Terça-feira, 15 de setembro de 2020

Serviço Geológico debate a utilização de dados do satélite GRACE da Nasa em webinar da ABRHidro

O webinar foi iniciativa da ABRHidro e está disponível para visualização no canal do YouTube (link abaixo)
O Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) participou, nesta segunda-feira (14), do webinar Utilização de dados de satélite Grace no monitoramento e previsão sazonal da variabilidade de águas subterrâneas, promovido pela ABRhidro. O objetivo do encontro foi mostrar os resultados dos estudos dos dados produzidos pelas missões espaciais GRACE e GRACE-FO, gerados a partir de satélites gravimétricos enviados ao espaço pela NASA respectivamente nos anos de 2002 e 2018. A pesquisa apresentada no webinar pretende gerar e fornecer previsões de índices de seca nos Estados Unidos, com o menor grau de incerteza.

No Brasil pesquisas correlatas na utilização das missões GRACE estão em curso , uma delas na parceria IRD, CPRM , CEMADEM e outros institutos, produziu o artigo científico “A variabilidade espaço-temporal do armazenamento de águas subterrâneas na bacia do rio Amazonas” (The spatio-temporal variability of groundwater storage in the Amazon River Basin), que teve publicação na revista científica internacional da Elsevier Science Direct. Pela CPRM também em curso através do programa de incentivo a capacitação em pós-gradução da CPRM , o pesquisador Clyvihk Camacho cursa doutoramento na COPPE/UFRJ , sendo orientado pelo Dr. Augusto Getirana (NASA), o Prof. Otto Rotunno (COPPE/UFRJ) e a Dra. Maria Antonieta Mourão (CPRM) na pesquisa que usa a aplicação dos dados da missão espacial GRACE em conjunto com os dados da rede CPRM RIMAS (Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas ) com a perspectiva da aprimoramento do monitoramento das águas subterrâneas dos aquíferos presentes no território brasileiro.

O pesquisador Daniel Moreira representou o SGB no evento, que contou ainda com a participação do Dr. Augusto Getirana (NASA) e da Dra. Ligia Maria Nascimento de Araujo (COPPE / UFRJ), com moderação do Dr. Otto Corrêa Rotunno Filho (COPPE / UFRJ). O trabalho avalia o impacto da assimilação de dados da missão Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) no monitoramento e na inicialização da previsão hidrológica sazonal, com foco no armazenamento de água subterrânea.

Em sua apresentação, Augusto Getirana, pesquisador Científico Principal junto ao Laboratório de Ciências Hidrológicas do Centro de Voos Espaciais da NASA, explicou que as águas subterrâneas compõem 30% do volume de água disponível no planeta. “Apesar da grande quantidade, conhecemos ainda pouco sobre esse recurso. Uma forma indireta de monitorar as águas subterrâneas remotamente é através da integração de dados de satélite em modelos computacionais”, afirmou o pesquisador.

Augusto explicou ainda que nos últimos 18 anos, as missões GRACE e GRACE-FO contribuíram para o entendimento do ciclo da água global em relação a perda ou acúmulo de água no planeta, detecção de eventos extremos, estimativas de fluxos de água, monitoramento de águas subterrâneas e sistemas de assimilação de dados.
“A utilização de dados GRACE pode melhorar as previsões sazonais de eventos extremos considerando que esse estudo possui informação valiosa de “longa memória”, que contribui para o entendimento e prevenção de eventos extremos futuros”, destacou.

O pesquisador Daniel Moreira citou as parcerias que o SGB desenvolve para aprimorar a tecnologia de sensoriamento remoto aplicada ao monitoramento hidrológico) Em sua explanação, Daniel Moreira abordou os trabalhos que o SGB desenvolve na área de hidrologia por satélites, em parcerias com o IRD , NASA , CNES (Agência Espacial Francesa) , institutos e universidades nacionais e internacionais. Neste contexto, a CPRM desenvolve uma série de pesquisas buscando a validação e aprimoramento da tecnologia de sensoriamento remoto aplicada ao monitoramento hidrológico, uma série de campanhas de campo para validar dados de satélites, processamento de imagens e artigos estão sendo produzidos.

“A aplicação de dados de sensoriamento remoto para a hidrologia é muito importante. Nós temos diversos projetos que na empresa onde a gente busca tornar essa tecnologia cada vez mais operacional. Ao longo de 13 anos, o SGB/CPRM tem feito parcerias estratégicas com a finalidade de implementar e contribuir para a evolução dessa tecnologia. Isso mostra a importância da dedicação dessa pesquisa e agora estamos vendo aplicações operacionais como frutos desse trabalho”, afirmou Daniel Moreira.

Daniel explicou ainda que todas as variáveis hidrológicas podem ser observadas direta ou indiretamente por sensoriamento remoto, como chuvas, umidade do solo, altimetria espacial, que permitem aprimorar o conhecimento do ciclo hidrológico do nosso planeta. Utilizando em conjunto com as redes de monitoramento hidrológico convencionais as informações de sensoriamento remoto podem ser validadas e complementadas. “É por isso que cada vez mais estamos complementando nossos estudos como as Redes firmadas em parceria com a Agência Nacional de Águas, com essa tecnologia.


Para saber mais sobre satélite GRACE da NASA, clique aqui

Para acessar o artigo científico “A variabilidade espaço-temporal do armazenamento de águas subterrâneas na bacia do rio Amazonas” publicado na revista científica internacional da Elsevier Science Direct, clique aqui

Para assistir novamente ao webinar,clique aqui


Letícia Peixoto
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscomdf@cprm.gov.br
leticia.peixoto@cprm.gov.br
(61) 2108-8400
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