Sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Tecnologia de altimetria espacial aplicada a recursos hídricos é apresentada pela CPRM em simpósio da ABRH

Luana Martins apresenta a nova tecnologia usada pela CPRM no Simpósio de Recursos Hídricos
O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) esteve presente, com equipe de 30 pesquisadores, no XXIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos (RSBH), entre 24 e 28 de novembro. Durante o evento, que reuniu mais de 1.500 pessoas em Foz do Iguaçu (PR), foram apresentados pesquisas e projetos, como os de Luana Alves Martins, pesquisadora em geociências da CPRM. Ela produziu e expôs dois trabalhos — Altimetria radar aplicada a recursos hídricos e a sessão pôster Parâmetros da qualidade da água após o rompimento de Brumadinho.

No primeiro projeto, a autora aborda o uso de dados de radar altimétrico do satélite Cryosat para obtenção do perfil longitudinal do rio São Francisco. “A utilização de diferentes tipos de produtos de sensoriamento remoto em hidrologia já é uma realidade”, alegou Luana. O satélite Cryosat foi lançado em 2010 e continua em operação, possuindo um ciclo de 369 dias e subciclos de cerca de 30 dias, o que o difere notoriamente das demais missões altimétricas.

A altimetria espacial é um dos exemplos de utilização de sensoriamento em hidrologia. Os radares altimétricos são equipamentos a bordo de missões espaciais que permitem a obtenção do nível de um ponto na superfície, especialmente nos oceanos ou no gelo. O uso de dados de altimetria nos recursos hídricos continentais, no entanto, envolve desafios, como a frequência de passagem do satélite, o tratamento e o processamento dos dados, especialmente para rios de porte menor.

Os resultados obtidos a partir do satélite foram comparados aos dados da missão SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission) e de algumas estações fluviométricas da Agência Nacional de Águas (ANA) instaladas na calha do rio São Francisco, considerando o período de cheia e de seca. Os números demonstram o potencial de uso dos dados do Cryosat para obtenção de variáveis hidrológicas ao longo do curso d’água, graças à elevada resolução espacial do satélite.

Artigo Nº SBRH0661 nos anais do simpósio center O segundo trabalho apresentado por Luana durante o simpósio — Parâmetros da qualidade da água após o rompimento de Brumadinho — descreveu e apresentou os resultados do monitoramento especial do rio Paraopeba, no período de 26/01 a 31/03/2019, realizado pela CPRM, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), no que diz respeito a cinco parâmetros de qualidade da água medidos in loco (condutividade elétrica, temperatura, oxigênio dissolvido, PH e turbidez) e acompanhamento de níveis, vazão e chuva.

Na análise, observou-se que os níveis medidos após a ruptura da barragem não divergiram dos valores verificados antes do acidente, exceto para o parâmetro turbidez. Nos pontos monitorados, a turbidez máxima medida antes da ruptura foi de 750 NTU, enquanto o valor máximo medido após o acidente ficou em torno de 21000 NTU.

Em 25/01 deste ano, por volta de 12h30, a barragem de rejeitos B1 do Complexo da Mina do Feijão da Vale se rompeu e provocou escoamento de uma onda de lama sobre o rio Paraopeba. Esse rio constitui manancial de abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte e outros municípios, além de ser usado para irrigação, indústrias e geração de energia elétrica.
Amostras com variação de turbidez e heterogeneidade visual Amostrador e molinete impregnados de lama center center

Assista à apresentação da pesquisadora Luana Martins no Simpósio




Letícia Peixoto
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscomdf@cprm.gov.br
(61) 2108-8400


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