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A implantação do deserto
Botucatu,
ciclo sedimentar final do preenchimento da Bacia do Paraná-Etendeka,
iniciou-se por uma vasta superfície de deflação
eólica que marcou o clímax da aridez desértica
no interior desta Bacia, caracterizando um prolongado episódio de
interrupção da sedimentação que vinha se desenvolvendo, associado a fenômenos de rearranjo da sua morfologia.
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A implantação das condições
de abrasão eólica dentro da bacia acompanha uma tendência regional de
desenvolvimento de fases distensionais e de soerguimentos a partir de
Mesotriássico, e se insere temporalmente nos momentos iniciais do grande
ciclo geotectônico que levaria a desagregação do Pangea,
e a fragmentação dos continentes Africano e Sul-americano (Milani et
al.1998, Scherer, 2000).
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No topo da seqüência estratigráfica da Bacia do
Paraná, a Formação Serra Geral
demarca o término do episódio magmático eocretácico de preenchimento
desta entidade geológica, correspondendo a um dos maiores eventos vulcânicos
do planeta (vide Vulcanismo e Vulcões - Generalidades), o qual se encerra com a
abertura do Atlântico Sul e ruptura do Gondwana,
fragmentação esta gerada pela atuação da Pluma Mantélica de Tristão
da Cunha, “motor” que mobilizou a separação dos continentes.
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O contato entre as areias do deserto Botucatu e os
derrames de lavas do Serra Geral, em função da natureza distinta dessas
rochas, configura uma não conformidade de ambientes geológicos, deserto vs
vulcânico, mas mesmo assim existe uma relação transicional entre estes,
dada a alternância entre estes ambientes, mantida durante um certo
intervalo de tempo, entre o campo de dunas eólicas e os derrames de
lavas. Esta transição estende-se até o total soterramento das areias
pelas lavas, impedindo a manutenção e desenvolvimento do regime desértico
após os primeiros eventos eruptivos.
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Em diversas regiões, como em Santa Cruz-RS,
pode-se observar a morfologia das dunas ainda perfeitamente preservadas,
sendo recobertas progressivamente por vários fluxos extrusivos, assim
como a presença de corpos eólicos lenticulares intercalados nos derrames
inferiores da seção Serra Geral, materializando esta interdigitação
basalto/arenito, elemento ilustrativo da coexistência temporal de ambos
os sistemas. Esses elementos também constituem um importante critério
cronológico para o estabelecimento da idade mínima do deserto de
Botucatu; cuja idade mais jovem é a mesma da implantação do magmatismo
Serra Geral (138 Ma).
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Dom Feliciano
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2.1. Substrato da Bacia - Domínio Dom Feliciano
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A entidade geológica conhecida como Bacia do Paraná-Etendeka
está estabelecida sobre um domínio de rochas de idade Neoproterozóica
(650 a 540 Ma), composto por uma grande área de composição granito-gnáissica
denominada como Província Mantiqueira, a qual estende-se ao longo da costa
brasileira, desde o sul da Bahia até o Uruguai. Na porção sudeste desta
Província, correspondendo ao Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ocorre um
grande batólito de rochas graníticas multintrusivas e polifásicas,
denominadas como Cinturão Dom Feliciano, que correspondem às rochas mais
antigas da costa leste da bacia.
O Cinturão Dom Feliciano está constituído por rochas granito-gnáissicas
deformadas, granitóides porfiríticos deformados, granitóides com foliação
milonitica, e intrusões isótropas de composição monzo a sienogranítica,
constituindo múltiplos eventos magmáticos de colocação meso a epizonal,
até rochas subvulcânicas do Neoproterozóico, correspondendo a um
intervalo de tempo entre 750 a 520 Ma.
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Rochas
granitóides do Complexo Dom Feliciano cortadas por
diques da Formação
Serra Geral. |
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