Cálculos: pedras no corpo humano

Os cálculos são minerais formados principalmente de sais de cálcio, fósforo e amônio, mais raramente de material orgânico (como ácido úrico, aminoácidos e sulfas), que se formam como concreções, principalmente no aparelho urinário do ser humano e de certos animais.

São importantes porque, além de prejudicarem o funcionamento do aparelho urinário, podem migrar pelas vias urinárias e bloquear o fluxo da urina, provocando crises extremamente dolorosas (cólica renal) e complicações.

 Cálculos renais de diversos tipos e tamanhos (Fonte: Pedra no Rim)

Eles podem formar-se tanto nos rins (popularmente chamados de pedras nos rins) quanto na vesícula. Seu mecanismo de formação na maioria das vezes é difícil de ser estabelecido. Há três fatores, pelo menos, muito importantes na sua formação:

a) Concentração de cristais na urina (o mais importante), presente em pessoas ou animais desidratados.

b) Doenças que afetam o metabolismo do cálcio, como o hiperparatireoidismo (funcionamento exagerado das glândulas paratireoides) e tumores ósseos destrutivos.

c) Excesso de vitamina D e, talvez, quantidade exagerada de cálcio na alimentação.

Sempre que houver falta de água no organismo ou então um excesso de sais haverá tendência à formação de cristais, porque a água disponível não é suficiente para dissolver todo o sal presente. Com o tempo, esses cristais vão se aglutinando e surge o cálculo.

Uma maneira prática de saber se está faltando água no corpo é observar a cor da urina. Uma cor forte é sintoma de pouca água, enquanto uma urina bem clara indica nível de hidratação adequado.

Gibson (1974, in Branco & Chaves, 2006), analisando 15 mil amostras de cálculos, mostrou que os minerais mais comuns nessas concreções são oxalatos de cálcio (whewellita e weddellita), fosfatos de cálcio (apatita, brushita e whitlockita) e fosfatos de magnésio (struvita e newberyíta).

Identificou também carbonatos de cálcio (aragonita, calcita e vaterita), sulfato de cálcio hidratado (gipsita), cloreto de sódio (halita), fosfato hidratado de amônio e magnésio (hannayíta), sulfato hidratado de magnésio (hexaidrita) e fosfato ácido de cálcio (monetita), de ocorrência esporádica. Mais de 50% dos cálculos são de oxalato de cálcio.

Desses minerais, merecem especial atenção a whewellita – Ca(C2O4).H2O – e a weddellita – Ca(C2O4).2H2O. Isso porque, embora sejam comuns nos cálculos, onde ocorrem associados, são muito raros em ambientes geológicos.

 Whevellita de cálculo

A whewellita é geralmente botrioidal ou globular, com estrutura radial e cor geralmente marrom e verde-oliva, podendo ser de amarelada até preta, dependendo do teor de matéria orgânica.

Quando se deposita nas papilas dos rins quase sempre tem um núcleo relativamente pequeno, constituído de apatita, brushita ou whitlockita – todos fosfatos de cálcio. É encontrada na natureza, em carvões, nódulos sedimentares e depósitos hidrotermais.

A weddellita ocorre na forma de cristais bipiramidados ou agregados de cristais simples, transparentes, que dão ao conjunto a forma de um disco bicôncavo. Às vezes sua forma lembra um envelope. As cores variam de amarelo a branco ou incolor, dependendo também, como no caso da whewellita, do teor de matéria orgânica.

Os cálculos podem ter apenas alguns milímetros de diâmetro, como podem atingir o tamanho equivalente ao do rim. Aqueles com menos de 5 mm são expelidos com a urina sem causar problemas; os maiores são os que podem causar dor e outras complicações.

Os cálculos de cálcio são os mais comuns e ocorrem mais frequentemente em homens do que em mulheres. Surgem geralmente no intervalo entre 20 e 30 anos de idade e tendem a reaparecer.

 Cristais de wedellita, vistos ao microscópio eletrônico

Doenças do intestino delgado aumentam o risco de formação de cálculos de oxalato de cálcio. Os cálculos de cistina, um aminoácido natural encontrado na urina, podem aparecer em pessoas que têm cistinúria. Essa doença renal é hereditária e afeta tanto homens quanto mulheres. Os cálculos de struvita (fosfato de amônio e magnésio) são encontrados principalmente em mulheres, e os de ácido úrico são mais comuns nos homens.

Os cálculos coraliformes, assim chamados por terem a aparência de um coral, são particularmente graves. São os maiores de todos os cálculos e ocorrem geralmente em pacientes com infecção urinária causada pela bactéria proteus. Essa bactéria aumenta o pH da urina e favorece a precipitação de sais, principalmente struvita.

São tão grandes que se mostram facilmente visíveis em uma radiografia simples de abdômen. A forma e as grandes dimensões o impedem de sair com a urina, exigindo procedimento médico para sua retirada. Se isso não for feito, podem surgir infecções urinárias e cicatrizes nos rins, levando a uma insuficiência renal terminal.

Autor

Pércio de Moraes Branco

Fontes

Blog dos sofredores de pedra nos rins e de cólicas renais. Acessado em 28 de Maio de 2013.

BRANCO, P. de M. Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo, Oficina de Textos, 2008. 608 p. il.

BRANCO, P. M. & CHAVES, M. L. S. C. Mineralogia e alguns de seus minerais raros ou de gênese exótica.

Terra e Didática. 2006, 2(1):75-85.

MD Saúde. Acessado em 28 de Maio de 2013.

MEDICINA e Saúde. Enciclopédia ilustrada. São Paulo, Abril Cultural, s.d. 6b. Il. V. 2, p. 382.

PEDRA no Rim. Acessado em 28 de Maio de 2013.