Quarta-feira, 03 de junho de 2020

CPRM aponta que mais de 40 mil pessoas vivem em risco em Jaboatão dos Guararapes

Publicado na última semana, o mapeamento elaborado por pesquisadores da CPRM identificou 193 áreas de risco classificadas com grau alto e muito alto no município pernambucano


Mapeamento da CPRM aponta áreas de alto e muito alto risco em Jaboatão dos Guararapes (PE)
O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) publicou, na última semana, o mapeamento que identifica as áreas de alto e muito alto risco para deslizamentos e inundações no município de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana de Recife, em Pernambuco. Com informações técnicas que compõem uma importante ferramenta para auxiliar os órgãos públicos na adoção de medidas de prevenção, o mapeamento da setorização de risco mostra que Jaboatão concentra 10.181 moradias em risco com 40.724 pessoas, número que corresponde a 5,79% da população.

Coordenador-executivo da Setorização de Risco Geológico da CPRM, o geólogo Julio Cesar Lana explica que, além de Jaboatão dos Guararapes, outros 86 municípios pernambucanos já foram mapeados. Levando em consideração todos estes levantamentos, foram identificadas 1.081 mil áreas de risco com 58.310 mil moradias e 236.307 mil pessoas. Todas as informações estão disponíveis para consulta no portal da CPRM.

Estudo em Jaboatão dos Guararapes foi realizado por pesquisadores da CPRM em Recife “O mapeamento das áreas de risco geológico é feito em campo juntamente com a Defesa Civil municipal. Durante o mapeamento, são percorridas as porções urbanizadas da cidade com foco na identificação de áreas que possam desenvolver ou serem atingidas por eventos adversos de natureza geológica, com potencial de causar perdas ou danos diretos à comunidade. Após o término da etapa de campo, os trabalhos seguem em escritório com a elaboração dos mapas, relatório, arquivos vetoriais em SIG e são posteriormente publicados no site da CPRM. Os municípios recebem, então, um comunicado da publicação para que possam utilizar o trabalho nas diversas atividades de prevenção de desastres e gerenciamento urbano”, explica Julio Lana.

No caso de Jaboatão dos Guararapes, o mapeamento ocorreu entre os meses de maio e dezembro de 2019. O trabalho foi executado pelos geólogos e pesquisadores em geociências Gilmar Pauli Dias e Bruno Elldorf, que atuam na Superintendência Regional da CPRM em Recife. Além das áreas de alto e muito alto risco, o trabalho também levou em consideração algumas áreas com grau de risco considerado médio, que ainda não apresentam potencial para a ocorrência de desastres, mas necessitam de monitoramento para evitar a evolução do problema.

O mapeamento aponta o número de moradias e pessoas em risco que vivem na cidade da região metropolitana de Recife, em Pernambuco “O objetivo deste estudo é apontar à Defesa Civil e aos gestores municipais, estaduais e federais quais são as áreas prioritárias para a implantação de ações de gerenciamento, mitigação, monitoramento e resposta frente aos desastres naturais”, ressaltou Gilmar Pauli Dias. O pesquisador acrescenta que, antes da realização deste estudo, o município de Jaboatão dos Guararapes contava com um mapeamento realizado no ano de 2006 e tinha a premente necessidade de atualização das informações.

Dados nacionais Vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciou o trabalho de setorização há oito anos, em 2012, quando o Governo Federal estabeleceu a missão de realizar em quatro anos o mapeamento de áreas de risco em 821 municípios indicados como prioritários. Após essa meta ter sido atingida, a CPRM continuou os trabalhos e atingiu, até 2020, a marca de 1605 municípios mapeados no Brasil. Estes estudos consideram as áreas com risco a deslizamentos de terra, inundações, enxurradas, processos erosivos e queda de rochas.

De acordo com o recente balanço da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, que é responsável pelo trabalho, os números de 2012 a 2020 mostram que, nos 1605 municípios mapeados, há aproximadamente 3,9 milhões de pessoas vivendo em risco e mais de 960 mil moradias em risco. Este balanço é atualizado periodicamente, conforme a publicação dos mapeamentos, e aponta ainda que até o momento há 14.509 áreas de risco alto ou muito alto entre as cidades estudadas pelo órgão vinculado ao MME.

Todas as informações sobre o trabalho são públicas e, além de serem enviadas aos governos estaduais e municipais, a CPRM disponibiliza o acesso. Além disso, os dados podem ser consultados no mapa on-line disponível, onde o cidadão pode visualizar as áreas com riscos de desastres em todo o Brasil.



Lucas Alcântara
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil — CPRM
lucas.estevao@cprm.gov.br
asscomdf@cprm.gov.b
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