Sexta-feira, 03 de julho de 2020

CPRM apresenta metodologias e projetos inovadores para divulgação científica

Entender o contexto e os termos de um importante estudo ou artigo científico pode não ser uma tarefa fácil devido à complexidade das informações, mas há metodologias que possibilitam tornar o conteúdo compreensível a todos de maneira prática, didática e lúdica. Este foi o assunto discutido por pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB - CPRM) na transmissão promovida ontem (03) pelo Facebook e Youtube, com o alcance de mais de mil visualizações durante apresentação das ferramentas de divulgação científica que estão sendo utilizadas para disseminar o conhecimento geocientífico para a sociedade.

Palestras de pesquisadores da CPRM foram transmitidas em live no YouTube e Facebook da CPRM
A transmissão foi proposta pela Diretoria de Infraestrutura Geocientífica (DIG) da CPRM, cujo titular, Paulo Romano, enfatizou a importância de se discutir o tema. O diretor fez a abertura das palestras ministradas pelos pesquisadores Andrea Sander e Dario Peixoto, que há décadas se dedicam à decodificação de dados, transformando a informação científica em conteúdo completamente adaptado em linguagem acessível para crianças, jovens e adultos por meio de materiais didáticos, capacitações e gamificação.

“Esta é a missão da CPRM: gerar e difundir informação para a sociedade. Para isso, os nossos pesquisadores, a exemplo de Andreia e Dario, têm inovado ao longo dos anos. É um trabalho para facilitar a interpretação de uma linguagem naturalmente complexa, que é a linguagem científica, para uma linguagem coloquial para atingir todos os públicos, incluindo os estudantes e professores. É um trabalho de decodificação de informações para levar o conhecimento a todos de forma mais fácil, que seja melhor compreendido”, disse Paulo Romano.

Paulo Romano, diretor de Infraestrutura Geocientífica, fez a abertura das palestras na live
As palestras foram iniciadas por Dario Peixoto, que é geólogo da CPRM e atua no campo da divulgação científica na linha audiovisual, que utiliza elementos visuais na transmissão da informação. Ele iniciou a fala esclarecendo o conceito, o qual disse se tratar de uma forma de comunicação focada em levar ciência para toda a sociedade. Segundo o pesquisador, a divulgação científica neste sentido representa a responsabilidade social das instituições para contribuir com a evolução da sociedade.

“A informação científica carrega dados valiosíssimos do ponto de vista do uso social. Então, para que possamos ter um maior alcance dessa informação, precisamos utilizar recursos, técnicas, processos e produtos para a veiculação. Além da gente prestar contas para a sociedade em termos de projetos que têm a geração da informação científica, temos também este lado social de contribuir para a evolução da consciência do cidadão em determinados aspectos”, disse o pesquisador.

Produtos que estão em desenvolvimento foram apresentados pelo pesquisador Dario Peixoto
Na CPRM, Dario Peixoto é idealizador e coordenador do Projeto Visualização da Informação Científica, iniciado no Departamento de Gestão Territorial (DEGET) e posteriormente transferido para o Departamento de Relações Institucionais e Divulgação (DERID), e que consiste na transformação de uma informação codificada em uma linguagem que todos possam utilizar. Neste projeto, foram desenvolvidos conteúdos audiovisuais fundamentados em conceitos científicos e avaliado por pesquisadores especialistas, com bibliografia associada. São conteúdos atemporais, que podem ser reeditados e compartilhados em diferentes plataformas.

O pesquisador apresentou três últimos produtos que estão sendo desenvolvidos pela CPRM por meio deste projeto com base neste conceito de divulgação do conhecimento. Peixoto falou sobre o infográfico interativo “Risco Geológico em Áreas Cársticas”; a animação científica “A pesquisa mineral nos dias atuais”, e o projeto baseado em gamificação denominado “Carbono Aventureiro”. De acordo com o pesquisador, todos os nomes são provisórios e podem ser alterados até a publicação.

Durante a palestra, Dario Peixoto fez demonstração sobre o infográfico que está sendo desenvolvido
“O infográfico está sendo construído com base nas informações do pesquisador Ivan Bispo, Mestre em geotecnia e urbanização em ambientes cársticos. Após concluído, este material poderá ser utilizado de forma didática por qualquer pessoa interessada no tema ou que precise explanar sobre o assunto. Já o Carbono Aventureiro é um jogo científico concebido para ser educacional, explicando em fases a transformação do carbono para grafita e depois para diamante. O jogo está sendo desenvolvido pela equipe da CPRM com o designer Victor Malezon e, a partir da conclusão, “poderá ser utilizado em todo o país como uma estratégia de ensino carregada de informações científicas”, detalhou Dario Peixoto.

