Terça-feira, 26 de março de 2019

Avaliando o potencial mineral do país

   A indústria da alta tecnologia tem demandado a descoberta de novos depósitos de minerais estratégicos como o lítio, o cobalto, as terras raras e a grafita

O Brasil tem reservas de minerais estratégicos que podem atender a demanda mundial impulsionada pelo advento da quarta revolução industrial, que tem como base as novas tecnologias. Na medida em que os avanços tecnológicos acontecem e a produtividade agrícola aumenta, se faz necessário descobrimento de novos recursos minerais. Com isso, os países se deparam com a necessidade de se voltar à exploração de elementos específicos, aqueles essenciais para a indústria da tecnologia, como é o caso dos minerais estratégicos.

Atenta à necessidade desses insumos amplamente utilizados pela indústria de alta tecnologia e na agricultura, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) tem avançado no conhecimento científico para reduzir nossa dependência externa com relação a esses minerais. Exemplo disso é a Série de Informes de Recursos Estratégicos que apresenta periodicamente os resultados do programa Gestão Estratégica da Geologia, da Mineração e da Transformação Mineral.

Essa ação engloba projetos como o Avaliação do Potencial de Fosfato, Potássio, Terras Raras e Lítio no Brasil, inseridos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. Além disso, abrange os projetos Avaliação do Potencial de Agrominerais no Brasil e Avaliação do Potencial dos Minerais Estratégicos do Brasil, que prevê pesquisas para a identificação de novas áreas potenciais para os minerais estratégicos. Outro projeto é o Avaliação do Potencial de Cobalto no Brasil com o subprojeto “Biocobalt”parceria com a BGR (Serviço Geológico Alemão).

“Essas iniciativas estabeleceram como meta contribuir para o entendimento do potencial e vocação brasileira para os minerais estratégicos em todo o território nacional, visando fomentar a exploração mineral e mitigar os riscos exploratórios” explica Marcelo Esteves, chefe do Departamento de Recursos Minerais da CPRM.

“Um claro exemplo de fomento à pesquisa mineral é a descoberta da CPRM de um novo Campo Pegmatítico com potencial para lítio” Iona Cunha, chefe da Divisão de Projetos Especiais e Minerais Estratégicos

Resultados – As ações da CPRM já podem ser vistas na prática. O projeto Avaliação do Potencial do Lítio no Brasil, desenvolvido desde 2012 com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre as concentrações de lítio associadas a pegmatitos no Brasil, formulou um diagnóstico sobre esse mineral no país. A Fase I do estudo foi realizada na região do Vale do Jequitinhonha e finalizada em 2016.

Após a disponibilização dos resultados, 42 novos requerimentos de pesquisa para lítio foram efetuados na região. Na pesquisa, a CPRM descreveu 45 corpos rochosos com minerais de lítio, 20 deles inéditos. Para Vinicius Paes, um dos autores do projeto, a região tem potencial para se tornar uma grande produtora desse elemento, o único descoberto por um brasileiro, o santista José Bonifácio de Andrada.

“Um claro exemplo de fomento à pesquisa mineral é a descoberta da CPRM de um novo Campo Pegmatítico com potencial para lítio e a reavaliação do potencial dos campos já explorados”, avalia Iona Cunha, chefe da Divisão de Projetos Especiais e Minerais Estratégicos. Ela explica que a segunda fase do projeto tem como foco a região da Província Pegmatítica da Borborema, nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

O preço do lítio, ainda em alta moderada, subiu muito em função do aumento da demanda por baterias de íon-lítio, usadas em carros elétricos e sistemas de armazenamento de eletricidade. Esse tipo de veículo deve representar mais da metade das vendas de carros novos no mundo até 2040, como apurou a Bloomberg New Energy, e as incertezas sobre o crescimento da produção global fazem com que as fabricantes garantam a oferta do metal para o futuro.

A partir desse cenário, o projeto Avaliação do Potencial Mineral do Cobalto pretende realizar nos próximos anos estudos em áreas de Goiás (Santa Fé, Niquelândia e Barro Alto) e Pará (Vermelho e Quatipuru). O subprojeto Biocobalt , parceria com a Agência Alemã de Recursos Minerais do Instituto Federal de Geociências e Recursos Naturais (BGR/DERA) pretende aumentar o potencial de produção de cobalto no Brasil.

A iniciativa busca encontrar áreas de cobalto por meio do estudo de depósitos de níquel, cujos rejeitos do processamento mineral são fontes potenciais do mineral. No Biocobalt, devem ser usado procedimentos analíticos integrados com testes de biolixiviação (uso de bactérias para bioprocessamento de metais). “O objetivo é gerar resultados confiáveis, inovadores e consistentes”, conta o pesquisador em geociências José Luciano Stropper.

Divulgação dos dados - A CPRM já tem disponível em seu site alguns trabalhos importantes que apresentam avanços inovadores em relação à remineralização de solos através da utilização de “pós de rocha” como insumo agrícola. Um dos projetos de referência e destaque foi realizado no entorno das cidades de Irecê e Jaguarari (BA), pesquisando rochas oriundas de pilhas de descarte de mineração, sendo também pesquisado o potencial agromineral do uso de polpas de bacia de rejeitos de mineração. Há resultados positivos também no projeto Avaliação do Potencial de Fosfato no Brasil, onde já estão disponibilizados os relatórios das fases I e II, além de algumas áreas da fase III. Neste caso, houve também aumento de requerimento de áreas para fosfato após divulgação dos dados.

Outro estudo importante da CPRM é o Projeto Grafita, iniciado em 2017, que já realizou um primeiro levantamento sobre a potencialidade geológica e geoquímica do território nacional, com o intuito de selecionar as primeiras áreas para estudos. Foram escolhidas a divisa Bahia e Minas Gerais, sul do Tocantins e a região central do Ceará para estudo mais detalhado. O mercado do grafeno, que é uma das formas cristalinas do carbono, e de como a grafita é comercializada, apresentou variação de 42% em um ano e alta de 166% nos últimos seis meses.

Províncias Minerais - Substâncias como níquel cromo, cobre, alumínio, zinco e ouro, com forte impacto na balança comercial, são objetos de pesquisa nos Projetos Novas Fronteiras e Áreas de Relevante Interesse Mineral, distribuídos por todo território. São mais de 20 áreas pesquisadas e tendo como foco as grandes províncias minerais brasileiras.

Um dos resultados desses trabalhos foi a descoberta de indícios de mineralização de manganês de alto teor, com potencial para gerar novas oportunidades para a indústria mineral. O achado ocorreu durante o mapeamento de campo do Projeto Novas Fronteiras Sudeste de Rondônia. O resultado preliminar obtido pela química de rocha indica possíveis vantagens para aplicação nas indústrias do aço e fertilizantes devido à elevada razão manganês/ferro e baixo teor de fósforo.



Warley Pereira
Filiphi Souza
Assessoria de Comunicação
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