O Correto Emprego de Alguns Termos Geológicos

Há uma boa quantidade de termos geológicos que, com frequência, são empregados de modo equivocado. Há também casos de minerais com dupla denominação, mas em que só um dos nomes deve ser usado. Alguns desses erros mais comuns são comentados a seguir.

Minerais com Dupla Denominação

Alguns minerais possuem dois ou mais nomes, dos quais deve ser usado aquele oficialmente reconhecido pela International Mineralogical Association. Alguns nomes, como piroxena, não estão errados, mas trata-se de grafia usada no português europeu, diferente da usada no português brasileiro (piroxênio).

A lista abaixo apresenta alguns desses casos:

      USE E NÃO
      água-marinha água marinha
      asbesto amianto
      calcedônia calcedônea
      caulinita caolinita
      cianita distênio
      citrino topázio rio-grande, topázio bahia etc.
      cristal de rocha cristal (para o quartzo incolor)
      distênio distena
      esfalerita esfarelita ou blenda
      espodumênio espodumena
      estibinita stibnita, stibinita ou antimonita
      estilbita stilbita ou desmina
      gipsita gesso, gipso
      grossulária grossularita
      hematita oligisto
      hemimorfita calamina ou smithsonita [para Zn4Si2O7 (OH)2.2H2O]
      lápis-lazúli lápis-lázuli
      microclínio microclina
      nitratita salitre do chile
      ônix onix
      pedra-sabão pedra sabão
      piroxênio piroxena
      quartzo enfumaçado quaztzo fumé
      rubelita rubilita
      scheelita xilita, cheelita
      schorlita afrizita
      smithsonita calamina ou hemimorfita (para ZnCO3)
      spessartina espessartita, spessartita ou espessartina
      zircão zirconita
      zircônia cúbica zircônia

Notas

Moscovita / Muscovita

Segundo a lntemational Mineralogical Association, deve-se escrever muscovita e é assim, com "u", que se escreve em inglês e em francês. Em espanhol, porém, escreve-se moscovita. Antônio Houaiss registrou as duas formas, mas dando preferência para muscovita, que provém, segundo ele, de Muscóvia, antigo nome italiano de Moscou. O "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", da Academia Brasileira de Letras, que é a norma oficial, registra moscovita e muscovita. Prefira, então, muscovita.

Diamante / Brilhante

O diamante é um mineral, uma pedra preciosa. O brilhante é um tipo de lapidação, o mais usado para diamantes, mas empregado também em muitas outras gemas. Só se pode chamar um diamante de brilhante se ele estiver lapidado daquela forma. Todos os outros minerais devem ser chamados pelo seu próprio nome, mesmo quando têm lapidação brilhante (Associação Brasileira de Normas Técnicas, norma NBR 10630).

"Pedra" antes de nome de gema

Quando alguém dá cravos de presente, diz-se que deu um buquê de cravos, não um buquê de flor cravo. Do mesmo modo, se andorinhas passam voando diz-se que passou um bando de andorinhas, não um bando de pássaro andorinha. Assim, devem-se evitar formas como pedra ágata e pedra ametista, dizendo simplesmente ágata e ametista. Ex.: Foram exportadas 750 toneladas de ágata, e não 750 toneladas de pedra ágata.

Pedra Preciosa / Pedra Semipreciosa

A separação das gemas em preciosas e semipreciosas é confusa, desnecessária, artificial e formalmente condenada em normas técnicas da ABNT e de entidades internacionais, como Conféderation Internationale de Ia Bijouterie, Joaillerie, Orfévrerie, des Diamants, Perles et Pierres (CIBJO). Use apenas pedras preciosas ou gemas, seja qual for o valor.

Pedra Preciosa Sintética / Pedra Preciosa Artificial

Em se tratando de gemas, sintético não é sinônimo de artificial. Chama-se de sintética a gema produzida em laboratório que existe também na natureza, como a safira sintética, a esmeralda sintética etc. Chama-se de artificial a gema produzida em laboratório e sem uma equivalente natural conhecida, como o yag (yttrium-aluminium-garnet).

Branco / Incolor

Não cometa o erro primário de chamar de branco o que é incolor. Branco é o corpo que reflete todas as cores; incolor é o que deixa passar todas as cores. Um mineral branco é necessariamente opaco; um cristal incolor é necessariamente transparente (mas não use transparente querendo dizer incolor).

Carta / Mapa

A diferença entre carta e mapa é assunto controvertido, mas é geralmente aceito que mapa é um documento que abrange uma área na sua totalidade, enquanto carta é um conjunto de folhas articuladas que retratam a área total quando reunidas. Ex.: Mapa Geológico do Brasil, Carta do Brasil ao Milionésimo.

Dureza Alta ou Baixa

Evite dizer que os minerais são moles ou duros. Descreva-os em termos de alta dureza ou baixa dureza. Ex.: topázio e berilo têm alta dureza; talco e clorita têm dureza baixa.

Escala

Escala é o elemento de um mapa que indica a relação entre as distâncias no mapa e as distâncias reais, no terreno. A escala 1:100.000 significa que um centímetro no mapa representa 100.000 centímetros reais, ou seja, 1 km. A escala é uma relação, daí ser representada como 1:100.000 ou como uma fração ordinária (1/100.000). Sendo uma fração ordinária, quanto menor o denominador, maior é a escala. A escala 1:100.000 é maior que a escala 1:250.000. Quanto maior o detalhe maior também a escala.

