DESCRIÇÃO GERAL DO GEOPARQUE
CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DO TERRITÓRIO DO GEOPARQUE
Clima

O clima do Arquipélago de Fernando de Noronha se caracteriza como tropical quente, com duas estações bem definidas: Há duas estações predominantes: a seca, que vai de setembro a fevereiro e a chuvosa, com precipitações ocasionais, de março a agosto. A temperatura tem pouca variação durante o ano, mantendo uma média de 28ºC, com amplitude térmica de 4ºC, com muito sol e uma brisa refrescante. O índice pluviométrico médio é de 1.300 mm, chegando a atingir no período chuvoso 2.000 mm, enquanto que na estação seca pode chegar a índices similares às regiões mais secas do semiárido nordestino, com precipitações na casa dos 500 mm. Os ventos predominantes têm direção SE (alísios), e sopram a maior parte do ano, contribuindo com uma sensação térmica agradável, principalmente entre os meses de junho a agosto. A exceção é no período de janeiro a março, onde as máximas de temperatura estão associadas a pouca ventilação observada nessa época.

Flora e fauna

O que resta da flora natural do Arquipélago de Fernando de Noronha é muito pouco em relação ao que encontraram os primeiros navegadores que ali chegaram, no começo do século XVI. A vegetação hoje encontrada é predominantemente arbustiva e herbácea, com várias espécies invasoras, que foram trazidas do continente. Encontram-se áreas com vegetação arbórea relativamente preservada no morro da Quixaba e ponta da Sapata (Teixeira et al., 2003). Na enseada do Sueste, encontra-se uma pequena área de vegetação de mangue, considerada a única em ilhas oceânicas do Atlântico Sul.

O conjunto de ilhas é considerado um berçário para a reprodução de aves marinhas, destacadamente a ilha Rata, para onde migram periodicamente várias espécies. O ecossistema marinho conta com uma grande variedade de peixes multicolores, além de diversos tipos de tubarões, arraias e tartarugas. Destacam-se na fauna marinha, os golfinhos rotadores, que podem ser observados em grande quantidade na Enseada dos Golfinhos. Dos animais terrestres, o único nativo é um pequeno lagarto, chamado pela população local de mabuia, que ocorre em toda a extensão da ilha principal. Trata-se de espécie endêmica do arquipélago. Duas espécies introduzidas na ilha principal, o lagarto teju e o mocó (pequeno roedor) apresentam atualmente populações bastante expressivas, causando desequilíbrio no ecossistema terrestre.

Relevo

O arquipélago de Fernando de Noronha é a parte emersa de um edifício vulcânico, cuja base com 74 km², está assentada sobre o assoalho oceânico a cerca de 4.000 m de profundidade. No topo desse edifício, além do arquipélago, encontra-se 23 km a oeste, a uma profundidade de 60 m, o Alto Drina, elevação secundária que foi desgastada pela erosão durante o rebaixamento do nível do mar na última glaciação, formando uma plataforma de abrasão, depois submersa com a elevação do nível do mar (Figura 2) (Teixeira et al., 2003).

A origem do arquipélago está relacionada a sucessivas erupções vulcânicas ocorridas devido ao movimento de afastamento das placas tectônicas Sul-Americana e Africana, que originaram o oceano Atlântico. Essas erupções se iniciaram quando da passagem da placa Sul-Americana por um ponto quente (hotspot), que são colunas superaquecidas provenientes do interior da terra, expelindo grandes quantidades de magma.

A configuração morfológica do arquipélago é representada no Mapa de Padrões de Relevo da Figura 3, que está compartimentado em oito unidades, descritas a seguir:

Figura 2 - Perfil esquemático E-O do edifício vulcânico de Fernando de Noronha (Fonte: Teixeira et al., 2003).

Os Morros, que são constituídos de rochas vulcânicas mais resistentes à erosão,representam as principais elevações do conjunto de ilhas,cujas declividades muito acentuadas formam muitas vezes picos monolíticos destacados da paisagem, a exemplo do morro do Pico (cartão postal da ilha), ponto culminante do arquipélago, com 323 m de altitude. Na ilha principal, além do morro do Pico, destacam-se os morros da Atalaia (221 m), do Francês (198 m), do Madeira (171 m) e do Alto da Bandeira (160 m). Formando pequenas ilhotas, é de se notar o morro Dois Irmãos (outro cartão postal da ilha), ilhas Morro da Viúva, Morro do Leão, Cabeluda e Sela Gineta.

Os Planaltos são superfícies de terreno pouco acidentadas, constituindo relevo posicionado em cotas mais elevadas que as superfícies adjacentes, que apresentam duas unidades na ilha principal: os planaltos da Vila dos Remédios e da Quixaba, o primeiro na área que compreende a parte urbanizada e o segundo entre os morros dos Abraços e Alto da Bandeira.

Os Baixos Platôs são superfícies planas a pouco onduladas, em patamar inferior aos planaltos,que representam a principal unidade de relevo do arquipélago em termos de área. Além de recobrir boa parte da ilha principal, constitui as ilhas Rasa, do Meio e Rata.

As Vertentes representam compartimento de relevo de declives topográficos acentuados, que margeia as unidades dos baixos platôs e planaltos, conectando-os diretamente com as praias arenosas existentes na ilha principal e na maioria das vezes com o oceano, formando falésias (em cujas bases se encontram depósitos de tálus) e costões rochosos.

As Praias são formadas por fragmentos das rochas vulcânicas (calhaus e seixos)e areias predominantemente bioclásticas (provenientes de carapaças de animais marinhos, a exemplo das conchas). São localizadas exclusivamente na ilha principal, que possui 10 praias no Mar de Dentro (praias do Porto, do Cachorro, do Meio, da Conceição, do Americano, do Bode, do Boldró, da Cacimba do Padre,da Baía dos Porcos e do Sancho) e quatro praias no Mar de Dentro (praias do Leão, da Baía de Sueste, da Atalaia e das Caieiras).

Assim como as praias arenosas, os Campos de Dunas são depósitos arenosos bioclásticos, que foram transportados e depositados pela ação dos ventos e que hoje se encontram fixos. Também estão localizados na ilha principal, junto à Praia da Caieira, na Enseada da Atalaia, na Baía de Sueste e na Praia do Leão.

Nas imediações da Baia de Sueste existe uma diminuta mancha de vegetação de Mangue, que está assentada sobre sedimentos arenosos formando uma pequena planície, onde deságua o riacho Maceió, que em conjunção com a água proveniente das marés altas, alimenta esse ecossistema único em ambientes insulares do Atlântico Sul.

No entorno da ilha principal, além das ilhas secundárias, existe um conjunto de pequenos Rochedos emersos que representam os topos de elevações de menor porte, refletindo o movimentado relevo da plataforma insular.

Figura 3 – Mapa de Padrões de Relevo do proposto Geoparque Fernando de Noronha. Elaborado por: Rogério Valença Ferreira.