Sexta-feira, 02 de agosto de 2019

CPRM lança Atlas Geoquímico da Bacia do Rio São Francisco

 Pesquisador em Geociências Eduardo Viglio apresentou os resultados do estudo, na SUREG/BH
Com uma área de 233.564km², a bacia hidrográfica do rio São Francisco no estado de Minas Gerais, uma das mais importantes do país, foi mapeada por pesquisadores e técnicos em Geociências do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em 236 municípios do estado quanto às concentrações naturais de 53 elementos químicos nos solos e sedimentos de fundo dos rios, além de 27 cátions, sete ânions e quatro parâmetros físico-químicos para águas superficiais e de abastecimento público.
 A mesa de abertura contou com autoridades da CPRM e da ANM
O lançamento do Atlas Geoquímico foi realizado hoje (25), na Superintendência Regional de Belo Horizonte. Compuseram a mesa de abertura o diretor-presidente, Esteves Colnago, o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial, Antônio Bacelar, o diretor de Infraestrutura Geocientífica, Fernando Carvalho, o superintendente da unidade, Marlon Coutinho, e o gerente regional da Agência Nacional de Mineração, Jânio Leite.

Arsênio, Chumbo, Flúor, Ferro, Nióbio, Potássio, Sódio e Zinco são algumas das substâncias estudadas. Este levantamento é composto pela análise de 1587 amostras de sedimento de fundo; 1581 amostras de água de superfície; 504 amostras de solo; e 218 amostras de água de abastecimento público que foram coletadas antes do tratamento efetuado para consumo humano, sendo provenientes de poços, barragens ou diretamente das drenagens.

Bacelar enfatizou a importância dessa publicação para o desenvolvimento do Estado de Minas gerais e para as Geociências. “O Serviço Geológico do Brasil contribui com mais uma obra que está sendo disponibilizada para a sociedade e para os órgãos estaduais. Ela foi elaborada observando os princípios mais avançados que a Geoquímica oferece. Em agosto, a CPRM completa seu cinquentenário. E nossa instituição ao longo dos anos tem ajudado na construção do desenvolvimento da infraestrutura do nosso país”, disse.

Entre os resultados obtidos, destacam-se: a grande anomalia de Flúor com 200x80km de extensão em toda a bacia do rio Verde Grande englobando todas as cidades do norte de Minas Gerais com ocorrências de fluorose dental; as delimitações precisas pelos mapas de Arsênio das anomalias referentes às ocorrências auríferas de Morro do Ouro, em Paracatu, e das ocorrências do Quadrilátero Ferrífero; e anomalias de água no rio das Velhas resultantes de ações causadas pelo homem na região metropolitana de Belo Horizonte, algumas já acima dos parâmetros legais.

 Exemplares da publicação foram distribuídos aos participantes no final do evento
“Conhecer previamente as concentrações naturais dos elementos permite que, ao ocorrer um evento transformador do meio físico, seja ele natural – como deslizamentos de encostas, subsidências em áreas calcárias ou enchentes, ou artificial – como a implantação de grande área industrial, grandes regiões com agricultura ou ainda acidentes catastróficos como rompimentos de barragens de mineração ou de armazenamento de água, se possa medir precisamente as modificações e imputar mais justamente as medidas de recuperação necessárias”, afirma Eduardo Viglio, geólogo da CPRM.

“O mapeamento básico da bacia, definindo os valores médios de 53 elementos para água, sedimentos de fundo e solos é o principal resultado desta contribuição do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), cumprindo sua missão de disseminar o conhecimento geocientífico do meio físico para todos os agentes interessados nesses resultados visando o bem-estar da população e o desenvolvimento sustentável do país”, acrescenta Viglio.

Também colaboraram diretamente com o projeto estagiários dos cursos superiores e tecnólogos nas áreas de Geologia, Geografia, Engenharia Ambiental, Engenharia Cartográfica, Ecologia e Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), fornecendo uma conotação multidisciplinar ao estudo.

 Coleta e peneiramento de amostra de sedimento de fundo
Metodologia - O Projeto Geoquímica MultiUso do Serviço Geológico do Brasil – CPRM foi realizado em Minas Gerais entre 2008 e 2012, constando da coleta de amostras de água de superfície e de sedimento de fundo em drenagens com área aproximada de 150km², de amostras de solo em malha aproximada de 25x25km e de uma amostra por sede municipal do principal manancial bruto de água de abastecimento público. Estes procedimentos são conhecidos como levantamentos geoquímicos de baixa densidade por coletar pequeno número de amostras representando grandes áreas. O registro deste “instantâneo” regional relacionado à distribuição de 53 elementos químicos para as amostras sólidas e de 27 cátions e 7 ânions para as amostras líquidas permite traçar limites onde existem excesso ou falta de determinados elementos ou compostos, que podem indicar regiões com concentrações naturais que refletem a geologia local ou com concentrações antropogênicas frutos de poluição do ambiente por atividades humanas.

A bacia do rio São Francisco no estado de Minas Gerais foi subdividida em 8 sub-bacias: Velhas, Alto São Francisco (cabeceiras do São Francisco, Pará e Paraopeba), Abaeté, Paracatu, Jequitaí, Urucuia, Carinhanha, e Verde Grande.

Clique aqui para fazer o download do Atlas Geoquímico da bacia do Rio São Francisco: Minas Gerais.

 Mapa geoquímico de Arsênio em sedimentos da bacia do rio São Francisco, no estado de Minas Gerais
 Coleta e acondicionamento de amostra do solo
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil (CPRM)
Pedro Henrique Santos
pedro.pereira@cprm.gov.br
(21)2295-4641
(61) 99332-8728
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