então capital brasileira para o resto do mundo – questão perceptível, inclusive, na própria arquitetura do prédio: a construção era de influência quase que totalmente neoclássica, um estilo essencialmente europeu que se opunha ao barroco e valorizava, em especial, o racionalismo, o equilíbrio, a ordem, a moderação e a economia. Dado o contexto político da época, o Neoclassicismo na arquitetura era uma tentativa de se afastar do passado colonial e denotava uma tentativa de “avanço à civilização”.

Fachada do então Palácio dos Estados. Imagem do Boletim comemorativo da Exposição Nacional em 1908. Arquivo: Biblioteca Brasiliana. USP A exposição como um todo também era uma grande tentativa de atingir um status semelhante ao do velho continente. O portal de entrada era inspirado no da última Exposição Universal de Paris e, segundo artigo de Maria Eliza Linhares Borges, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), contava com calçadas repletas de macadame e era iluminada com 15.000 lâmpadas, sendo 8.000 coloridas – a Exposição Nacional funcionava como uma cidade dentro da cidade. Durante a grandiosa exibição que reuniu mais de um milhão de visitantes, o prédio que hoje abriga o MCTer era conhecido como Palácio dos Estados e, com 91 salas e cerca de 7.600m², era o mais importante pavilhão do evento.

A escadaria e a fachada são esculpidas em gnaisse, mesma rocha que forma o Pão de Açúcar, rocha importante na paisagem urbana do Rio de Janeiro O Palácio dos Estados se torna patrimônio da geologia nacional
Em novembro do ano seguinte à exposição, o então Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, órgão que havia sido criado em 1907, por meio do decreto nº 6.323 que já previu a criação do seu museu, vinculado ao Ministério da Agricultura, se instalou no edifício juntamente com outros órgãos ligados ao ministério. Em 1934, por conta de uma grande reforma do Ministério da Agricultura ocorrida no ano anterior, o Serviço Geológico se tornou parte do recém criado Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e, passados 6 anos, o órgão original passa ser conhecido como a Divisão de Geologia e Mineralogia do DNPM. Em 1960, com a criação do Ministério de Minas e Energia (MME), o departamento é absorvido junto com todas suas funções pelo recém criado ministério.

Montagem de um esqueleto de dicinodonte que segue em exposição até hoje Em 1969, foi fundada a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, também conhecida como Serviço Geológico do Brasil. Pouco mais de uma década depois, no início dos anos 80, a exposição de mineralogia foi retomada e, em 24 de novembro de 1992, sob a liderança da geóloga Zenaide de Carvalho, estabelece-se oficialmente e formalmente o Museu de Ciências da Terra, que foi tombado pela prefeitura do Rio de Janeiro em 1994 e manteve suas atividades normalmente até o início do projeto de revitalização.

SGB-CPRM, atividades recentes e revitalização
A Dra. Célia Corsino, coordenadora-geral do museu, afirma que as inovações não pararam em nenhum momento: destaca a assunção da gestão administrativa e operacional pelo SGB-CPRM, que ocorreu em 2012, e as tratativas para a revitalização do prédio são alguns dos mais importantes pontos que demonstram o preparo do museu para os próximos anos.


O projeto de revitalização, assinado no final de 2019 pelo SGB-CPRM em parceria com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Petrobrás, é um plano amplo e ambicioso que envolve desde uma reforma quase que completa no edifício até a formação de pessoal especializado, com base no plano museológico.

Entre os objetivos traçados pela equipe no Plano Museológico para os próximos cinco anos, destaca-se o Programa de Arquitetura que visa determinar as necessidades espaciais e de infraestrutura da instituição. O projeto definiu, para cada espaço, os usos, as qualidades, as distribuições internas e todo o planejamento conceitual do museu e do programa de exposições, levando sempre em consideração aspectos como a legislação urbana e de patrimônio histórico, as condições históricas, artísticas e funcionais do prédio, os aspectos técnicos relativos ao solo e às condições climáticas e, claro, as condições ideais de segurança para a reformulação da arquitetura do edifício.

Sendo o prédio do MCTer um prédio histórico, é preciso levar em consideração, também, algumas observações especiais. O planejamento foi feito sempre pensando em medidas que possam ser reversíveis e que evitem ou minimizem a necessidade de demais alterações. Além disso, todos os órgãos de preservação e planejamento estarão acompanhando todo o processo de revitalização da arquitetura do edifício.

Projeção tridimensional de algumas das áreas que devem ser revitalizadas A construção está fechada para visitações desde que a reforma teve início, mas as atividades do museu continuaram acontecendo através de projetos online e exposições itinerantes. A expectativa é de que, já no aniversário de 120 anos do museu, todos os projetos presenciais no histórico prédio possam estar sendo realizados e o antigo Palácio dos Estados continue cumprindo sua missão de ajudar na disseminação pública e na preservação do vastíssimo acervo do Museu de Ciências da Terra.

Museu em Movimento - programação 2022
Além de continuar levando o acervo de geociências do Museu para escolas e instituições culturais com ênfase na inclusão e será intensificado nas praças do Rio de Janeiro, o programa Museu em Movimento do MCTer divulgou na semana de aniversário a programação das atividades previstas para 2022.

10 de janeiro
- Aniversário de 115 anos do MCTer

18 de maio
- Dia Internacional de Museus: Lançamento do projeto cultural para captação de recursos para recuperação do prédio do Museu de Ciências da Terra

30 de junho
- Exposição Itinerante – A coleção de Meteoritos do MCTER – GeoMuseu Gramado, Rio Grande do Sul, ação conjunta com o Museu de Geologia da Superintendência do Serviço Geológico do Brasil em Porto Alegre.

22 de agosto
- Dia Nacional do Folclore - Exposição Itinerante – A interpretação popular dos bichos pré-históricos – Museu de Folclore Edison Carneiro, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - IPHAN.

Em setembro
Exposição Itinerante – Paleontologia Brasileira – Instituto Federal de Ensino, em Sorriso, Mato Grosso do Sul.

Primavera dos Museus - Feira da Primavera nas Praças do Rio de Janeiro conforme Acordo de Cooperação Técnica assinado com a Fundação de Parques e Jardins da Prefeitura do Rio de Janeiro.


Janis Morais
Rodrigo Fernandez
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
Ministério de Minas e Energia
asscom@cprm.gov.br

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