Terça-feira, 07 de julho de 2020

Serviço Geológico do Brasil há 25 anos leva conhecimento sobre as geociências para crianças e jovens do Brasil

A pandemia do novo coronavírus interferiu na dinâmica de trabalho do primeiro ano do SGBeduca, mas possibilitou o desenvolvimento de uma nova forma de atuação
Andrea Sander durante palestra por videoconferência
com alunos do 4º ano da escola João XXIII
O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) há 25 anos começou a desenvolver ações que visam aproximar a empresa da sociedade brasileira, mostrando a importância do trabalho executado por seus pesquisadores para toda a população, buscando aumentar sua participação no dia a dia das pessoas. Em 1995 a Superintendência Regional de Porto Alegre (POA), pioneira nessa área, iniciou atividades para aumentar o fluxo entre os públicos interno e externo, intensificando a inserção do SGB no cotidiano do país.

Com pequenas práticas e com o objetivo de atender uma parcela da população que tinha o desejo de conhecer mais sobre as geociências, o geólogo Pércio de Moraes Branco criou um museu de geologia em POA que com 10 expositores mostrando rochas, minerais e fósseis. Esse modelo de abordagem tinha como principal função atender as demandas de escolas que visitavam o acervo. Todavia, o interesse por parte das instituições de ensino surpreendeu, fazendo com se buscassem outras formas para atender esse público. A partir disso, palestras passaram a ser feitas sobre diferentes temas, como fósseis e carvão do Rio Grande do Sul, vulcanismo e bens minerais. Não apenas esses, mas também foram propostos outros assuntos, como a origem do universo, formação das rochas, sobre os minerais e a presença deles no nosso cotidiano.


Museu de Geologia de Porto Alegre
Entretanto, ao longo do trabalho se percebeu que nem todas as escolas da região de Porto Alegre tinham condições de ir até a sede da CPRM para assistir a palestras e verem a exposição dos minerais e rochas, dessa maneira, foi desenvolvida uma ação itinerante. Os profissionais iam até os locais com uma mala contendo 50 amostras de minerais, realizando o mesmo trabalho na escola solicitante. Isso possibilitou que escolas com menor poder aquisitivo fornecessem à seus alunos conhecimento sobre as geociências. Além de Porto Alegre, outras regionais também passaram a proporcionar ações como esta para a sociedade, como Goiânia, que já possui um museu estruturado, Manaus, Recife e São Paulo. A boa repercussão e aceitação destas atividades, despertou nos gestores a importância desse trânsito de públicos e na participação mais efetiva do SGB na sociedade. Dessa maneira, acreditando no potencial das atividades e nos benefícios que trariam tanto para as pessoas atingidas pelas palestras e exposições quanto para a própria empresa.

Percebendo a necessidade de trazer para a CPRM um projeto que mostrasse a importância das geociências aos alunos das mais diversas idades, Dr. Fernando Carvalho, diretor de Infraestrutura e Finanças (DIG), Valter Barradas, assessor da DIG, a pesquisadora em Geociências do Departamento de Relações Institucionais (DERID), Patrícia Jaques e José Leonardo Andriotti, diretor de Geologia e Recursos Minerais (DGM), incentivaram mais ações, permitindo que algo mais concreto fosse desenvolvido. Dessa forma, algumas áreas da empresa se uniram em prol da construção de uma atividade que beneficiasse toda a sociedade e ainda mostrasse o trabalho produzido pelo Serviço Geológico do Brasil.

A formatação de um projeto institucional surgiu a partir de uma demanda Departamento de Relações Institucionais (DERID), coordenada por Patrícia Jacques, que em dezembro de 2019 foi aprovado e denominado de SGBeduca, criando assim um programa oficial de atendimento às escolas. Todavia, não apenas alunos de instituições de ensino que são atendidos pela iniciativa, mas o público de uma forma geral que possui interesse sobre os assuntos abordados é atendido, pois são realizadas exposições em algumas unidades, como Porto Alegre, Goiânia e Manaus, em áreas de grande circulação de pessoas.

A equipe do SGBeduca é composta por 14 colaboradores, entre eles Cristiane Sousa (Belém), Luciana de Albuquerque (Belo Horizonte), Stella Bijos (Brasília), Iris Pereira (Fortaleza), Sheila Knust (Goiânia), Jean Charles Racene (Manaus), Angela Bellettini (Núcleo de Criciúma), Marcell Leonard Besser (Núcleo de Curitiba), Andrea Sander (Coordenação Porto Alegre), Maiza Martarole (Porto Velho), Silvana Barros (Recife), Andrea Machado (Salvador),Angela Pacheco (São Paulo), Jader Vaz Silvia (Teresina) e Maria da Guia Lima (Núcleo de Apoio de Natal).


