Quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Serviço Geológico do Brasil inspira formação de estudantes em diversas áreas

Geologia, biologia, história, administração, engenharia, tecnologia da informação, comunicação social. Estas são algumas das áreas onde mais de 100 estudantes universitários estão tendo a oportunidade de colocar em prática os ensinamentos acadêmicos e aprender novas metodologias de estudo por meio do Programa de Estágio do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM). Recém-formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a geóloga Julia Quintarelli passou os dois últimos anos do curso estagiando no SGB-CPRM e a experiência inspirou o seu trabalho de conclusão, que teve como tema uma pesquisa realizada pelo Departamento de Gestão Territorial (DEGET) na região de Brumadinho, em Minas Gerais.

Ao lado de pesquisadores do SGB-CPRM, Julia participou da coleta das amostras de água superficial em Brumadinho (MG)
"Fazer parte do Serviço Geológico era um sonho antigo. Desde o início da graduação, eu passava em frente ao escritório do Rio de Janeiro e falava que um dia trabalharia lá. E de certa forma esse dia chegou quando eu tive a oportunidade do estágio. Foi uma experiência incrível e aprendi muito em todo esse período. Os pesquisadores estavam sempre dispostos a ensinar tudo que eles podiam e foi muito interessante porque eu tive contato não somente com os pesquisadores do Rio de Janeiro, mas de todo o brasil. Pude participar de vários projetos e o mais especial para mim foi de Brumadinho, no monitoramento do rio Paraopebas depois do rompimento da barragem, em janeiro de 2019. Desse projeto saiu o meu TCC", diz Julia.

Equipe do SGB-CPRM durante os trabalhos da segunda campanha. A partir da direita, Marco Antônio (Gehite/BH), Eduardo Víglio (Deget/RJ), Luiz Marmos (Gehite/Ma) e Júlia Quintarell, acompanhados de dois dos valorosos bombeiros que estavam trabalhando no local
A geóloga foi a 29ª estagiária do setor de Geoquímica Ambiental do DEGET, que desde 2003 recebe estudantes de nível técnico e de nível superior para estágio em projetos de levantamentos geoquímicos de baixa densidade voltados para a geoquímica ambiental e geologia médica.

Confira o depoimento da geóloga: https://youtu.be/8xkTlwoViqQ.

No caso de Julia, a então estudante passou a estagiar em uma equipe composta por geólogos, geógrafos, engenheiros ambientais, ecólogos, técnicos em mineração, técnicos em geologia, técnicos em química e técnicos em ecologia, que auxiliaram na montagem dos Atlas Geoquímicos e nos estudos especiais realizados em Santo Amaro da Purificação e Boquira (Bahia), rio Doce e rio Paraopeba (Minas Gerais).

Durante o estágio, em seu período de férias acadêmicas, Julia acompanhou a equipe do SGB-CPRM em campanhas de monitoramento do rio Paraopeba
"A troca de conhecimentos existente entre os alunos e os profissionais do SGB é bastante produtiva para ambos, principalmente onde a multidisciplinaridade é uma necessidade. Todos os que tiveram oportunidade, foram ao campo em seus períodos de férias, aprendendo as particularidades que envolvem a coleta de amostras de água, sedimento e solo, em pontos que eles próprios ajudaram a planejar. Julia foi ao campo duas vezes nas campanhas de monitoramento do rio Paraopeba, realizadas ao longo de 2019 após o rompimento da barragem B1 da mina Córrego do Feijão, comprometendo o leito do ribeirão Ferro-Carvão e parte do rio Paraopeba", explica o geólogo Eduardo Viglio, que foi o coordenador de estágio de Julia Quintarelli no SGB-CPRM.

O trabalho de conclusão de curso da geóloga foi apresentado neste ano e teve como tema a "Avaliação da influência do rejeito liberado no desastre da mina Córrego do Feijão sobre os corpos hídricos na região de Brumadinho - MG". Em sua dissertação, Julia concluiu que as influências registradas nas águas superficiais, águas subterrâneas - que ela coletou e analisou - e sedimentos de fundo foram muito pequenas em relação rompimento, dando ênfase à existência de dados anteriores ao desastre que permitiu essa comparação.

Julia ao lado dos pesquisadores durante amostragem efetuada com barco na represa Retiro Baixo, a 300 km do desastre em Brumadinho (MG)
"O trabalho foi considerado de nível muito superior à média dos trabalhos de conclusão de curso usuais, foi muito elogiado pelos membros da banca, sendo avaliado com a nota máxima e deve se tornar um artigo em futuro próximo", acrescenta Viglio, que também orientou o trabalho.
Todas os registros fotográficos de atividades de campo são de 2019, quando foram realizadas as atividades. A dissertação da geóloga Julia Quintarelli está disponível para consulta pelo link: https://bit.ly/TCCquintarelli.

Programa de estágio
Com presença em 13 estados no país, o Serviço Geológico do Brasil é uma empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), sendo uma instituição científica, tecnológica e de inovação pública (ICT) que há 51 anos tem como foco a produção e a disseminação do conhecimento geocientífico. Para contribuir com o ensino, o SGB conta com um Programa de Estágio que, atualmente, beneficia 115 estudantes de instituições de níveis superior e técnico em diversas áreas de graduação, lotados nas unidades da empresa.

Gestora do Programa de Estágio e chefe da Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos, Silvia Mendes destaca que hoje há empregados do SGB-CPRM que iniciaram a carreira na empresa como estagiários e posteriormente retornaram à empresa, passando a integrar o quadro efetivo após aprovação em concurso público. "Um dos nossos principais objetivos é fazer com que o estagiário veja no SGB-CPRM uma oportunidade para conhecer o setor público, o negócio e importância do serviço geológico do país, tendo uma visão de futuro para incentivá-lo a prestar um concurso e se tornar um empregado público", destaca.

O geólogo Eduardo Viglio, por exemplo, foi estagiário do antigo Departamento de Pesquisadas Próprias do Serviço Geológico do Brasil entre os anos de 1980 e 1981. Além dele, outros pesquisadores, hoje empregados, iniciaram a carreira na empresa como estagiários e retornaram ao quadro após concurso público.

Mendes explica que o Programa de Estágio vem sendo reformulado desde 2015, incluindo a mudança da base administrativa, a instrução e o formato de captação de candidatos. "Temos acompanhado os movimentos de mercado e mudamos o formato de divulgação de vagas, com uma atuação mais efetiva nas redes sociais, o que também trouxe um efeito positivo para a seleção. Esse ano, com a pandemia, tivemos uma retração na entrada de estagiários, mas estamos retomando gradativamente as contratações para abrir novas oportunidades", acrescenta a gestora.

Lucas Alcântara
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
lucas.estevao@cprm.gov.br
asscom@cprm.gov.br


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