Explorar e Exploração

A exploração é a fase do trabalho geológico que envolve sondagem, abertura de trincheiras etc. Para a fase de extração do minério melhor usar exploração ou, melhor ainda, lavra. Ex.: Encerrada a fase de exploração, passou-se de imediato a fazer o cálculo das reservas, o que mostrou a viabilidade da lavra a céu aberto.

Face / Faceta

Ao descrever um cristal, fala-se em faces cristalinas. Quando se trata de uma gema lapidada, fala-se em facetas.

Fronteira / Divisa / Limite

Entre países existem fronteiras; entre estados existem divisas; entre municípios existem limites. Ex.: fronteira Brasil-Venezuela, divisa Rio Grande do Sul-Santa Catarina, limite Lagoa Vermelha-Vacaria.

Massa Específica / Densidade Relativa

A massa específica e a densidade relativa têm numericamente o mesmo valor, mas são conceitualmente diferentes. Massa específica é a massa de um corpo homogêneo contida na unidade de volume. É medida, no sistema internacional, em quilogramas por metro cúbico. Para minerais geralmente usa-se grama por centímetro cúbico e para minérios, toneladas por metro cúbico. Densidade é o quociente entre a massa específica de uma substância e a massa específica de outra tomada como padrão (para sólidos e líquidos o padrão adotado é a água a quatro graus Celsius; para gases, usam-se o ar e o hidrogênio). É, portanto, um número puro. A massa específica do quartzo, por exemplo, é 2,60 g/cm³. Sua densidade é 2,60. O peso específico é o peso da unidade de volume de um corpo.

Microfotografia / Fotomicrografia

A microfotografia é uma fotografia de dimensões reduzidas (a exemplo de microfilmes e microfichas). A fotomicrografia é uma foto normal de um objeto de dimensões reduzidas, obtida através de um microscópio, por exemplo. Portanto, a microfotografia é uma redução; a fotomicrografia é uma ampliação.

Opaco / Fosco

Opaco é o corpo que não deixa passar a luz ou outra radiação. Fosco é o corpo que não tem brilho. Um objeto que não é opaco pode ser transparente ou translúcido. Um objeto que não é fosco é brilhante.

Pontos Cardeais / Pontos Colaterais / Pontos Subcolaterais

Escreva esses nomes com inicial maiúscula somente se forem designação oficial de uma região. Ex.: O Norte tem características bem diferentes das que se vê no Centro-O­este. Nos demais casos, use minúscula. Ex.: Os granitos não ocorrem ao norte da área. Na porção este da folha existem diques de diabásio. A unidade ocorre de norte a sul na área mapeada. O Brasil limita ao sul com o Uruguai e a este com o Oceano Atlântico.
No norte designa a porção norte dentro de uma área qualquer; ao norte de designa uma região fora dessa área. Ex.: O Amazonas está no norte do Brasil, mas as Guianas estão ao norte do nosso país. Prefira Este a Leste (embora a Marinha do Brasil e a de Portugal usem sempre Leste). Use as abreviaturas N, S, E e W, evitando L (de Leste) e O (de Oeste).
Observe a correta denominação dos pontos subcolaterais:

    NNE = nor-nordeste
    SSW = su-sudoeste
    NNW = nor-noroeste
    SSE = su-sudeste
    ENE = és-nordeste
    WNE = oés-nordeste
    ESSE = és-sudeste
    WSW = oés-sudoeste

Quilate (ct) / Quilate (K)

A porcentagem em ouro de uma liga pode ser expressa em quilates (símbolo K). O ouro puro (100% de ouro) é chamado ouro 24 quilates. Logo, o ouro 18 K, usado em joias, tem 75% de ouro (18 x 100 : 24) e 25% de outros metais. O teor de ouro pode ser expresso também em milésimos: ouro 1.000 (100 % Au), ouro 750 (75% Au) etc., forma preferível.
Há outra unidade de medida chamada quilate que nada tem a ver com a citada. É o quilate métrico, que mede a massa de gemas. Essa unidade tem símbolo ct e vale 200 miligramas. Uma esmeralda de 2 ct tem, portanto, 400 mg. O quilate métrico subdivide-se em 100 pontos. Um ponto vale, pois, 0,01 ct.

Terras-Raras

Terras-raras são óxidos, não elementos químicos. Os lantanídios, como o escândio e o ítrio, constituem os elementos de terras-raras (ETR); seus óxidos é que são as terras-raras.

Descoberta de uma Jazida

Uma massa de substância mineral de valor econômico existente na natureza é uma jazida. A jazida com todos os equipamentos e instalações necessários à extração do minério nela contido constitui uma mina. Portanto, embora se ouça com frequência na mídia que foi descoberta uma mina de ouro (ou minério de chumbo, de calcário etc.), ninguém descobre uma mina, descobre-se uma jazida. O mesmo vale para o petróleo. Ninguém descobre um poço de petróleo e sim uma jazida de petróleo. O poço é uma obra feita para procurar o petróleo e, depois de encontrado, para extraí-lo.



Autor

Pércio de Moraes Branco

Fontes

BRANCO, P. de M. Guia de Redação para a Área de Geociências. Porto Alegre, Sagra:DC-Luzzatto/CPRM, 1993. 176 p.

Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo, Oficina de Textos, 2008. 608 p. Il.