Sexta-feira, 09 de outubro de 2020

Serviço Geológico do Brasil monitora vazante extrema na bacia do rio Paraguai

Monitoramento indica para região do Pantanal cotas mínimas históricas no MT e continuidade da vazante nos próximos dias no MS

Infográfico com a cota atual e a mediana, que representa o comportamento normal do rio nesta época do ano, nos principais municípios da bacia do rio Paraguai
O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) divulgou nesta quinta-feira, dia 08/10, novo boletim de monitoramento e previsão do Sistema de Alerta Hidrológico da bacia do rio Paraguai para o período de vazante em 2020. Em todos os municípios monitorados, os rios apresentam cotas abaixo dos níveis normais e dentro da zona de atenção para mínimas na região do Pantanal. Saiba mais acessando o boletim aqui:https://bit.ly/2GFWHgS

Em Mato Grosso, em municípios como Cáceres, Sto. Antônio do Leverger e Cuiabá, os rios estão na mínima histórica do registro de dados e a previsão para a próxima semana é que rios se mantenham estáveis, com pouca oscilação. Ou seja, ainda não foi registrada tendência tão esperada para os rios voltarem a patamares normais. Na capital do Estado, o rio Cuiabá registrou ontem o nível de 35cm, em anos normais a cota registra 77cm na mesma estação de monitoramento.

Esse prolongamento da seca deve-se a ocorrência de chuvas bem abaixo da média. Se somarmos o que choveu em outubro (aproximadamente 3 mm na área da bacia de Ladário, de acordo com dados do modelo MERGE/INPE) e o que está previsto nos próximos 15 dias (aproximadamente 20 mm na mesma área, segundo o modelo GEFS/NOAA), isso resultaria em um acumulado de chuva no mês de outubro cerca de quatro vezes menor que a média, que é de 81 mm.

Em relação ao primeiro prognóstico emitido pelo SGB/CPRM em junho, os dados registrados confirmam as previsões emitidas com três meses de antecedência. Em Cuiabá, o SGB previu que o rio chegaria neste ano na sua cota mínima em 03/09 ao atingir o nível de 16cm. A diferença foi muito pequena, a mínima de fato registrada em 2020 foi 15cm e ocorreu duas semanas mais tarde, no dia 19/09.

A previsão para Cáceres também não aponta subida dos rios, que deve ficar em torno de 51cm até a próxima semana. Atualmente, o rio registra a cota de 52cm. É o menor nível entre os registros históricos, superando 2013, quando o rio atingiu 65cm. O mesmo ocorre em Cuiabá, a mínima histórica havia sido registrada em 1991, com a cota de 30cm.

No MS, a situação é mais preocupante pois o prognóstico é que a vazante se acentue nos próximos 28 dias. Tal prognóstico, leva em consideração o fato de que o rio Paraguai nesse trecho, apresenta uma resposta lenta em comparação ao que ocorre no Estado do Mato Grosso. No MS, mesmo que o início da estação chuvosa ocorra ainda na segunda quinzena de outubro, o rio levará um tempo maior para recuperar os níveis na região.

Em Corumbá, e no município vizinho Ladário, a previsão é que o rio Paraguai continue seu processo de regressão possa chegar até a cota mínima de -68cm daqui a cerca de quatro semanas, caso o rio mantenha o ritmo atual de vazante. O nível atual da lâmina d’água na estação de monitoramento de Ladário é -16cm, considerando a mediana, que representa o comportamento normal esperado para o rio nesta época do ano (2,27m), está dois metros mais baixo. Em Porto Murtinho, a cota mínima prevista é de 1,13m. Hoje o rio está com 1,19m, onde normalmente registra 4,10m.

Além dos níveis abaixo do normal, na última semana, não foram observadas chuvas significativas na bacia e para as próximas duas semanas o modelo meteorológico consultado continua com cenário de pouca chuva. “No bioma Pantanal, foram estimados acumulados de chuvas de 2,6 mm em 7 dias. As previsões de níveis indicam continuidade da vazante dos rios, que em Ladário tem ocorrido a uma média de 13 cm por semana”, explicou o pesquisador Marcus Suassuna.

Os dados do monitoramento da evolução da vazante ao serem comparados com os registros históricos permitem classificar o evento deste ano à seca registrada entre 1968 a 1973, devido às características semelhantes. A combinação de uma sequência de anos com chuvas abaixo da média com uma seca extrema no atual ano de 2020 explicam os níveis bastante reduzidos dos rios na bacia do rio Paraguai.

Os boletins semanais apresentam as cotas atuais dos rios, a previsão para os próximos dias, a data provável em que ocorrerá o pico da seca para municípios de MT e MS e o prognóstico de chuvas para os 15 dias seguintes.

IMPACTOS DA ESTIAGEM - A bacia do rio Paraguai abrange uma das maiores extensões de áreas alagadas do planeta. O monitoramento do comportamento dos rios e a previsão de cotas executados pelo Serviço Geológico do Brasil contribuem para gerenciar os impactos de um evento extremo, como está sendo registrado em 2020. Um dos problemas está relacionado à navegação, principalmente o transporte grãos e minérios na hidrovia do rio Paraguai. Outro risco da vazante está na captação de água, possibilidade que colocou em alerta o município de Corumbá. Esse cenário de escassez hídrica tem impacto também no setor agropecuário, flora e fauna do bioma Pantanal.

REDE HIDROMETEROLÓGICA NACIONAL - Os dados hidrológicos utilizados são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e demais parceiros. As previsões realizadas pelos engenheiros da CPRM são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos. Os dados de previsão de chuvas são provenientes do Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (CPC/NOAA) e são usadas ainda informações de previsões meteorológicas produzidas pelo CPTEC/INPE.


Janis Morais
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscom@cprm.gov.br
janis.morais@cprm.gov.br
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