O desenvolvimento destes produtos é baseado em um método de adaptação da informação científica para formato audiovisuais e que vem sendo desenvolvido nos últimos cinco anos. Esta metodologia inclui fundamentos multidisciplinares da Ciência da Informação, da Ciência da Computação, da Comunicação Visual e Design Gráfico, passando por processos de transformação que começam pela informação científica, pela mediação científica, segue para a visualização da informação e resulta no conteúdo audiovisual. Este método de criação foi encaminhado recentemente ao Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da CPRM e é assinado pelos pesquisadores Dario Peixoto, Andrea Sander e Mylenè Luiza Cunha Berbert-Born. O objetivo é dar publicidade e permitir que outras pessoas/ instituições possam desenvolver seus conteúdos com base no processo descrito, com rigor científico.

Figura 1Método de produção do conteúdo audiovisual foi submetido ao NIT para que se torne público e outras pessoas possam utilizar a forma de produção com base no rigor científico estabelecido pelos pesquisadores da CPRM
Após Dario, a transmissão seguiu com a palestra da pesquisadora Andrea Sander. Ela é geóloga, integra a CPRM há mais de 30 anos e atualmente coordena o programa SGBeduca, que foi tema de sua apresentação. Sander iniciou a fala fazendo um retrospecto sobre a iniciativa.

“O SGB Educa teve início em 1995, quando a Superintendência da CPRM em Porto Alegre, com o geólogo Pércio de Moraes Branco, abriu um museu. O programa teve início como Projeto de Apoio às Escolas, depois passou a ser Geociências nas Escolas e está nesta formatação, há anos por decisão da Diretoria Executiva da CPRM, com o objetivo de agregar todas os projetos neste sentido. O programa busca disponibilizar em nossas unidades esse atendimento às escolas e aos alunos por entendermos que as geociências trazem informações para o nosso cotidiano, que está calcado sobre os bens minerais. Portanto é indispensável que a gente compreenda de onde vem todos esses materiais”, disse Sander.

Coordenadora do SGBeduca, Andrea Sander apresentou o trabalho que é desenvolvido pela iniciativa desde 1995
Do início até hoje, o programa vem evoluindo e contou com a inclusão de cursos de capacitação de professores para oferta por meio de parceria com as escolas municipais. O SGBeduca disponibiliza atendimento gratuito em todas as unidades da CPRM espalhadas pelo Brasil, onde há profissionais habilitados para desenvolver este trabalho consolidado em benefício às instituições de educação. Somente no ano passado, mais de 2500 alunos e professores foram atendidos. Já neste ano, no período de pandemia, já foram beneficiados mais de 600 alunos de escolas parceiras.

Para aproximar as geociências do ensino fundamental e do ensino médio, que são o público do SGBeduca, a pesquisadora citou os projetos que foram desenvolvidos para disseminar o conhecimento de forma acessível. Ela falou sobre o Carbono Aventureiro, citado por Dario anteriormente. O jogo científico é voltado ao público a partir de 10 anos até o ensino médio, sendo acompanhado por material didático de apoio para alunos e professores, com atividades e material gráfico, permitindo a inclusão de escolas que não dispõem de recursos tecnológicos.

Atendimento às escolas e professores por meio do SGBeduca conta com a doação de coleções de minerais e rochas, além de material didático
O SGB Educa disponibiliza coleções de minerais e rochas e kits de réplicas de fósseis em gesso, além de dinâmicas que podem ser utilizadas em sala de aula com experiências para facilitar a explicação e despertar o interesse. Sander falou sobre as histórias lúdicas em construção, como A disputa das Rochas, com materiais em texto, gráficos e experiências para serem explorados com alunos do ensino fundamental e médio; A Geologia das Coisas, que é voltado ao ensino médio e mostra o uso dos minerais no cotidiano; O Tempo Geológico, com painéis autoexplicativos em conteúdo adaptado diferentemente para o ensino fundamental e médio; e o material autoexplicativo sobre a paleontologia e fósseis que conta com a participação do Museu de Ciências da Terra no desenvolvimento.

A palestrante explicou que o SGBeduca está desenvolvendo também um conteúdo específico para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), com uma coletânea de questões comentadas e explicadas. Segundo Andrea Sander, todos os materiais desenvolvidos pelo programa serão disponibilizados on-line no site da CPRM, com lançamento previsto para o mês de novembro. A pesquisadora reforçou, ao encerrar a palestra, que os atendimentos podem ser solicitados por alunos e professores através do e-mail sgbeduca@cprm.gov.br.

Conteúdo do SGBeduca inclui material didático autoexplicativo sobre paleontologia, fósseis e guia de dinossauros do Brasil
A transmissão está disponível para consulta e pode ser assistida por meio do Youtube e pelo Facebook.



Lucas Alcântara
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil — CPRM
lucas.estevao@cprm.gov.br
asscomdf@cprm.gov.br


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