Terça-feira, 11 de junho de 2019

Pesquisador divulga nova hipótese de empilhamento para a estratigrafia da Formação Santa Maria (Triássico) na região da cidade de Santa Maria

 Edio-Ernst Kischlat no XI Simpósio Sul-Brasileiro de Geologia
O pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) Edio-Ernst Kischlat apresentou no dia 27/05 na sessão temática Geologia Sedimentar, Estratigrafia e Paleontologia do XI Simpósio Sul-Brasileiro de Geologia o trabalho OBSERVAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO SANTA MARIA (TRIÁSSICO) NA CIDADE DE SANTA MARIA E CONSEQUÊNCIAS NOMENCLATURAIS. O objetivo foi divulgar no âmbito da comunidade geológica o artigo recentemente publicado no periódico “Informe Técnico” da CPRM, que apresenta uma nova hipótese de empilhamento para a estratigrafia da Formação Santa Maria (Triássico) na região da cidade de Santa Maria.

De acordo com o pesquisador, existem duas interpretações divergentes no que se refere ao entendimento do fatiamento da Formação Santa Maria justamente na região em que se encontra a seção-tipo (estratótipo) utilizada como ponto de referência. Se no estratótipo existem diferentes entendimentos, como reconhecer demais camadas sedimentares semelhantes como correlatas, consequência de um mesmo processo sedimentar? “Afinal é nesta expansão de conceito de um ponto de referência para um todo regional através da semelhança litológica (e seu sistema deposicional inferido) que se baseia a estratigrafia e o reconhecimento de camadas mapeáveis. Neste caso, o padrão encontrado na região da cidade de Santa Maria teria algumas inconsistências quando comparado ao encontrado em cidades vizinhas, como São Pedro do Sul, Santa Cruz e Candelária”, argumenta.

 Representação da nova hipótese proposta pelo pesquisador Edio-Ernst Kischlat
O autor destaca ainda a importância do desenvolvimento de uma interpretação alternativa e a necessidade de um rearranjo dos nomes (nomenclatura) atualmente utilizados no mapeamento geológico. Para ele, por exemplo, o nome “Passo das Tropas” utilizado para um membro da Formação Santa Maria, passa a ser obsoleto. “Esta conclusão suporta estudos recentes em que se reconhece dois pacotes independentes de arenitos denominados como Sarandi (sobreposto) e São Valentim (sotoposto). Esta independência entre estes pacotes mostra que seus sistemas deposicionais de formação foram eventos distintos e a amplitude do intervalo entre eles passa a ser bem maior no tempo geológico (cerca de 5 milhões de anos de diferença) do que antes se supunha”, contesta.

Segundo ele, o desenvolvimento de uma interpretação alternativa que transforma aparentes conflitos numa situação de harmonia com o padrão encontrado em cidades circunvizinhas possibilita um melhor entendimento e aumento de resolução em projetos futuros de mapeamento. “A harmonização de conflitos e o reconhecimento da situação estratigráfica na região da cidade de Santa Maria pode representar um caso específico de um modelo mais amplo reconhecido para todo o Rio Grande do Sul”, complementou.


Janis Morais
Assessoria de Comunicação
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