| O deserto Botucatu, presente na porção sul da
Bacia do Paraná, está constituído por depósitos de areia eólicas
formando sets e cosets de estratos cruzados. Localmente ocorrem depósitos de
conglomerados e arenitos conglomeráticos relacionados a presença de
correntes efêmeras de drenagem. Litologicamente, predominam dunas de areias
ortoquartzíticas, contendo estratificações cruzadas de grande porte e
zonas de deflação interdunas. A espessura nesta porção SE da bacia varia
entre zonas de não deposição a horizontes com 100 metros de espessura. Após
o início do vulcanismo, encontram-se finos (<15 m) e descontínuos
(<1 km) depósitos intercalados com os fluxos de lavas do Serra
Geral.
A ruptura e separação do Gondwana
durante o Cretáceo Inferior foram acompanhadas por um expressivo evento
vulcânico, o qual recobriu com lavas a porção centro-sul da América do
Sul e o noroeste da Namíbia. Um extensivo magmatismo ao longo das margens
recém criadas gerou, entre outras feições, o Platô de Abutment e as
cadeias vulcânicas de Walvis Ridge e Rio Grande (Gladczenko et
al., 1997), as quais constituem o traço
fóssil da migração dos “fragmentos” do Continente Gondwanico. Este
evento, responsável pela geração da Província Paraná - Etendeka, uma
das maiores províncias vulcânicas de basaltos de platô (LIPs) do planeta,
está relacionado no tempo e espaço com a fragmentação do oeste
gondwanico e, mais especificamente, com a geração e extração de magmas
relacionado a dinâmica mantélica da pluma de Tristão da Cunha (Hawkesworth
et al., 1992;
O’Connor e Duncan, 1990;
Gallagher e Hawkesworth, 1994).
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