Quinta-feira, 16 de julho de 2020

Divulgação facilitada das geociências é tema de palestra da CPRM no ‘e-mineração’

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil apresentaram projetos que estão sendo desenvolvidos em escolas de ensino básico e as possibilidades de atuação empresarial nas geociências por meio de material gráfico digital

Gerar e disseminar o conhecimento geocientífico com excelência. Conforme o avanço das tecnologias disponíveis para a pesquisa, a missão do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) se aperfeiçoa e reforça o papel atual da empresa. No que diz respeito ao cenário pós-pandemia da COVID-19, não poderia ser diferente. A CPRM tem projetos de difusão facilitada em instituições públicas de ensino básico e trabalhos desenvolvidos por meio de recursos audiovisuais.

A exposição Geologia Decodificada: Comunicação Audiovisual em Geociências foi feita na tarde desta quinta-feira (16) durante o evento virtual e-mineração, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). A segunda palestra da CPRM no encontro ficou a cargo de Andrea Sander e Dario Peixoto, pesquisadores em geociências da empresa.

Andrea Sander é pesquisadora em geociências da CPRM Sander apresentou o SGB Educa, com atuação nas escolas públicas de ensino básico de todo o país. “O projeto busca atender àquilo que a CPRM tem na sua missão: gerar e disseminar o conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo para a qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil”, introduziu a pesquisadora. Para ela, é muito importante informar as pessoas de que os bens minerais não existem por um acaso nem são renováveis, exigindo a utilização com sabedoria. “E nós usamos esses recursos diariamente”, observou.

A pesquisadora argumentou que o SGB Educa nasceu da necessidade de melhorar a comunicação das geociências com a sociedade. “Percebemos ao longo do tempo que a geologia aparece sempre de maneira muito pesada na mídia, apenas quando se fala de cheias ou de acidentes. Nossa intenção foi esclarecer às pessoas do que se trata e como as geociências são onipresentes na nossa vida, já que todos os bens que usamos no cotidiano tem um pé na mineração. A luz, por exemplo, só chega às residências das pessoas por meio da fiação”, explicou. “Então olhar a mineração e as geociências como malefícios para a sociedade é um mal entendido que precisamos resolver. Desastres não são problemas geológicos ou da mineração, mas sim de gestão e de responsabilidade”, continuou Sander.

Por meio de materiais lúdicos, as peças do SGB Educa levam a geologia para dentro de sala de aula. ”Uma delas é a história infantil O Carbono Aventureiro, que conta a trajetória do elemento carbono ao longo da evolução do planeta Terra. Essas atividades contam com material de apoio - como palavras cruzadas, caça-palavras, figuras para colorir, ligue os pontos - que tanto o professor pode usar em sala como as crianças podem fazer sozinhas”, mostrou a pesquisadora.

O programa também faz uso de gamificação de materiais. “Fizemos um jogo em que o carbono evolui desde sua situação nas praias, passando pela grafita, indo até o manto e retornando para a superfície como um diamante. Os alunos vão progredindo conforme acertam as perguntas colocadas”, explicou Sander, que ressaltou que todos os materiais vão com suporte para os professores e alunos, como painéis explicativos e ilustrados.

De forma auxiliar, o SGB Educa tem conteúdo voltado propriamente às práticas em sala de aula: como fazer crescer minerais, como montar um vulcão com óleo, água e pastilhas antiácidas, coleções didáticas doadas às escolas - compostas por rochas ígneas, sedimentares e metamórficas devidamente identificadas e minerais também identificados, com nome, origem, fórmula e utilidade.

Uma das coleções do projeto é a de réplicas de fósseis de dinossauros. “Eles permeiam o imaginário infantil e são excelente entrada não só para as geociências mas para as ciências de forma geral. Não tem criança que não se interesse por dinossauros!”, opinou Sander. Ela explicou que, como a legislação não permite doação de fósseis, a solução encontrada foi utilizar réplicas de gesso, de baixíssimo custo, de dentes, patas e outras partes do corpo de diversos dinossauros. A coleção de réplicas é acompanhada de quiz sobre os fósseis e guia de dinossauros do Brasil.

Os geocientistas da CPRM fazem oficinas por meio do SGB Educa não só em escolas, mas em locais abertos à comunidade. “Fizemos uma em um shopping center com cinco turmas lotadas, com 20 crianças. Precisamos abrir mais duas turmas. É sempre assim, o formato funciona bastante”, mostrou Sander.

Sander esclareceu que até 2015, por meio de uma parceria com os Correios, bastava o professor pedir os materiais que o envio era feito diretamente para sua cidade. Desde então, quando o professor requisita os materiais, por uma questão financeira, eles são enviados para a unidade da CPRM mais próxima do solicitante, que precisa buscá-los. “Essa é uma das razões de precisarmos tanto de parcerias com instituições empresariais”, expôs Sander.

