Terça-feira, 13 de agosto de 2019

Mapeamento geológico aponta caminhos para o desenvolvimento econômico do país

Em um país de dimensões continentais como o Brasil a cartografia geológica é imprescindível como ferramenta indutora do desenvolvimento econômico, pois representa a base fundamental de conhecimento do meio físico. Além de orientar novas descobertas de recursos minerais, os mapas geológicos servem para subsidiar o gerenciamento de recursos hídricos, o ordenamento territorial, a identificação de áreas de risco e as ações que visam a proteção do meio ambiente.

A cartografia geológica é uma das atividades fundamentais do Serviço Geológico do Brasil e vem sendo desenvolvida há 50 anos, desde quando a CPRM atuava como empresa de economia mista. Hoje a instituição é referência na produção e divulgação de mapas geológicos e de integração geológica regional, o que auxilia diretamente na promoção do avanço do conhecimento geológico no país.

Embora o mapeamento geológico historicamente seja uma das atividades prioritárias da CPRM, muito ainda deve ser feito para que seja alcançado um nível de conhecimento compatível com o potencial geológico do território nacional. Os esforços têm sido concentrados nas áreas de embasamento pré-cambriano e o balanço atual do que já foi concluído até o momento mostra que cerca de 60% e 21% do território nacional estão mapeados nas escalas 1:250.000 e 1:100.000, respectivamente, e que menos de 3% tem cartografia geológica compatível com a escala de 1:50.000.

Os projetos técnicos em desenvolvimento pela CPRM que têm entre seus objetivos a realização de cartografia geológica obedecem às diretrizes do Governo Federal, definidas no Plano Plurianual 2016-2019, dentro dos programas de Geologia Mineração e Transformação Mineral, tendo o Ministério de Minas e Energia como órgão executor.

Neste contexto, as atividades de cartografia geológica são desenvolvidas nas ações de Levantamento Geológico e do Potencial Mineral de Novas Fronteiras realizados em áreas com ambientes geológicos favoráveis para novas descobertas de depósitos minerais, mas que ainda não são regiões consolidadas sob o ponto de vista exploratório, e de Estudo de Áreas de Relevante Interesse Mineral (ARIM), que configuram províncias minerais conhecidas, onde já existem depósitos ou áreas mineralizadas significativas. Com a conclusão desses projetos referentes ao ciclo 2016-2019, serão disponibilizados os resultados de mapeamento em novas áreas, e em diferentes escalas.

“A realização de levantamentos geológicos básicos é atividade fundamental para a ampliação do conhecimento geológico, para a evolução das Geociências e para o desenvolvimento econômico de qualquer nação”, afirma Lúcia Travassos, chefe do Departamento de Geologia. A pesquisadora também destaca que os projetos técnicos em execução têm como premissa fundamental a abordagem multitemática de dados, sob a estratégia de aliar a cartografia geológica, com dados de levantamentos aerogeofísicos, de prospecção geoquímica, de estudos de depósitos minerais, e tratar os dados de forma integrada, agregando valor às informações disponíveis, visando o entendimento do potencial mineral das áreas e a indicação de alvos prospectivos para atrair investimentos do setor mineral.

Integração geológica regional - Além dos projetos de levantamentos geológicos sistemáticos, a CPRM tem uma importante linha de atuação que é a integração geológica regional, que inclui, por exemplo, a geração de mapas geológicos estaduais, da nova versão do mapa geológico do Brasil, ou de integrações continentais e mapas internacionais abrangendo áreas de fronteira. “Estes produtos integram as informações disponíveis para extensas áreas do Brasil ou da América do Sul. Eles ordenam, harmonizam e sistematizam o conhecimento geológico, servindo também de base para a definição de estratégias de ação e ensino em Geociências”, explica Lúcia Travassos.

