Segunda-feira, 03 de junho de 2019

CPRM participa em Portugal de encontro do Projeto Lights de investigação de Lítio

Integrantes das equipes das Universidades do Porto, Lorraine e Lyon I, da Beak Consultants, e Mônica Perrotta da CPRM, durante a primeira Reunião Anual do Projeto Lights

A pesquisadora em Geociências e especialista em Sensoriamento Remoto da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM), Mônica Perrotta, participou, entre 6 e 13 de maio, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, das atividades da primeira Assembleia Geral do Projeto LIGHTS (Lightweight Integrated Ground and Airborne Hyperspectral Topological Solution).

Alexandre Lima (Universidade do Porto) e Cécile Fabre (Universidade de Lorraine) utilizam o equipamento LIBS (Laser-induced breakdown spectroscopy) portátil para medições de teores de lítio em testemunhos de sondagem. Em pé à direita Jean Cauzid (Universidade de Lorraine), líder do Projeto Lights Este projeto, financiado por meio do edital ERA-MIN Joint Call 2017 on Raw Materials for Sustainable Development and the Circular Economy, no âmbito do programa de financiamento da União Europeia para a Pesquisa e Inovação, Horizon 2020, iniciou-se em abril de 2018 com o objetivo de desenvolver um sistema de detecção remota de minerais de minério de lítio, combinando dados adquiridos por sensores remotos a bordo de veículos aéreos não tripulados (drones), e observações de campo fundamentadas no conhecimento geológico de mineralizações de lítio em rochas pegmatíticas.

São consorciadas do projeto as seguintes entidades: Faculté des Sciences et Technologies - Universidade de Lorraine, Faculdade de Ciências - Universidade do Porto; Laboratoire de Géologie de Lyon - Universidade de Lyon I, Helmholtz-Zentrum Potsdam – GFZ - Centro Alemão de Pesquisa Geográfica, e Beak Consultants - GmbH.

“A CPRM participa oficialmente como parceira associada do consórcio a convite do professor Alexandre Lima, especialista em depósitos minerais hospedados em pegmatitos, que reconheceu o potencial de contribuição da CPRM para o desenvolvimento do projeto, considerando o conhecimento sobre a gênese de depósitos de lítio em pegmatitos que vem sendo adquirido no Programa Avaliação do Potencial do Lítio no Brasil”, explica a pesquisadora.

Christian Mielke (de colete laranja), coordenador da equipe do Helmholtz-Zentrum Potsdam – GFZ, realizando escaneamento hiperespectral da frente de lavra. De acordo com Mônica Perrotta, essa experiência inclui a biblioteca espectral de minerais de minério de lítio desenvolvida no Laboratório de Sensoriamento Remoto e de Espectroscopia Mineral (DISEGE/SUREG-SP), e a aplicação de técnicas de mapeamento espectral de dados de sensores remotos óticos para detecção de corpos pegmatíticos, temas específicos do Projeto Lights.

A pesquisadora conta que na reunião de progresso do projeto foram apresentados os resultados do primeiro do ano de atividades, tais como, dados analíticos e testes de validação dos instrumentos LIBS (Laser-induced breakdown spectroscopy) de quantificação de teores de lítio; estudos geológicos e geoquímicos do corpo pegmatítico mineralizado e encaixantes na área piloto do projeto (Mina da Bajoca); assinatura de corpos pegmatíticos em imagens orbitais multiespectrais; curvas espectrais e feições diagnósticas de minerais de lítio; e, potencial do software Advangeo® de preditividade geoespacial baseada em GIS e inteligência artificial para detecção de lítio.

Integrante da equipe do Helmholtz-Zentrum Potsdam – GFZ realiza análise espectral no terreno com espectrorradiômetro portátil.
Após a reunião, foi realizado o Workshop Lights, aberto à comunidade, tendo como palestrantes os líderes do projeto, representantes de instituições geocientíficas públicas e da indústria mineral portuguesa (as apresentações podem ser acessadas clicando aqui.)

Durante os trabalhos de campo do projeto, entre os dias 8 e 13 de maio, a versão portátil do equipamento LIBS foi testada para medições de rochas e minerais em testemunhos de sondagem e exposições rochosas da Mina da Bajoca (Concessão para exploração de feldspato da Organização Felmica – Minerais Industriais, S.A., também parceira associada do projeto).

Ainda durante a etapa de campo a Mina da Bajoca foi imageada por sensores hiperespectrais que operam nas faixas de comprimentos de onda do visível ao infravermelho, entre 350 e 2500 nm, tanto acoplados em plataformas giratórias fixadas em tripés, imageando as frentes de lavra, como a bordo de veículos aéreos não tripulados. Foram realizadas também análises espectrais de controle, diretamente no terreno, por meio de espectrorradiômetro portátil.

Drone com sensor hiperespectral acoplado sobrevoa a Mina da Bajoca (Distrito de Guarda, Portugal) Para Mônica Perrotta é importante que a CPRM acompanhe os avanços da tecnologia de sensores hiperespectrais acoplados a plataformas drone, principalmente os que operam em comprimentos de onda no intervalo do infravermelho de ondas curtas (SWIR, na sigla em inglês), região do espectro mais relevante para a identificação de padrões mineralógicos associados a depósitos minerais.


“A CPRM é detentora da expertise de tratamento de dados de sensores hiperespectrais transportados em aeronaves de médio porte, mas ainda é um desafio o uso de drones nesse tipo de levantamento principalmente devido às grandes dimensões e alto custo dos sensores SWIR, exigindo veículos extremamente estáveis para sua operação. Entretanto, quando houver o domínio desta tecnologia, os levantamentos hiperespectrais se tornarão economicamente mais acessíveis”, avalia a pesquisadora.


Warley Pereira
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil (CPRM)
asscomdf@cprm.gov.br
(61) 2108-8400

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