Terça-feira, 02 de julho de 2019

CPRM, ANA e USGS concluem etapa do programa de Revisão Técnica da Rede Hidrometeorológica Nacional de Referência

 Equipe da ANA, CPRM e USGS na estação de Luzilândia localizada no rio Parnaíba no Piauí As unidades regionais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) de Porto Alegre, Manaus e Teresina sediaram entre os dias 26/6 e 02/07 mais uma etapa do programa de Revisão Técnica da Rede Hidrometeorológica Nacional de Referência (RHNR), desenvolvido em parceria pela CPRM, Agência Nacional de Águas (ANA) e Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As atividades têm como objetivo garantir a qualidade das informações e dados produzidos pela RHNR, por meio da implantação da padronização e aperfeiçoamento das rotinas de trabalho das equipes técnicas.

Segundo o especialista em Recursos Hídricos da ANA Fabrício Vieira Alves, a Revisão Técnica representa a etapa final do ciclo de aperfeiçoamento que está sendo desenvolvido por meio da cooperação entre as instituições. Possui como linha de atuação formar equipes que possam atuar como auditores checando os processos dentro das unidades da CPRM. Nas visitas, estão sendo avaliados fluxo de dados, banco de dados, formação técnica, comunicação, gestão da instrumentação, entre outros tópicos. Cada um recebe uma nota, tornando possível aferir de forma objetiva os processos e delineando um retrato das unidades ao longo do país. “Em 2017, a USGS apresentou como a revisão técnica é feita por lá. Ano passado, o programa começou a ser construído em São Paulo. Agora, pela primeira vez esta metodologia está sendo aplicada no país, em Manaus, Teresina e Porto Alegre. É um processo em construção, pautado pela integração entre os auditores e a equipe auditada e vai se repetir ao longo dos anos. A expectativa é levantar tudo o que está conforme e as não-conformidades e identificar o que precisa ser feito para melhorar o processo integral do monitoramento”, explicou.

 Reunião de avaliação final da Revisão Técnica ANA, em Brasília De acordo com a chefe da Divisão de Hidrologia Básica do Departamento de Hidrologia da CPRM, Ana Carolina Zoppas Costi, a Revisão Técnica é resultado da parceria com o USGS, CPRM e ANA para implantação da Rede de Referência. Ela explica que para a implantação da rede de referência foi prevista esta etapa de acompanhamento e controle da qualidade dos dados que estão sendo gerados, que está sendo desenvolvida com base na experiência dos técnicos do USGS. “Eles utilizam esta prática que chamam de revisão técnica, que funciona com uma auditoria interna, uma maneira que eles encontraram bastante prática e eficiente para que todas as unidades atuem da mesma maneira, com os mesmos instrumentos e que os dados gerados possam ser comparados entre si”, avaliou.

 Equipe da CPRM, ANA, USGS em Muçum Para ela, a CPRM vai ganhar muito quando essa atividade de revisão passar a ser feita de forma rotineira pelas equipes de operação da RHN de referência. “Nos próximos anos, nossos procedimentos vão estar bem mais nivelados do que hoje em dia. Até então, eram feitos treinamentos para que todos trabalhassem da mesma forma, com a atividade de Revisão Técnica, teremos um grupo de pessoas que conhece os procedimentos e que irá nas unidades com formulários pré-estabelecidos. Isso vai permitir uma visão do grau de conhecimento da operação de cada unidade. Este comparativo terá como objetivo concentrar esforços onde é mais necessário para garantir essa padronização”, destacou.

Na opinião do hidrólogo do USGS Shaun Wicklein, que veio pela 5ª vez ao Brasil, a prática operacional do Brasil é comparável a outros ótimos sistemas existentes no mundo, pois utiliza tecnologias muito avançadas nos seus processos. Ele destaca que considera muito importante poder compartilhar a tecnologia e a experiência que o USGS utiliza no seu sistema de monitoramento e administração de recursos hídricos. “Fico feliz de poder contribuir com as práticas operacionais e, principalmente, com as inovações tecnológicas de monitoramento remoto que já utilizamos para melhoria dos processos da operação da rede de referência”, afirmou.

Ele também vê muita semelhança nos instrumentos que são utilizados nos processos operacionais no Brasil em relação aos equipamentos, tecnologia, transmissão dos dados e sensores empregados na coleta de informações nos Estados Unidos. Para ele, a diferença maior está na forma como esses dados são gerenciados e compilados dentro dos bancos de dados e disponibilizados. “Eu considero essa tripla parceria entre a CPRM, ANA e USGS como uma grande oportunidade de apresentar recursos tecnológicos e expertise administrativo e operacional que o USGS possui de longa data para que possam ser utilizados para modelar a realidade do Brasil. Acredito que muito pode ser aplicado para melhorar os processos e para otimizar recursos e que minha experiência pode ser útil para evitar problemas que já passamos por lá”, acrescentou.

 Hidrólogo do USGS Shaun Wicklein em Porto Alegre HISTÓRICO DA COOPERAÇÃO - O trabalho conjunto entre ANA, CPRM e USGS iniciou em 2014 e tem como base legal Memorando de Entendimento assinado pelas três instituições, com validade de 10 anos, de 2015 a 2025, que possui como objetivo o aperfeiçoamento do monitoramento hidrológico realizado no Brasil há mais de 100 anos. Conforme relembra o especialista em Recursos Hídricos da ANA Fabrício Vieira Alves, inicialmente a equipe do USGS visitou o Brasil e as estações operadas pela CPRM e fez algumas sugestões. Em 2015, pela primeira vez uma delegação brasileira, com sete representantes da ANA e seis da CPRM, visitou as instalações e as estações hidrometeorológicas do USGS nos Estados Unidos.
 Equipe da ANA, CPRM e USGS na estação Fazenda Paraíso em Roraima Após as duas visitas, a primeira ação desenvolvida por meio desta parceria foi o replanejamento da rede do Brasil. “Esta ação realizada em 2016 foi muito importante porque indicou os locais mais importantes, considerando que um ponto de monitoramento hidrológico precisa ter uma finalidade, seja para o controle de inundação, por exemplo, ou para estudos de disponibilidade hídrica”, avaliou Fabrício. A cooperação entre as instituições também impulsionou a capacitação das equipes brasileiras que começaram a ser treinadas por especialistas do USGS, que vêm até o Brasil. “Assim, o monitoramento começou a ser aperfeiçoado, com instrumentação moderna, treinamentos periódicos, controle de bases de dados e uma série de instrumentos acessórios”, acrescentou Fabrício.
 Equipe de Revisão Técnica em Porto Alegre RESULTADOS CONQUISTADOS - A partir do replanejamento da RHNR, foi possível definir uma ordem de prioridade para investimentos em modernização. Como resultado, até o final deste ano, a Rede Hidrometeorológica Nacional de Referência (RHNR) contará com mais de 300 estações automáticas para monitorar em tempo real: o volume de chuvas, o nível e vazão dos rios. A Rede Hidrometeorológica Nacional é composta por mais de 4 mil estações. Este trabalho é desenvolvido em parceria entre a ANA e a CPRM, sendo que 80% da RHN é operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). “Trata-se, portanto, uma mudança de paradigma, de longo prazo, no sistema de monitoramento hidrológico do país, constituindo um instrumento valioso da Política Nacional de Recursos Hídricos, o qual o Serviço Geológico do Brasil tem um papel relevante”, conforme enfatiza o Chefe do Departamento de Hidrologia da CPRM, Frederico Cláudio Peixinho.

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Janis Morais
Assessoria de Comunicação
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