EXCURSÃO VIRTUAL

DESCRIÇÃO DA TRILHA PRINCIPAL

Imagem do Google Earth.

A Pedra da Gávea, uma das montanhas mais altas do mundo que terminam diretamente no mar, tem trilhas que alternam partes difíceis e fáceis. As difíceis obrigam você a se segurar nas raízes das árvores e nas pedras, sendo às vezes, recomendado o uso de cordas.

A pedra possui três trilhas diferentes. Uma tem origem na Estrada das Canoas, em São Conrado, a outra na Pedra Bonita e a última - a mais utilizada - começa na Barra da Tijuca (Barrinha). Esta última é a trilha escolhida para ser descrita neste roteiro – é um pouco íngreme, exigindo condicionamento físico dos participantes. Além disso, possui vários tipos de obstáculos no caminho – desde um escorregadio terreno de terra batida até a transposição de rochas. O percurso tem 1.670 km.

A subida escolhida começa no final da estrada do Sorimã, na Barra da Tijuca, onde se encontra um condomínio. Nesse ponto há um totem que marca o início da trilha.

Disponível em www.flickr.com/photos/babydiana

O caminho inicial é feito sobre pedras irregulares de uma pequena estrada construída por escravos que trabalhavam em antigas fazendas da região. Este calçamento secular, parcialmente revestido de musgo, encontra-se em bom estado de conservação. O acesso por aqui é relativamente fácil e agradável, sempre coberto por sombras das árvores.

Foto Pablo Medina.

Após 30 minutos de caminhada, a trilha começa a ficar íngreme com os primeiros obstáculos para transpor. Durante todo o percurso, existem marcações com setas amarelas pintadas nas árvores e rochas indicando o caminho correto da trilha.

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Da metade da subida em diante, blocos de pedras e um sem número de raízes compõem verdadeiros degraus para os caminhantes. As raízes das árvores penetram nas camadas mais endurecidas da encosta, aumentando a aderência do solo e assegurando certa estabilidade. Surgem paredões sombrios e úmidos revestidos em parte por avencas, bromélias, samambaias e musgos. Algumas árvores abrigam orquídeas claras. Pequenos riachos cortam o caminho com água boa de beber.

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No terço superior da caminhada, a trilha é formada por blocos de pedra angulosos de tamanhos variados. São fragmentos de rochas que se despregaram do grande rochedo fraturado que é a Pedra da Gávea e, através de desmoronamentos, rolaram e deslizaram por gravidade até formarem, no pé do paredão depósitos de tálus. Esse material, removido das partes mais altas e acumulado nesse trecho, compõe encostas íngremes e cobertas de vegetação de todo tipo.

Após 1 hora de caminhada, chega-se à Pedra do Navio. Do topo desta pedra, há uma pequena abertura na mata que permite visualizar parte da região da Barra da Tijuca. Uma parada obrigatória para descanso, apreciar a paisagem e tirar fotos.

Disponível em www.flickr.com/photos/babydiana
Foto de Pablo Medina.
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O ambiente superúmido facilita a decomposição desses blocos e propicia a formação de um solo raso, jovem, formado junto da rocha mãe (solo litólico), mas suficiente para deixar desenvolver grandes árvores enraizadas na pouca quantidade de terra e intervalo das rochas.

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Próximo às cristas pedregosas e de difícil acesso, ainda pode-se encontrar trechos remanescentes da Mata Atlântica. Mais adiante, com cerca de uma hora e meia de caminhada, alcança-se a Praça da Bandeira que é parada obrigatória. A praça fica bem em cima de uma crista abaulada do morro (parte da montanha da Gávea). É um pequeno platô onde se encontram as trilhas da subida por São Conrado e a da Barra da Tijuca - é uma clareira quase plana de uns poucos metros quadrados, eventualmente utilizada como área de camping.

Dali se avista a Pedra Bonita, a Agulhinha e a" Cabeça do Imperador", de frente, esculpida no paredão da Pedra da Gávea.

Foto: Pablo Medina.
Foto: Ivo Medina.

A pedra é formada por dois tipos de rocha – o granito no topo e o gnaisse nas encostas até a base – com resistências diferentes aos agentes da erosão. O contato entre as duas rochas é uma zona de fraqueza, além das fraturas existentes. A erosão atuando no contato deu origem a cavidades como os olhos e os ouvidos do imperador. O paredão abrupto que forma a testa e o topo da cabeça é o resultado da resistência maior do granito aos agentes erosivos.

