Quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Estudo identifica o primeiro câncer diagnosticado em um mamífero extinto brasileiro

O tumor foi encontrado no fêmur direito de um exemplar de preguiça da espécie Nothrotherium maquinense, do Quaternário brasileiro. O fóssil encontra-se no Museu de Ciências da Terra (MCTer), do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), no Rio de Janeiro Tomografia computadorizada do fêmur e imagens de microscópio mostrando o padrão de crescimento do tumor. Imagens por Fernando H. de S. Barbosa
Nesta semana foi publicado no periódico Historical Biology o primeiro caso de câncer em um mamífero extinto não humano do Quaternário, período geológico conhecido popularmente como “era do gelo”, onde viveram preguiças gigantes, mamutes e mastodontes, tigres dentes-de-sabre e toda uma fauna peculiar de grandes mamíferos.

Reconstituição da preguiça <i>Nothrotherium maquinense</i>, com tumor em sua coxa direita, em seu local de morte. Ilustração por Guilherme Gehr O tumor foi encontrado no fêmur direito de um exemplar de preguiça da espécie Nothrotherium maquinense, do Quaternário brasileiro. Era uma preguiça de porte pequeno a médio, alcançando cerca de um metro e meio de comprimento, um animal terrícola, ou seja, caminhava no chão e não subia em árvores. A espécie foi coletada na Lapa dos Peixes I, uma caverna localizada no planalto da Serra do Ramalho, na região da Bahia. O fóssil encontra-se no Museu de Ciências da Terra (MCTer), do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), no Rio de Janeiro.

A doença encontrada é um osteossarcoma parosteal, um tipo de câncer ósseo. Isso indica que o indivíduo sofria de dores locais, inchaço localizado e limitação dos movimentos articulares, o que teria sido extremamente prejudicial para sua vida. No entanto, não é possível afirmar se o animal morreu em decorrência do câncer ou por uma queda acidental na caverna, embora mais de 90% dos pacientes humanos com osteossarcoma não tratado morrem com metástase pulmonar.

Mesmo que as neoplasias (tumores) sejam reconhecidas em quase todos os animais, este é o primeiro relato desse tipo de câncer ósseo no registro fossilífero.

Câncer ósseo em fêmur da preguiça Nothrotherium maquinense. Imagens por Fernando H. de S. Barbosa
A pesquisa foi efetuada por: - Fernando H. de S. Barbosa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
- Kleberson de O. Porpino, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
- Bruce M. Rothschild, Museu Carnegie de História Natural (Pensilvânia, EUA)
- Rafael Costa da Silva, Museu de Ciências da Terra (Serviço Geológico do Brasil – CPRM)
Domenico Capone, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


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Letícia Peixoto
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
asscom@cprm.gov.br
leticia.peixoto@cprm.gov.br
(61) 2108-8400
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