Quarta-feira, 20 de maio de 2020

Mulheres nas Geociências: Lucy Takehara Chemale é exemplo de excelência na pesquisa e gestão

Pesquisadora Lucy Takehara em Roraima
À frente da quinta maior unidade do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), sendo a segunda mulher a liderar a Superintendência Regional de Porto Alegre, Lucy Takehara Chemale mostra além da dedicação como pesquisadora em geociências empenho para fomentar ambiente de trabalho harmônico e produtivo.

Natural do Mato Grosso do Sul, formada engenheira geóloga em Ouro Preto, em 1989, Lucy deu continuidade à sua formação em Porto Alegre. Fez mestrado (1998) e doutorado (2005) no Instituto de Geociências na UFRGS, e pós-doutorado em caracterização mineral pelo Instituto de Física e em geocronologia pelo Instituto de Geociências, ambos da UFRGS. Desde 2010, trabalha no Serviço Geológico do Brasil, atuando primeiro na Sede em Brasília. Inicialmente, trabalhou preparando amostras da CPRM de Sm-Nd no Laboratório de Geologia Isotópica na UnB até início de 2011, e passou a alimentar o banco de dados de geocronologia no antigo GEOBANK.

Com equipe em atividade de campo do projeto Terras Raras em Campos Novos, Roraima PROJETO MARCANTE - No final de 2011, Lucy foi convidada para conduzir o projeto nacional de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil. Na época, a China, maior produtor mundial, com mais 95% do mercado, cortou as suas exportações, causando a procura pela commodity por vários países e empresas. “O Brasil de olho nos cenários de escassez previstos por vários centros de pesquisas mundiais e devido à sua importância no mercado de alta tecnologia, deu início a ações para atenuar a falta dessa commodity”, relembrou.

Para enfrentar esse panorama, ela recorda que foram feitos vários workshops e reuniões interministeriais reunindo representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e de Ciência e Tecnologia (MCTI) com grupos do setor privado do setor mineral e tecnologia, além da criação de uma comissão no Congresso Nacional e Senado para discutir o assunto, cujo resultado foi a publicação da Câmara dos Deputados.

Workshop para retomada da pesquisa da CPRM na Bacia do Paraná Ao mesmo tempo, o Plano Nacional de Mineração 2030 estabeleceu terras raras como uma das commodities importantes, minerais portadores de futuro para uso na indústria de alta tecnologia. “Neste ponto, a CPRM seria o braço executor das atividades de avaliação do potencial dos diversos commodities apresentados no PNM2030. E foi aí que entrei para coordenar esse projeto”, relata.

O projeto Terras Raras na CPRM foi desenvolvido de 2012 a 2014, com uso de amostras de projetos realizados pela empresa em anos anteriores em Seis Lagos e Costa Marques (Acesse aqui e aqui os Informes já publicados no site da CPRM) e com a realização de atividade de campo em Campos Novos - RR (Informe está em fase final de elaboração) e Serra Dourada - GO (informe em fase de elaboração), tornaram a pesquisadora Lucy referência no tema. No período, também foi publicado um informe de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, que aponta todos os depósitos e ocorrências minerais de terras raras no país.

Atualmente, Lucy exerce a função de superintendente regional de Porto Alegre. “Na SUREG-PA, eu gostaria de criar um ambiente de trabalho harmônico tanto no desenvolvimento dos trabalhos entre as gerências quanto no relacionamento humano entre os empregados”, planeja. Para isso, além do conhecimento e dedicação, é capaz de ações que demonstram sensibilidade e carinho com todos os empregados, como distribuir origamis como tsurus no Natal e lírios e flor de lótus com chocolate no Dia das Mães, uma habilidade manual que remete a sua ascendência japonesa e diz muito sobre seu temperamento calmo no dia a dia.

Essa tranquilidade também explica o fato dela relatar não ter percebido preconceito na sua atuação profissional mesmo numa carreira em que os homens são maioria. “Não que eu tenha percebido, pois se houve algum preconceito ou desconforto, não me afetou. Logo que me formei fui trabalhar no interior de MG, na região de Vazante, eu era a única mulher entre os empregados da área, morava sozinha em um hotel, quando me convidavam para as reuniões da empresa, eu considerava chato, porque a maioria dos colegas eram casados. Assim, nos fins de semana eu ia para Belo Horizonte e eles não precisavam me convidar para as reuniões”, conta. Hoje, casada, mãe de três filhos, Lucy demonstra também sabedoria para conciliar as atividades profissionais e pessoais. Por fim, Lucy deixa uma mensagem às outras mulheres que atuam nas geociências. “Respeite a todos ao seu redor, valorize sua origem, jamais se menospreze, sempre tire lição dos erros cometidos, olhe sempre para frente! Nunca pare de aprender”, aconselha.




Janis Morais
Assessoria de Comunicação
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