O granito devido a sua composição mineral rica em quartzo e feldspato, com pouca mica e à maneira quase homogênea que eles se organizam e se dispõem na rocha, resiste mais à erosão.

O gnaisse, embora com os mesmos elementos minerais do granito – apresenta uma estrutura em bandas, onde o arranjo dos minerais segue planos paralelos – conhecidos como foliação – fazendo com que a camada de um seja alternada por outra. Esse tipo de estrutura facilita a penetração das águas de chuva entre as camadas, que vão decompor e desagregar os cristais mais rapidamente através de processos mecânicos e químicos. Por isso ele é mais vulnerável que o granito.

Além da resistência desigual das rochas aos agentes erosivos, a presença de fraturas ou fendas contribui também para modelar as formas de relevo. Através das fendas, a umidade se concentra e inicia o processo de decomposição. As águas alargam as fraturas formando vales e acentuando encostas.

Disponível em www.flickr.com/photos/babydiana
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Em seguida – depois da Praça da Bandeira, as encostas vão se tornando mais íngremes até a Carrasqueira, onde para transpor sua encosta é necessário muito cuidado e atenção sendo recomendável material de segurança, como cordas.

As encostas da Gávea, expostas à insolação, às chuvas e a ação bioquímica dos liquens, foram recuando através de desplacamentos contínuos ao longo de fraturas quase verticais, até chegarem à forma conhecida dos paredões de hoje.

Disponível no blog Salageo.tk
Foto: Pablo Medina

A Carrasqueira é um trecho de escalada bem acidentado, próximo à um abismo. Os menos experientes necessitam do auxílio de corda, tanto na subida quanto na descida. A rocha gnáissica nesse ponto é bastante fraturada, o que de certa forma, facilita a subida.

Foto: Pablo Medina
Foto: Pablo Medina

Vencendo a Carrasqueira, um pouco mais adiante defronta-se com o Portal, limitado por fraturas no paredão granítico. Há quem o chame de “Portal dos Fenícios”.

Foto: Pablo Medina
Foto: Pablo Medina
Foto: Pablo Medina
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Passando a Carrasqueira e o Portal, continua a subida, faltando, então, uns 15 a 20 minutos, para se chegar ao topo da Pedra. Em alguns trechos continua-se se segurando em pedras fraturadas e raízes.

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Entre a Pedra da Gávea e a Pedra Bonita ocorre um vale de falha em forma de V( indicado com seta na foto). Em tempos remotos elas faziam parte da mesma elevação. O granito que está no topo de uma é o mesmo do topo da outra.

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O topo granítico da montanha é enfim alcançado. A mesa de granito que o compõe protege o resto da montanha constituído pelo gnaisse mais suscetível à erosão. Pode-se dizer que é uma montanha de gnaisse com um chapéu de granito.

Foto: Pablo Medina

Do alto dos seus 844 m, a vista que se tem é magnífica. O Pão de Açúcar ao longe; a crista do morro Dois Irmãos cortado por enorme fratura formando os dois picos que dão origem ao seu nome; as escarpas de falha do Corcovado; a lagoa Rodrigo de Freitas enclausurada pelas pequenas dunas de Ipanema e Leblon; as ilhas Cagarras e a ilha Rasa; vales profundos cobertos por florestas, a praia da Barra da Tijuca separando com seus cordões arenosos a lagoa de Marapendi do mar; a lagoa de Jacarepaguá, os terrenos de planícies e a baixada surgindo entre a montanha e o mar.

O clima-combinado com as diferentes composições mineralógicas e estruturas das rochas-deixa sua marca, desenhando o relevo e dando-lhes as feições atuais.

A paisagem que conhecemos, é na verdade, o resultado de um grandioso trabalho escultural da natureza, que usou como ferramentas principais os agentes erosivos de corte, torneamento, polimento, remoção e acumulação. O material removido e transportado das partes mais altas, por gravidade e pelas águas, vai compor encostas íngremes e suaves e as partes baixas da planície estendendo-se até o litoral, contribuindo também com a formação das praias e dos manguezais .

Disponível no blog Salageo.tk
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O cenário visto da Pedra da Gávea é tão fascinante que qualquer descrição técnica e científica, muitas vezes, não alcança o que se vê e o que se sente.

Foto: Pablo Medina
Foto: Pablo Medina
Foto: Pablo Medina

MAPA DA TRILHA

Créditos: Geólogo Antonio Ivo de Menezes Medina - Elaboração de Texto e Roteiro
Engenheiro Agrônomo Edgar Shinzato - Geoprocessamento