Quinta-feira, 09 de maio de 2019

Confira o relatório sobre a Instabilidade do Terreno no bairro Pinheiro e adjacências

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou nesta quarta-feira (08/05) relatório técnico com o resultado dos Estudos sobre a Instabilidade do Terreno nos Bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, em Maceió (AL).

Participaram da audiência o diretor-presidente da CPRM, Esteves Colnago, o diretor Antônio Carlos Bacelar e parte da equipe técnica: Thales Sampaio, Adelaide Mansine, Jorge Pimentel, Helion França, Lúcia Costa, Leandro Galvanese, Fernando Feitosa e Victor Alves. O Ministério de Minas e Energia foi representado pela Conselheira Lilia Mascarenhas e o diretor Frederico Bedran Oliveira. O evento foi transmitido ao vivo nas redes sociais da CPRM e pela TV Assembleia de Alagoas.


O relatório é conclusivo e aponta que está ocorrendo a desestabilização das cavidades provenientes da extração de sal-gema, provocando halocinese (movimentação do sal), e criando uma situação dinâmica com reativação de estruturas geológicas antigas, subsidência (afundamento) do terreno e deformações rúpteis na superfície (trincas no solo e nas edificações) em parte dos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro.

De acordo com o documento, os danos em superfície são agravados pelos efeitos erosivos provocados pelo aumento da infiltração da água de chuva em fraturas/falhas preexistentes, bem como por novas fraturas produzidas pela subsidência. Este processo erosivo é acelerado pela existência de áreas de alagamento e a falta de uma rede de drenagem pluvial e de saneamento básico adequados.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram diversos métodos científicos que foram interpretados e integrados. Os métodos geofísicos gravimetria, audiomagnetotelúrico e eletrorresistividade permitiram a melhor caracterização do subsolo da região estudada. A interferometria, por sua vez, detectou deslocamento da superfície compatível com subsidência por deformação dúctil/rúptil (rochas que se deformam até o limite de ruptura/rochas que se deformam sem romper) das camadas geológicas na região de poços de extração de sal-gema. As observações de campo - trincas, rachaduras e fissuras e áreas alagadas na borda da Lagoa Mundaú- também apontam deformações compatíveis com a subsidência.

A análise da sismologia mostrou sismos coincidentes com as minas de extração de sal-gema, entre outros localizados no fundo da Lagoa Mundaú e nas áreas mais afetadas do bairro Pinheiro. Pela presença majoritária de energia sísmica em forma de ondas de superfície, os pesquisadores constataram que a fonte sísmica está próxima à superfície e não se trata de um evento tectônico causado por uma falha geológica profunda. A energia identificada nesses sismogramas também comprova a origem rasa desses tremores de terra, pois a energia é inferior aos sismos de origem tectônica. Sendo mais próxima da energia liberada em explosões, colapsos ou desabamentos.

A equipe técnica analisou também dados de sonares que foram integrados com informações geológicas e de extração de sal em ambiente 3D. O resultado mostra que há indícios de que a atividade de extração de sal-gema alterou o estado de tensão in situ (natural ou normal) de todas as unidades geológicas, gerando colapso de algumas cavidades e aumentando a instabilidade das unidades.

Foram detectadas evidências de desabamento parcial em profundidade na região das minas 7 e 19. A ocorrência de desabamentos em outras minas não pode ser descartada, haja vista a ausência de dados recentes de 27 das 35 cavidades existentes.

Com base nos estudos, foi recomendado que sejam tomados alguns cuidados específicos neste contexto, como estabilização dos processos erosivos, saneamento básico, instalação de rede de drenagem eficiente nos bairros e demais obras estruturantes.

Os pesquisadores descartaram ainda a hipótese de subsidência causada por efeitos decorrentes da extração de água subterrânea. A análise dos dados de hidrogeologia revelou que os níveis dos aquíferos Barreiras e Marituba estão em recuperação, não existindo indícios de superexplotação.


Os trabalhos do Serviço Geológico do Brasil durante esta ação emergencial envolveram mais de 50 profissionais, formando uma equipe multidisciplinar. Os levantamentos iniciaram logo após o tremor de terra em março de 2018, após solicitação da Defesa Civil de Maceió. Em maio, houve a criação de um grupo de trabalho envolvendo também a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). No mês seguinte, vistorias foram realizadas nos locais afetados e também foi apresentado o primeiro relatório sobre o caso.

A investigação sobre o fenômeno no bairro Pinheiro foi colocada entre as ações prioritárias para os 100 primeiros dias do novo governo pelos Ministérios de Minas e Energia (MME) e Desenvolvimento Regional (MDR). Em janeiro de 2019, o ministro do MME, Bento Albuquerque, e o ministro do MDR, Gustavo Canuto, publicaram portarias definindo novas diretrizes para a atuação na identificação da instabilidade geológica na região.
A fase de caracterização do fenômeno em campo ocorreu em junho de 2018, com a elaboração do mapa de feições de instabilidade do terreno, que foi atualizado em setembro de 2018 e março de 2019. Os trabalhos de investigação geológica-geotécnica, geofísica e hidrogeológica ocorreram após a liberação de recursos, em outubro de 2018, o que possibilitou a compra de equipamentos e contratações de serviços.

A partir de janeiro deste ano, foram realizados os métodos gravimetria, audiomagnetotelúrico, levantamento batimétrico sísmico na Lagoa Mundaú, eletrorresistividade, sondagens percussivas, instalação da rede sismográfica, levantamento cartográfico, estudos neotectônicos e sismicidade e, por fim, levantamento do histórico de ocupação do bairro.
Todas as atividades previstas no cronograma de trabalho foram concluídas. Além disso, a CPRM está implantando seis poços de monitoramento de água subterrânea, com previsão de término em agosto deste ano. Esses poços irão fazer parte da Rede Integrada de Monitoramento de Água Subterrânea (RIMAS), que conta com 400 poços cadastrados em todo país.

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