Geólogos durante treinamento no Morro do Chapéu (BA) Aerogeofísica - Tem múltiplas aplicações, e consiste em importante ferramenta para subsidiar o mapeamento geológico sistemático do território brasileiro e, como consequência, a definição de ambientes geológicos favoráveis à presença de depósitos minerais. Por esta razão, dados aerogeofísicos são fundamentais para fomentar investimentos do setor mineral, e ainda para subsidiar a pesquisa hidrogeológica, especialmente em terrenos cristalinos, a exemplo da região do semiárido do Brasil. Os primeiros levantamentos aerogeofísicos na CPRM começaram da década de 1970, realizados em escala regional e com baixa densidade de informações, mas ainda assim foram fundamentais para subsidiar a pesquisa geológica em diversas áreas do escudo cristalino brasileiro, dentre as quais se destaca a região de Carajás e do Quadrilátero Ferrífero, hoje consolidadas importantes províncias minerais que respondem pela maior parte da produção mineral do Brasil.

A partir de 2003, e com intuito de atender a demanda de disponibilizar dados aerogeofísicos de maior resolução, a CPRM iniciou uma grande ação com o objetivo de recobrir toda a área do escudo pré-cambriano do Brasil, com aerolevantamentos magnetométricos e gamaespectrométricos, realizados com espaçamento entre as linhas de voo de 500m e altura de voo de 100m, para dar suporte à realização de pesquisas com maior nível de detalhe. Estes novos aerolevantamentos foram financiados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e também pelo Programa Cartografia da Amazônia, vinculado ao Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a CPRM e o Centro Gestor Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), visando a realização do Projeto Cartografia da Amazônia.

Dados disponibilizados - Como resultado destas ações governamentais, atualmente mais de 90% da área do embasamento cristalino brasileiro dispõe de dados magnetométricos e gamaespectrométricos, obtidos com resolução adequada para dar suporte a trabalhos de maior detalhe. Inicialmente os dados de levantamentos aerogeofísicos eram vendidos para empresas privadas e cedidos a universidades e instituições de pesquisa. Com entendimento de que estes dados não eram acessíveis para pequenos e médios empreendedores do setor mineral, a CPRM optou pela liberação integral, ampla e gratuita a todos os interessados.

Para tentar quantificar a capacidade destes dados em fomentar o setor mineral, pode-se verificar o resultado do projeto aerogeofísico Escudo do Rio Grande do Sul. O número de requerimentos de pesquisa (minerais industriais, fertilizantes e corretivos de solo) na área da abrangência do projeto passou de 99 em 2010 para 435 ao final de 2017. Além disso, ainda segundo informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), a arrecadação da CFEM no Rio Grande do Sul aumentou 38% entre 2011 e 2017, muito mais que a média nacional, de 17% no mesmo período.

Os dados aerogeofísicos são usados também por instituições como a EMBRAPA, para a caracterização dos tipos de solos mais favoráveis para cultivos especializados. Também servem de base para estudos hidrogeológicos para locação de poços, principalmente em regiões do embasamento cristalino no Nordeste, pois possibilitam o mapeamento das zonas que possuem alta capacidade hídrica de armazenamento.

Lançamentos de produtos - 2018 foi um ano em que a disponibilização de produtos relacionados a projetos da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais alcançou patamares de destaque, visto que vários projetos foram concluídos, incrementando significativamente o conhecimento geológico em diversas áreas do território nacional. Relatórios finais de 45 projetos foram lançados em eventos regionais em algumas capitais - Belém, Porto Velho, Fortaleza, Recife, Salvador, Goiânia, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre-, como forma de dar ampla divulgação aos produtos, prestar contas à sociedade dos recursos investidos na instituição e criar oportunidades de negócios para o setor mineral. Além disso, cerca de 200 mapas temáticos: geológicos, geológico-geofísicos, metalogenéticos, prospectivos, etc) foram disponibilizados para consulta pública, além de bancos de dados mais de 30 projetos. Todos os produtos estão disponíveis para download no site da CPRM.

Mapas Geológicos Estaduais - Para o ano de 2019 estão programadas atividades de integração geológica regional em 6 estados (Paraná, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Tocantins e Amapá). Os mapas geológicos estaduais são importantes ferramentas para gestão pública, além de dar suporte para pesquisas técnico-científicas, pois apresentam, de forma integrada, o estado da arte do conhecimento geológico e os recursos minerais.

Clique aqui para conferir essas e outras matérias na nossa revista.

Warley Pereira
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscomdf@cprm.gov.br
(61) 2108-8400

  • Imprimir