GEOSSÍTIO N° 01 - SERRA DA TOMBADOR ( BR-324)
Coordenadas UTM: 317982 / 8772880

Datum: WGS84 Zona 24 Sul

Município: Jacobina

O afloramento é um corte de estrada na BR-324, que apresenta, com pequenas interrupções, cerca de 2.000m de extensão e 150m de espessura, situado a 19,6km a oeste da cidade de Jacobina, contados a partir da estação rodoviária.


GEOSSÍTIO N° 02 - SERRA DAS PALMEIRAS

Coordenadas UTM: 308948 / 8740571

Datum: WGS84 Zona 24 Sul

Município: Miguel Calmon

O geossítio está localizado 27,5 km a nordeste do povoado de Fedegosos, na estrada para a cidade de Miguel Calmon.


GEOSSÍTIO N° 03 - MIRA SERRA (BA-052)

Coordenadas UTM: 297120 / 8708903

Datum: WGS84 Zona 24 Sul

Município: Morro do Chapéu


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Figura 21
O afloramento que possui 1.500m de comprimento e espessura de 110m está situado 37,1km a leste do contorno rodoviário de Morro do Chapéu e a 12,1km a leste do entroncamento para Fedegosos e para o povoado de Ventura.
Como a variação faciológica da formação é muito grande, há necessidade do estudo destes três afloramentos para o entendimento da sua evolução paleogeográfica.

Figura 22
Na área do geossítio da Serra do Tombador (Figura 21), J. C. Branner (1910) descreveu as rochas da região, que foram denominadas Série Tombador, em referência à serra homônima, que possui mais de 60 km de extensão, com o trecho mais importante limitado pela BA-052 e pela BR-324 (Figura 22).
O geossítio da BR-324, situado no extremo norte da área, ocorre em não-conformidade com o embasamento. Na base do perfil há pequena manifestação fluvial, representada pela ocorrência de conglomerado, com 1m de espessura, com clastos de quartzitos verdes, provenientes da serra de Jacobina, e pela presença de uma sigmóide vista em corte transversal (Figura 23).

No intervalo estratigraficamente superior, há predomínio dos processos eólicos, com presença de dunas e interdunas (Figura 24). Na parte intermediária do perfil os conjuntos de estratificação cruzada estão truncados por planos horizontais, provocados por tempestades que erodiram os depósitos arenosos, até atingir o nível do lençol freático. No topo do perfil há registro da transgressão marinha da formação Caboclo com presença de argilitos com intercalações de delgadas camadas de arenito, estruturas de contração e estratificação wavy e linsen (Figura 25). Os arenitos eólicos do topo da Formação Tombador, são explotados comercialmente com o nome de “Quartzito Jacobina” (Figura 26).

Figura 23
Figura 24
Figura 25
Figura 26









Na serra das Palmeiras afloram conglomerados depositados por sistemas de leques aluviais, cuja distribuição é controlada pela paleotopografia do embasamento (Figuras 27 e 28), sobrepostos por arenitos fluviais. Na parte superior do perfil ocorre espesso intervalo com arenitos eólicos, com registro de dunas e interdunas, que apresentam bimodalidade e estratificação cruzada de grande porte (Figura 29).
O perfil da BA-052, próximo ao povoado de Mira Serra, que ocorre sobre o embasamento (Figura 30), inicia com inunditos e arenitos fluviais, sobre os quais ocorre um espesso intervalo com depósitos eólicos intercalados com registros fluviais, com caráter erosivo e presença de superfícies de deflação (Figura 31). No topo do perfil há registro de uma transgressão marinha, com sedimentação de caráter transicional, resultante da interação do sistema fluvial entrelaçado com o mar, gerando retrabalhamento na sua parte distal por correntes de marés (Lopes & Daitx, 1987).

Figura 27
Figura 28
Figura 29
Figura 30









A Formação Tombador é o testemunho de um deserto de mais de um bilhão de anos, perfeitamente preservado, onde podem ser examinados os processos que levaram a sua formação: o aplainamento parcial do embasamento, a direção e o registro sedimentar dos sistemas de leques aluvial, fluvial e eólico, as variações do nível do lençol freático, e a sua invasão final pelo mar (Pedreira & Rocha, 2002).

Figura 31
Esses três geossítios estão em bom estado de conservação. Entretanto existem ameaças à preservação dos geossítios da BR-324 e da serra das Palmeiras, relacionadas com garimpos de pedra ornamental nos arenitos eólicos (Figura 26).





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