Pantanal Mato-Grossense

18 agosto 2014
Pércio de Moraes Branco

Com 124.457 km², o Pantanal Mato-Grossense não é, como seu nome sugere, um pântano. É, sim, uma savana estépica caracterizado por uma área baixa, com altitude média inferior a 200 m.

É um bioma que se situa na porção noroeste do Mato Grosso do Sul, estendendo-se para o sul do Mato Grosso e, a Oeste, para o Paraguai e a Bolívia (Chaco Paraguaio e Chaco Boliviano). A área total estimada para a Planície do Pantanal é de 230.000 km², mas ela é de difícil delimitação. Trata-se da maior planície inundável do mundo e uma das maiores bacias de sedimentação do planeta.

Lagoas do Pantanal (Foto: ecodebate.com.br) Nela, corre o rio Paraguai, com os afluentes São Lourenço, Cuiabá, Taquari, Negro, Miranda e Aquidabã.

Esses rios transbordam, na época das cheias (outubro a março) e suas águas forma um imenso lago de água doce, com dois a três metros de profundidade, que os primeiros povoadores chamaram de Lagoa dos Xaraiés. Na época seca (abril a setembro), as águas voltam aos leitos permanentes dos rios, deixando expostas lagoas de formas variadas, com até mais de 10 km de extensão, conhecidas na região como baías. Essas lagoas são separadas por terrenos um pouco mais elevados, as cordilheiras, onde há vegetação de maior porte, formando capões alongados.

A declividade do rio Paraguai é tão pequena que quando as águas começam a subir na região mais baixa do Pantanal, já começaram a baixar na região mais alta.

Há baías que contêm cloreto de sódio e que recebem o nome de salinas. Algumas secam completamente na época sem chuvas, formando os barreiros, muito procurados pelo gado, que aprecia sua lama salgada. Os animais gostam tanto de lamber esse barro que chegam a caminhar enormes distâncias a sua procura. Ao encontrar um barreiro, lambem avidamente o chão e os barrancos, abrindo grandes cavidades onde enfiam a cabeça.

A grande extensão plana e a presença de lagoas salgadas levaram alguns estudiosos a admitir que o Pantanal houvesse sido outrora um mar interior. Atualmente os geólogos acreditam que ele é uma região em que a crosta terrestre, através de numerosas falhas (fraturas), foi dividida, no Terciário, em vários blocos, que sofreram afundamento. Mas, nem tudo está bem explicado e a origem das baías, por exemplo, ainda é motivo de controvérsia.

Estudos efetuados pela Petrobras mostram que estão ali acumulados sedimentos que totalizam uma espessura de 500 metros. A deposição desses sedimentos, de natureza fluvio-lacustre e representados por areia fina, silte e argila, continua ocorrendo.

Tuiuiú, ave que é um símbolo do Pantanal. Foto: climais.com.br A vegetação do Pantanal é muito complexa e parece ser o ponto de fusão de todos os tipos de vegetação do continente. Destaca-se nela o capim-mimoso, que, junto com outras gramíneas, forma os campos do mimoso, áreas de excepcional qualidade para a pecuária e onde se criam grandes rebanhos de gado bovino e equino. É tão boa a qualidade desses campos que o gado pantaneiro, além de engordar facilmente, cresce praticamente livre de bernes e carrapatos. Por isso, diz-se, na região, que lá não é o fazendeiro que cria o gado, mas sim o gado que cria o fazendeiro.



Impactos ambientais no Pantanal

Poucas regiões da terra apresentam fauna e flora tão exuberante quanto o Pantanal. Existem 3.500 espécies de plantas, 264 de peixes, 652 de aves. 102 de mamíferos, 177 de répteis e 40 de anfíbios.

Essa preciosidade natural é, por isso, cada vez mais procurada por turistas, em busca de suas belas atrações naturais. Embora ali se desenvolvam alguns projetos de ecoturismo muito bem conduzidos, com grande preocupação no que diz respeito á preservação do ambiente, o bioma tem sofrido o impacto de outras atividades turísticas que crescem de modo desordenado, bem como de novas atividades econômicas. Lixo produzido pelos turistas é jogado nos rios, afetando a flora e a fauna locais. A construção de hotéis e pousadas, rodovias e aeroportos em áreas antes ocupadas por vegetação nativa, agravadas pelo lançamento nos cursos d’água de esgotos não tratados, são ataques ao ambiente natural preocupantes.

A pecuária extensiva e a agricultura, por sua vez, atividades tradicionais no Pantanal, alteram o ambiente natural ao provocar queimadas, erosão e assoreamento dos rios. Pesca predatória e garimpos nos rios agravam ainda mais a situação.



Fontes

ALMEIDA, L. MN. A de & RIGOLIN, T. B. Impactos ambientais no Pantanal. IN: _________ Geografia Geral e do Brasil. São Paulo, Atica, 2005. 528p. il. p. 92.

BRANCO, P. de M. O Pantanal. Porto Alegre, Informe Assempa, Assoc. Empregados da CPRM. Porto Alegre, 8(70):12. Julho 1990.

MENDES, J. C. O Pantanal Mato-Grossense já foi mar ? IN: _____ Conheça o solo brasileiro. São paulo, Polígono, 1968. 202p. il. cap. 6, p. 79-84.

PANTANAL. Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pantanal) acessado em 25.07.2013

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