Quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Com chuvas previstas, Serviço Geológico do Brasil atualiza prognóstico para vazante na bacia do rio Paraguai

Precipitações na última semana ainda não alteraram a tendência de redução dos níveis dos rios no bioma Pantanal

 Rio Paraguai registra cotas mínimas históricas. Embarcação na Serra do Amolar, MS
O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) divulgou nesta quinta-feira, dia 15/10, novo boletim de monitoramento e previsão do Sistema de Alerta Hidrológico da bacia do rio Paraguai para o período de vazante em 2020. Nesta última semana, a tendência geral foi de avanço da vazante do rio Paraguai. Em todos os municípios monitorados, os níveis das estações encontram-se abaixo dos níveis normais para este período do ano e dentro da zona de atenção para mínimas. Acesse o boletim aqui: https://bit.ly/3nWPbPm>

O boletim apresenta dados sobre as chuvas na região. Os maiores volumes de precipitação foram observados na bacia do rio Alto Paraguai, no trecho delimitado pela estação de Barra do Bugres, onde foram estimados 40 mm de chuva entre os dias 09 e 15 de outubro. Ainda assim, em Cáceres, Cuiabá, Sto. Antônio do Leverger, no Mato Grosso, os rios estão na mínima histórica do registro de dados. Na capital do Estado, o rio Cuiabá registrou hoje o nível de 28cm, em anos normais a cota registra 77 cm na mesma estação de monitoramento. Em Cáceres, nesta semana já foi registrada uma elevação do nível do rio Paraguai, que está com a cota de 62 cm, 10 cm acima do nível registrado na semana passada.

De acordo com o pesquisador Marcus Suassuna, no bioma Pantanal, as chuvas observadas neste mês são prenúncio do início da estação chuvosa, que deve se estabelecer até o início de novembro. Foram estimados acumulados de chuvas de 5 mm em 7 dias. “Ainda que a estação chuvosa se inicie, porém, os rios na calha do rio Paraguai levarão tempo para se recuperarem, haja vista serem rios de resposta lenta, principalmente sobre o MS. As previsões de níveis indicam continuidade da vazante dos rios, que em Ladário tem ocorrido a uma média de 13 cm por semana", afirmou.

A boa notícia é que apesar dos níveis dos rios abaixo do normal, para as próximas semanas, são previstas precipitações em toda área da bacia do rio Paraguai, com intensidades variáveis espacialmente, provavelmente com maior intensidade na fronteira sudeste da bacia. Acumulados mais significativos são previstos nos rios Aquidauana e Miranda. Segundo os órgãos de meteorologia, essas chuvas prenunciam o início da estação chuvosa, prevista para iniciar até o início de novembro.

Os dados do monitoramento da evolução da vazante ao serem comparados com os registros históricos permitem classificar o evento deste ano à seca registrada entre 1968 a 1973, devido às características semelhantes. A combinação de uma sequência de anos com chuvas abaixo da média com uma seca extrema no atual ano de 2020 explicam os níveis bastante reduzidos dos rios na bacia do rio Paraguai.

Os boletins semanais apresentam as cotas atuais dos rios, a previsão para os próximos dias, a data provável em que ocorrerá o pico da seca para municípios de MT e MS e o prognóstico de chuvas para os 15 dias seguintes.

 Dados atualizados foram apresentados nesta quinta-feira na Sala de Crise sobre o Pantanal promovida pela ANA IMPACTOS DA ESTIAGEM - A bacia do rio Paraguai abrange uma das maiores extensões de áreas alagadas do planeta. O monitoramento do comportamento dos rios e a previsão de cotas executados pelo Serviço Geológico do Brasil contribuem para gerenciar os impactos de um evento extremo, como está sendo registrado em 2020. Um dos problemas está relacionado à navegação, principalmente o transporte grãos e minérios na hidrovia do rio Paraguai. Outro risco da vazante está na captação de água, possibilidade que colocou em alerta o município de Corumbá. Esse cenário de escassez hídrica tem impacto no setor agropecuário.

REDE HIDROMETEROLÓGICA NACIONAL - Os dados hidrológicos utilizados são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e demais parceiros. As previsões realizadas pelos engenheiros da CPRM são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos. Os dados de previsão de chuvas são provenientes do Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (CPC/NOAA) e são usadas ainda informações de previsões meteorológicas produzidas pelo CPTEC/INPE.

SAIBA MAIS SOBRE O SAH PARAGUAI - Tanto no período de estiagem quanto na época de cheia, o Sistema de Alerta da Bacia do Rio Paraguai (Pantanal) realiza o monitoramento dos rios Paraguai, Cuiabá, Aquidauana, Miranda e Coxim, nos municípios de Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Anastácio, Aquidauana, Bonito, Coxim e Miranda (MS) e Cáceres, Cuiabá e Santo Antônio do Leverger (MT), com previsão hidrológica para os municípios: Porto Murtinho, Ladário e Corumbá (MS) e Cáceres (MT). O sistema abrange os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, atendendo uma população de 1.024.281 habitantes. A Bacia do Rio Paraguai tem uma área 1.095.000 km² (33,8% no Brasil, 32,4% no Paraguai, 18,7% na Bolívia e 15,1% na Argentina).


Janis Morais
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
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