Quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Serviço Geológico do Brasil reunirá especialistas para falar sobre gás radônio e os riscos à saúde

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) realizará na quinta-feira (17), às 10 horas, uma palestra com a participação de especialistas em geociências, medicina e saúde pública para falar sobre a necessidade do controle do gás radônio e os seus riscos à saúde pública, sobretudo pelas modificações celulares e a indução de câncer de pulmão, sendo considerado o maior causador da doença após o tababismo e o principal entre os não fumantes. O evento será realizado on-line, com transmissão ao vivo pelo canal TVCPRM no YouTube, e terá como palestrante o professor Quentin Crowley, que é diretor do Centro para o Meio Ambiente da universidade Trinity College Dublin.

Crowley foi convidado pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Serviço Geológico do Brasil (CEDES), que está idealizando o evento, e falará sobre a construção do Mapa de Radônio da Irlanda, abordando a conceituação, a percepção cidadãos irlandeses e também as contribuições para a elaboração do plano de ação nacional em áreas de alto risco. A palestra faz parte da programação de disseminação de informações do Programa de Risco de Radônio no Brasil, que é coordenado pelo SGB-CPRM. O objetivo é compartilhar detalhes da concepção do mapa irlandês, além de permitir aos gestores de saúde pública e membro do programa o estabelecimento de atividades de cooperação para melhor compor o Mapa de Risco do Brasil de acordo com a realidade do país.

Professor na conceituada universidade irlandesa, o palestrante é um pesquisador multidisciplinar e especialista em avaliação de radônio residência e do risco para incidência de câncer de pulmão. A apresentação acontecerá com tradução simultânea e haverá emissão de certificado. O evento será aberto pelo diretor-presidente do SGB-CPRM, Esteves Colnago, e terá a participação da epidemiologista do Instituto Nacional de Câncer, Ubirani Otero, que fará uma abordagem sobre a doença.

O evento contará também com as contribuições de moderadores temáticos. Na área das geociências, participam o geólogo do CEDES, doutor Oderson Souza Filho, e o doutor em física Nivaldo Silva, que integra o Laboratório de Poços de Caldas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). No eixo de saúde pública, a moderadora será a doutora em Ciências Yula Merola, coordenadora da Divisão de Assistência Farmacêutica de Poços de Caldas-MG. Já em relação à clínica médica, o convidado para moderação temática é o oncologista do Hospital Sírio Libanês e na Northwestern University Feinberg nos Estados Unidos, Marcelo Cruz.

Confira a programação do evento
Programa de Risco de Radônio no Brasil
O radônio é um gás radioativo que se origina a partir do decaimento do Urânio e do Tório. Estes elementos estão presentes em alguns minerais que compõem o solo, as rochas e a água. Ao exalar do solo, o radônio pode se infiltrar nas habitações, acumulando-se em níveis elevados.

"O gás é responsável por metade da radiação que o ser humano recebe ao longo de sua vida. A Organização Mundial de Saúde o considera como o maior causador de câncer de pulmão, após o tabagismo, e é a maior causa da doença entre os não fumantes. Segundo os estudos combinados das agências internacionais de proteção radiológica e de saúde, dezenas de milhares de pessoas são vitimadas anualmente por câncer de pulmão induzido por radônio", explica o geólogo Oderson Souza.

No Brasil, o Programa de Risco de Radônio é coordenado pelo Serviço Geológico do Brasil, por meio do CEDES, e consiste em uma ação multi-institucional envolvendo pesquisadores da CNEN, universidades UTFPR, UFPR, UNIPAMPA, UFRN, UniDOMBOSCO, UniPOSITIVO, Instituto do Câncer do Brasil, Prefeitura de Poços de Caldas. O programa tem o objetivo de produzir indicadores sobre a exposição natural ao radônio e, dessa forma, prover informações para a criação de planos de ação e mitigação nas habitações e o redirecionamento da saúde pública.

"A metodologia é baseada na ação integrada de medições de radiação no ambiente e nas residências, com estudos epidemiológicos e de células tumorais de pacientes. O estudo multicêntrico envolve profissionais das geociências, saúde pública e medicina e será desenvolvido em fases ao logos dos próximos dez anos", esclarece Souza.

De acordo com o geólogo, o Brasil não dispõe de uma estimativa da patologia induzida pelo radônio, assim como não há a regulamentação sobre a concentração do gás radioativo nas habitações. Souza acrescenta que no país existem dezenas de relatórios sobre a concentração de radônio em habitações e ambientes de trabalho, no entanto de cunho acadêmico. Segundo ele, há somente um único estudo epidemiológico direcionado, porém nenhum trabalho clínico relacionando o radônio e as mutações cancerígenas.

Embora o câncer de pulmão seja uma das doenças mais letais do planeta - oito em cada dez pessoas morrem após cinco anos - é também uma das mais evitáveis quando se elimina a exposição a altas concentrações de radônio e a prática tabagista. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, ocorreram cerca de 30 mil novos casos de câncer de pulmão entre 2018 e 2019, com ônus de bilhões de reais destinados ao tratamento e custos sociais por perda de produção.

"Uma das metas do programa é integrar as temáticas em prol de um indicador de risco que aponte o nível de concentração de radônio no Brasil que aumenta as chances para o desenvolvimento da doença". Os mapas de exposição ao radônio e as informações epidemiológicas possibilitarão e definir o quanto o radônio influencia no desenvolvimento da doença entre os brasileiros e, em contrapartida, auxiliar no planejamento mais assertivo das políticas de prevenção do câncer. Em números, o programa tem potencial para evitar que centenas de brasileiros sejam vitimados pela doença", destaca o pesquisador do CEDES.

Em relação ao programa, Oderson Souza explica que foram realizadas medições preliminares de concentração nos municípios de Carambeí, no leste do Paraná, em Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, contando com o apoio das secretarias municipais de saúde. Os estudos epidemiológicos serão realizados posteriormente e outros municípios já estão sendo avaliados para estes levantamentos.

Os municípios envolvidos serão informados sobre as localidades com maior risco para radônio, incluindo a indicação das áreas para monitoramento e o envio de relatórios técnicos sobre práticas de mitigação. A ação também prevê um trabalho conjunto com o poder público municipal para a distribuição de cartilhas informativas sobre o risco do gás radioativo e prevenção de câncer.
SERVIÇO
O quê: Palestra sobre os riscos do gás radônio

Quando: Quinta-feira, dia 17 de setembro de 2020

Horário: Às 10 horas

Onde: Transmissão ao vivo https://www.youtube.com/TVCPRM


Lucas Alcântara Assessoria de Comunicação - ASSCOM
Serviço Geológico do Brasil - SGB-CPRM
lucas.estevao@cprm.gov.br
asscom@cprm.gov.br
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