Quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Serviço Geológico do Brasil e CREA-PE falam sobre as Águas Subterrâneas no Nordeste

O geólogo João Diniz (abaixo) foi o convidado especial do programa “Terça no Crea” e abordou os trabalhos da CPRM nos estudos das águas subterrâneas e os aquíferos do Nordeste
O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) participou, nesta terça-feira (25), do programa Terça no Crea, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE). O geólogo João Diniz, Chefe da Divisão de Hidrogeologia da CPRM, representou a empresa no debate, que contou com a participação do presidente do CREA-PE, Evandro Alencar. A live, que foi transmitida pelos canais do Instagram da CPRM, abordou condições hídricas do Sertão e também da Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco e diferentes localidades de outros estados nordestinos.

O presidente do Conselho, Evandro Alencar, foi mediador da apresentação. Logo no início, João Diniz esclareceu a missão da Companhia, de “gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo para melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil”.

João Diniz informou que a CPRM atua em todo o Brasil com uma estrutura de 8 superintendências Regionais nos estados de Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém, Manaus e Goiânia, além de contar com mais 4 núcleos regionais, um escritório Central no Rio de Janeiro e a sede em Brasília, atuando em 16 estados do País. Possui cerca de 1,8 mil, empregados sendo mais de 1 mil engenheiros, geólogos, geógrafos, profissionais de nível médio como topógrafos e muitos outros.

Em termos de recursos hídricos, disse que a CPRM opera quase 4 mil estações da rede hidrometereorológica nacional, que são da Agência Nacional de Águas (ANA). Ainda segundo informações do palestrante, cabe também aos operadores a emissão de alertas sobre inundações, enchentes e outros fenômenos à população. Possui ainda uma rede de monitoramento de águas subterrâneas que opera há pouco mais de 10 anos, dispondo de 400 pontos, sendo toda automática, o que a diferencia da rede hidrometeorológica.

O presidente do Crea-PE perguntou ao convidado sobre a condição do Nordeste em termos de oferta de recursos hídricos. João Diniz dividiu a região em quatro grandes áreas: “A Mata Norte onde não temos problema de escassez de água, o Agreste e o Sertão, semelhantes na carência hídrica, e o que chamamos de meio Norte que é a partir do final do Piauí e todo o Estado do Maranhão, onde há agua em abundância”.

Disse que o chamado polígono das secas é formado pelo Sertão, Agreste e boa parte do Piauí. Esclareceu que no semiárido, em termos de recursos hídricos, existem cerca de 70.000 açudes, com capacidade de armazenamento estimada em 37 bilhões de m3 de água. Concluiu afirmando que “o grande problema é que grande parte desses reservatórios, aproximadamente, 90% deles, secam, uma vez que chove entre 600 e 800 mm/ano e são evaporados 2. 200 mm/ano. Isso significa que construir açudes é o mesmo que dar água para o sol beber”, concluiu.

Do ponto de vista de águas subterrâneas, explicou que existem dois domínios principais, o das rochas cristalinas ou duras. Citou por exemplo, o polígono das secas, com cerca de 1 milhão de Km2, onde 70% do território é composto por rochas cristalinas. Falando sobre Pernambuco, destacou que o Estado tem 100 mil Km2, sendo 80% de rochas cristalinas.

“O Maranhão todo se situa em uma bacia sedimentar. O Piauí tem 80% área sedimentar, enquanto que 50% das áreas do Rio Grande do Norte e da Bahia são de bacias sedimentares. Em Pernambuco, apenas 30% do território se situa sobre bacias sedimentares. No cristalino, que é a maior parte do estado de Pernambuco, os poços são, normalmente de baixas vazões, cerca de 1 a 2 mil litros por hora e as aguas são salinizadas. Embora o aproveitamento seja pequeno, é fundamental para as comunidades isoladas”, afirmou João Diniz.

Diniz informou ainda que a CPRM possui um banco de dados de águas subterrâneas que registra cerca de 340 mil poços cadastrados e que em Pernambuco, existem 34 mil poços, reforçando a importância da gestão e do uso dessas águas. Falou ainda do aquífero Urucuia, um dos maiores do Nordeste, localizado na área da margem esquerda do Rio S. Francisco, principalmente na Bahia.

Diniz esclareceu que existem poucas áreas sedimentares no nosso estado: Temos a Bacia Costeira, Bacia do Jatobá, outras pequenas no Sertão, além da Bacia do Araripe. Ressaltou que no lado do Ceará os aquíferos são rasos e fornecem boas vazões, enquanto que no lado pernambucano, os poços são construídos com até 1.200m, fornecendo vazões da ordem de 100 mil litros por hora, no topo da Chapada do Araripe.

O geólogo comentou ainda sobre projetos de barragens subterrâneas que estão sendo utilizadas para irrigação de hortas e outros. Com relação às condições hídricas da RMR, o entrevistado, afirmou que na grande crise de 1994 o que segurou a cidade foram as águas subterrâneas, que abasteceram praticamente o Recife todo. O presidente do Crea-PE agradeceu pela qualidade da apresentação e já sinalizou que serão vistas outras pautas com a CPRM, em suas áreas de pesquisa.

Evandro Alencar anunciou na Live, que a partir da próxima semana, o Terça no Crea terá novo formato digital, como Webinar. “A iniciativa busca ampliar oportunidades de capacitação para os profissionais do Sistema Confea/Crea e inclusive, vai permitir intercalar temas técnicos com debates de uma nova série a ser lançada dia 08.09, Um Projeto para o Brasil, criada pelo Conselho, através de seu Comité Tecnológico Permanente”, disse. Mais informações serão compartilhadas no site e nas redes sociais do Crea-PE.


Para saber mais sobre a Rede Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas- RIMAS, clique aqui
Para saber mais sobre o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas- SIAGAS, clique aqui
Para saber mais sobre o monitoramento hidrogeológico do SGB, clique aqui
Para saber mais sobre os Mapas e Publicações do SGB sobre hidrogeologia, clique aqui



Letícia Peixoto
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscom@cprm.gov.br
leticia.peixoto@cprm.gov.br
(61) 2108-8400
  • Imprimir