Sexta-feira, 22 de maio de 2020

Pesquisadora Lila Queiroz aborda prospecção de ouro no sudeste do Amazonas durante DGM em Pauta

A palestra da pesquisadora em geociências da CPRM fez parte do DGM em Pauta e chegou a reunir 75 pessoas na sala virtual de reuniões
A apresentação da pesquisadora em geociências do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) Lila Queiroz — durante o DGM em Pauta desta quinta-feira (21/05) — abordou apresentou modelagens prospectivas para mapear regiões com possíveis ocorrências de ouro no sudeste do Amazonas. A palestra Gerações de Cenários Prospectivos no Mapeamento de Regiões Potenciais para Mineralizações Auríferas no Distrito Juma, Sudeste do Amazonas chegou a reunir 75 pessoas na sala virtual de reuniões da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE).

Para a construção do estudo prospectivo de mineralizações, Queiroz utilizou a técnica da lógica fuzzy, a qual consiste na determinação mais ampla acerca de certos acontecimentos. A seleção de alvos é um dos principais constituintes de potencial prospectivo. A motivação para o início do estudo, de acordo com a geóloga, foi o pouco conhecimento sobre a região. Queiroz afirmou que o descobrimento do Distrito Juma se deu em 2006 e que a CPRM é uma das principais instituições estudiosas da região. “Os projetos da CPRM, cada vez mais, têm um viés de prospectividade, integrados com as novas tecnologias para modelagens espaciais. Este trabalho utiliza metodologias que podem ser adaptadas para novas regiões, além de enriquecer o estudo prospectivo da região sul do Cráton Amazônico”, explicou Queiroz.

O mais recente mapa geológico da região Para a pesquisadora, o trabalho é importante para o avanço do conhecimento em âmbito regional. “Contribui para a pesquisa mineral trazendo novas abordagens prospectivas para uma região pouco pesquisada geologicamente e com potencial para hospedar novas mineralizações de ouro”, afirmou. O Distrito Juma, cujas pesquisas fazem parte do Projeto ARIM – SE/AM, é cortado pela BR-230, conhecida por Rodovia Transamazônica. “Foi o que possibilitou o estudo de toda a área, porque a região é de difícil acesso. A rodovia serviu de via de desenvolvimento geológico”, afirmou a geóloga durante a apresentação.

O modelo de exploração da pesquisadora inclui geologia, geofísica e geoquímica em quatro processos, os quais abrangem seleção de dados, processamento de dados, modelagem em 2D e modelagem geológica e geofísica em 3D. Foi identificado que as mineralizações dos garimpos Juma, Pomba, Chico Preto e Ema estão associadas aos gabros da Suíte Máfica Matá-Matá, além de outras mineralizações — da porção sul e do setor Acari —, relacionadas com granitos orosirianos e falhas do Buiuçu. Para a geração de cenários prospectivos, foram montados mapas de prospectividade em 2D, a partir da lógica fuzzy e combinando dados aeromagnéticos, gamaespectrométricos, geoquímicos, mineralométricos e geológicos.

O Distrito Juma compreende a região marcada por um triângulo Entre os possíveis eventos mineralizantes que serviram de base para o trabalho de Queiroz estão : magmatismo granítico com características similares a Suíte Matupá (granitos Chuim e Arraia), Vulcanismo Colíder/Beneficente e o magmatismo máfico da Suíte Matá-Matá.

As conclusões obtidas a partir da pesquisa de Queiroz determinam que o ouro está hospedado, principalmente, em rochas vulcânicas de sequências vulcano-sedimentares com idade paleo-mesoproterozoica, e que o mapa de prospectividade do Distrito Juma mostra cinco regiões principais com potencial para hospedar possíveis mineralizações auríferas, com duas janelas detalhadas como alvo. “Os resultados trazem modelagens prospectivas para a região do Distrito Juma utilizando técnicas que, até então, nunca tinham sido propostas. Além disso, foi feita uma inversão de dados magnéticos para a região, integrados a informações geológicas para mapear em sub-superfície possíveis locais favoráveis a novas ocorrências”, explicou a geóloga.

O investimento na exploração global do ouro ainda é altíssimo, mesmo em queda desde 2012 Por fim, Queiroz mostrou, com dados de 2017, que o ouro representa mais da metade do orçamento global de exploração de commodities, com US$ 4.050.000.000, mesmo com a queda que vem ocorrendo desde 2012. “Em momentos de crise, há a tendência de maior exploração de ouro, com descoberta e explorações de novas ocorrências”, explicou a pesquisadora, referindo-se ao momento atual.

Após o fim da exposição, Queiroz respondeu questionamentos enviados pelos espectadores. A pesquisadora em geociências da SUREG de Belém Sulsiene Machado de Souza Gaia e Marcelo Batista Motta, pesquisador em geociências da SUREG de Manaus, fizeram considerações acerca do trabalho da colega.

A palestra de Queiroz foi elogiada por colegas da CPRM de todo o país, como foi o caso de Caio dos Santos Pereira, geólogo que atua em Pernambuco: “Parabéns! Importante trabalho para prospectar em áreas que tenham potencial conhecido ou não. Aqui no ARIM PE, também temos ouro e vamos gerar um mapa prospectivo”. Amilcar Adamy, da REPO, também não poupou elogios à colega: “Cumprimentos pela apresentação. Importante a introdução de novas técnicas para melhor conhecer as mineralizações da Amazônia.”

O estudo foi a dissertação de mestrado em Prospecção e Geologia Econômica da pesquisadora, pela Universidade de Brasília (UnB). No entanto, Queiroz complementou seu trabalho com novos dados sobre a região. “Surgiram trabalhos desde a minha dissertação, no ano passado. Então, a apresentação está atualizada”, explicou a geóloga.


Acesse a apresentação feita pela pesquisadora
Acesse a dissertação de mestrado da pesquisadora
Acesse o trabalho, em inglês, sobre a estratigrafia do cráton amazônico


Ana Isabel Mansur
Janis Morais
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil — CPRM
asscomdf@cprm.gov.br
(61) 2108-8400











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