Alunos durante atividade com fósseis na Escola Comunitária de Educação Básica Aldeia Lumiar
Mesmo possuindo o foco em atender crianças do ensino fundamental, o projeto atende turmas do ensino médio e também de curso superior, todavia, de forma menos frequente e com uma abordagem diferente. Além disso, também existe um trabalho realizado com turmas especiais, como escolas para alunos com algum tipo de deficiência visual, no qual poder sentir os objetos é fundamental para o aprendizado. Segundo a geóloga Andrea Sander, o grande diferencial é poder levar rochas, minerais e fósseis até as escolas e observar os benefícios que isso traz para a vida de todos.

Além de escolas privadas, o SGBeduca busca levar conhecimento às instituições de ensino público carentes de recursos, onde essa ação beneficia não só os alunos, mas também os profissionais do SGB. A troca afetiva e de informação ao utilizarem materiais como a sandbox ou fotografias em 3D faz com que os alunos materializarem conceitos que são muito distantes para eles. “Os benefícios vão desde conhecer melhor o mundo que nos cerca, já que os minerais estão em absolutamente tudo da nossa vida cotidiana, desde o celular, os alimentos, nas nossas casas, as trocas afetivas e a materialização de alguns conhecimentos que são muito abstratos, mas que conseguimos trazer para a realidade”, afirma Andrea.


Andrea Sander durante palestra online para os alunos da escola João XXIII
Nesse período de pandemia do novo coronavírus as atividades programadas do SGBeduca tiveram que ser canceladas devido ao isolamento social imposto no país, todavia, a escola João XXIII, parceira da CPRM há mais de 10 anos, tomou a iniciativa de convidar a geóloga Andrea Sander para realizar uma palestra virtual para os alunos do 4º ano. Seguindo a mesma linha das apresentações presenciais, a geóloga falou sobre os minerais que as crianças podem encontrar no dia a dia, buscando levar exemplos de fácil compreensão, além daqueles que muitos não conhecem, como os corantes das roupas, a grafita do lápis e a fluorita da pasta de dente. Com turmas com média de 25 alunos, os temas abordados são pré-definidos e voltados para as geociências. “Falamos sobre a origem do universo e dos elementos químicos, formação do sistema solar, do planeta terra, das rochas e minerais, mas o assunto que todos mais gostam são dinossauros e vulcões”, aponta.

Desenhos dos alunos após a apresentação sobre a origem do universo
De acordo com as professoras do 4ºano da escola, elas precisaram mudar a forma de atuar com o novo momento em que o país está vivendo e com isso surgiu a ideia de restabelecer a parceria com a CPRM. “Com a chegada da pandemia, precisamos nos reinventar e, com isso, mais uma vez contamos com sua a parceria do SGB. Isso aconteceu por meio de um encontro virtual, uma aula mágica, na qual os estudantes puderam viajar para milhões de anos atrás, discutindo teorias, a partir de evidências de como era o nosso planeta e quais eram os seres vivos que por ele passaram”, afirmam.

Em seu primeiro ano de atuação de forma oficial, o SGBeduca atendeu diversas escolas levando conhecimento sobre o surgimento do planeta Terra das rochas e minerais que fazem parte da vida cotidiana, tornando assim o aprendizado mais interessante e fácil para os alunos. Mesmo com as adversidades da pandemia, os profissionais que atuam nesse projeto conseguiram levar, de forma remota, a experiência da palestra a tantas crianças que estão em suas casas.

“A aprovação do Projeto SGBeduca é motivo de muito orgulho e emoção para mim, pois acredito que ao estarmos presentes e próximos aos professores e alunos, em particular aqueles da rede pública, muitas vezes carentes de informação, formação e material, cumprimos nosso papel público. Além disto construímos uma agenda positiva com relação às geociências, área que em geral se apresenta à sociedade na forma de desastres, se associando assim a uma imagem negativa de destruição ambiental, porém estes bens são indispensáveis à nossa vida. O Serviço Geológico Brasil deve ser a referência para as pessoas quando o assunto é geologia ou hidrologia, temos de ocupar este espaço, ser lembrados e reconhecidos pela população e acredito que popularizar o conhecimento junto a rede de ensino faz parte disso”, finaliza Andrea Sander.

Gabriella Rossi
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
gabriella.arraes@cprm.gov.br
asscomdf@cprm.gov.br



  • Imprimir