Por fim, a pesquisadora afirmou que o site do SGB Educa estará disponível em novembro, atendendo a quatro públicos: crianças, jovens, professores e adultos. O portal vai contar com seleção de questões de vestibulares e do ENEM, além dos materiais didáticos e técnicas de sala de aula. “Na parte para os adultos, o acesso é voltado para todos que têm interesse em se aprofundar nos temas das geociências para além da sala de aula”, explicou Sander.

O contato do projeto é sgbeduca@cprm.gov.br

Projetos audiovisuais Após a apresentação do SGB Educa, o pesquisador em geociências Dario Peixoto mostrou alguns dos trabalhos da CPRM em peças audiovisuais, no mesmo escopo de facilitar o entendimento das geociências e ampliar sua agenda frente à sociedade.

Dario Peixoto é pesquisador em geociências na CPRM O pesquisador argumentou que os assuntos tratados nas geociências são de difícil acesso para o público em geral, sendo um desafio comum dos geólogos e dos empresários do ramo da mineração. Os materiais são desenvolvidos com o método de adaptação da informação científica. “Para disseminar os conhecimentos e levá-los ao maior número possível de pessoas, propusemos a solução das mensagens audiovisuais”, explicou Peixoto. Com fundamentos na ciência da informação, na computação e na comunicação visual, a ideia apresenta uma forma de desenvolver produtos, baseados em informações mais complicadas, em conteúdos audiovisuais cujo compartilhamento pode ser mais amplo.

Ele então mostrou um vídeo - a ser divulgado amplamente em breve - com embasamento em um artigo científico de um pesquisador da CPRM publicado na revista científica da CPRM, o Journal of the Geological Survey of Brazil, sobre questões geológicas relacionadas ao urânio e ao fosfato. “É o tipo de trabalho em que há transmissão de inúmeras informações científicas de maneira mais atrativa, que atingem um público muito maior e com chances diferentes de sucesso, até em termos de negócio”, argumentou.

Outro produto da abordagem audiovisual feita na CPRM é um infográfico interativo, ainda em desenvolvimento, construído com base em informações do trabalho de um pesquisador em riscos geológicos. “A plataforma permite aproximação e recuo, então pode ser utilizada tanto por professores e educadores quanto por empresas de mineração. Um determinado projeto pode ser inserido para melhor expressar um futuro negócio, por meio da visualização”, exemplificou Peixoto.

Para o pesquisador, além da inovação de trabalhar com a visualização científica, os projetos audiovisuais da CPRM abrangem uma visão econômica. “É facilitar a comunicação de quem já é um comunicador. O empresário pode facilitar sua inserção em mercados e a compreensão de seus negócios”, explicou.

Peixoto apresentou também a gamificação feita para o SGB Educa, citada por Sander. “Ela está sendo transformada em um conjunto de regras visuais que poderão ser compartilhadas com o país inteiro, para diversas finalidades, por exemplo em treinamentos que partem de ideias científicas com simulações em realidades imersivas”, demonstrou o pesquisador. Ele esclareceu que os projetos podem ser reeditados, sendo possível, em caso de novos conhecimentos, adicionais ideias e deixar os trabalhos completos, em termos científicos.

Os projetos contemplam a visualização científica por meio do audiovisual Entre as vantagens de utilizar o método de adaptação científica em mensagens audiovisuais, Peixoto listou ganho de produtividade interna, ampliação da imagem institucional e disseminação de conhecimento especializado. “O conjunto desses ganhos gera oportunidades de negócio, por acessar nichos de mercado, às vezes até inesperados. O empresário tem a chance de consolidar seu negócio veiculando o conhecimento gerado a partir dele, tanto em nível educacional - como a Andrea colocou - quanto em termos empresariais, de modelos de negócio e de padrões de repetição de movimentos, que podem ser visualizados de forma mais facilitada. Aumenta a interação e a troca com a sociedade”, finalizou.

Comentários e recepção Ao final das apresentações, Sander e Peixoto responderam perguntas dos telespectadores. As palestras foram elogiadas pelo público, por meio do chat da transmissão, como foi o caso do usuário José Luiz Ubaldino de Lima, que afirmou que “a questão da drenagem ácida, até para geólogos, é de difícil entendimento. Parabéns pela iniciativa. Muito bom!”. Ricardo Amaral disse que “ótimo, finalmente são os professores os verdadeiros multiplicadores da ciência, junto aos alunos”. Cinthia Rodrigues: “Super legal esse projeto do Carbono Aventureiro!”


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Ana Isabel Mansur
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil — CPRM
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asscomdf@cprm.gov.br
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