Sexta-feira, 08 de novembro de 2019

CPRM defende relatório técnico sobre afundamento de solo em bairros de Maceió, em audiência na Câmara dos Deputados

Representantes da CPRM apresentaram na Câmara dos Deputados em Brasília resultados das ações emergenciais realizadas pela instituição em Maceió
Representantes do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) participaram na quinta-feira (7/10), na Câmara dos Deputados em Brasília, de audiência na Comissão Externa, destinada a realizar o acompanhamento dos danos causados pelo afundamento do solo nos bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, em Maceió, Alagoas.

Durante a audiência, conduzida pelo deputado JHC, o diretor-presidente da CPRM, Esteves Colnago, fez um relato das ações emergenciais realizadas pela instituição em Maceió. Colnago defendeu o relatório técnico elaborado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da CPRM que apontou a causa da instabilidade do terreno nos bairros de Maceió e ressaltou a necessidade de se buscar ações efetivas para solucionar o problema.

“O relatório técnico da CPRM é conclusivo, em relação a causa do fenômeno que está provocando a subsidência e se encontra em processo de atualização, incorporando novos conhecimentos visando apontar soluções para resolução do problema”, destacou Colnago.

O diretor-presidente ressaltou ainda que a investigação geológica mobilizou a instituição devido à dimensão humana das consequências do fenômeno e que o resultado entregue à sociedade foi fruto de um trabalho coletivo, imparcial e com total independência, que teve como único objetivo utilizar a ciência para desvendar um fenômeno complexo.

 Thales Sampaio apresentou os resultados dos estudos realizados pela CPRM Na sequência, o coordenador do grupo de especialistas da CPRM envolvidos nos estudos, Thales Sampaio, fez uma apresentação explicando as linhas de investigação da CPRM para se chegar a causa gatilho responsável por desencadear a instabilidade do terreno que nos bairros.

Sampaio destacou que os estudos consideraram o contexto geológico e de uso e ocupação do bairro, características geotécnicas dos solos, presença de vazios (cavidades) no subsolo da região, decorrente de causas naturais ou de ações antrópicas, estruturas/feições tectônicas ativas na região e extração de água subterrânea.

Ressaltou que a interferometria, que utilizou imagens de satélite, permitiu delimitar a real dimensão do problema e caracterizar o que estava ocorrendo no bairro Pinheiro de forma muito consistente. “ As rachaduras e quebramentos que ocorrem no terreno do bairro Pinheiro estão sendo provocados pelo processo de subsidência”, afirmou.

Sampaio lembrou que após essa comprovação, os pesquisadores passaram a questionar o que estava causando a subsidência. Que para chegar a um diagnóstico preciso, foram utilizados diversos levantamentos geofísicos, análise de sonares das cavidades de extração de sal-gema, levantamentos geológicos de superfície, análises estratigráficas dos perfis dos poços e modelagem 3D, que integrou todos os resultados.

Audiência reuniu parlamentares de Alagoas que fazem parte da Comissão criada para acompanhamento dos danos causados pelo afundamento do solo em bairros de Maceió “O Serviço Geológico do Brasil com base em todos os estudos e análises realizadas, chegou às seguintes conclusões: está ocorrendo desestabilização das cavidades da extração de sal-gema, provocando halocinese (movimentação do sal) e criando uma situação dinâmica com reativação de estruturas geológicas preexistentes, subsidência (afundamento) do terreno e deformações rúpteis na superfície (trincas no solo e nas edificações) e em superfície de parte dos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro”, afirmou o pesquisador.

Sampaio acrescentou ainda que no bairro Pinheiro, cujo reflexo da subsidência é a formação de uma zona de deformação rúptil, a instabilidade do terreno é agravada pelos efeitos erosivos provocados pelo aumento da infiltração da água de chuva, em função do aumento significativo da permeabilidade secundária (quebramentos). “Este processo erosivo é acelerado pela existência de áreas de alagamento e a falta de uma rede de drenagem pluvial e de saneamento básico adequados, frisou.

Após a apresentação, a CPRM respondeu diversos questionamentos dos parlamentares que participaram da audiência, entre eles, dos deputados Max Beltrão, JHC e do senador Rodrigo Cunha, que elogiaram o trabalho realizado pelos pesquisadores e a transparência que a instituição aborda o assunto.

Acompanharam a audiência, o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial, Antônio Carlos Bacelar, os pesquisadores Roberto Gusmão, Jorge Pimentel e Leandro Galvanese e o chefe da assessoria parlamentar, Márcio Remédio.


Acesse a apresentação do Serviço Geológico do Brasil aqui

Assista a audiência

Confira a galeria de fotos


Warley Pereira
Letícia Peixoto
Gabriel Cunha
asscomdf@cprm.gov.br
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil (CPRM)


  • Imprimir